terça-feira, 15 de março de 2016

A arte de Crescer: como educar a geração T


Esse é um texto escrito por mim e pela pedagoga Kelli Mattes, falando sobre a educação de crianças na sociedade contemporânea, os desafios, as características e todo o processo que envolve conviver com a geração que chamamos de "Geração T". Esperamos que o texto contribua com educadores e pai, no difícil processo de educar nossas crianças!!!

            "A sociedade contemporânea, sua velocidade e suas inúmeras formas de informação, trouxeram para o mundo uma gama de fenômenos espetaculares, tanto na área da comunicação, como na conduta de cada um de nós. Com a tecnologia que temos hoje disponível em casa, muitas situações que antes só existiam nos mais inusitados filmes de ficção científica, ficaram acessíveis para o dia a dia de nossa família. Temos à disposição diversos equipamentos eletrônicos que facilitam a nossa vida. A internet propiciou uma comunicação quase que instantânea com o mundo e isso alterou a dinâmica das famílias e não somente de forma saudável.

            O acesso à tecnologia, que deveria facilitar procedimentos, oportunizar acesso ao lazer, a aproximação das pessoas, está gradativamente escravizando-as. Perdemos qualidade de vida no momento em que permanecemos conectados ao trabalho, mesmo após o encerramento do expediente. Perdemos qualidade de vida quando deixamos de olhar no olho do outro e partilhar momentos. Perdemos qualidade de vida quando ficamos conectados a máquinas feito peças, como a personagem retratada por Chaplin no filme “Tempos Modernos”.
           
            Nossa sociedade fez com as pessoas trabalhassem mais tempo do que antes e estivessem mais disponíveis às empresas (mesmo com as leis trabalhistas brasileiras, que permitem uma regulamentação de horário), deixando de dedicar mais tempo para as atividades domésticas e o convívio familiar.

            Como se não bastasse o tempo reduzido,  a presença física não garante mais o contato e a interação familiar. Se outrora as famílias reuniam-se para contar causos e compartilhar experiências, na atualidade, muitas vezes mal conversam entre si. Há muito que fazer: jornadas duplas, até triplas, somam aos compromissos profissionais, a responsabilidade das lidas domésticas. E numa sociedade de famílias que mal conversam, uma seleta oferta tecnológica de lazer, fez com que acabássemos formando uma geração de “autistas digitais”, fechados em seu mundo, que didaticamente chamaremos de geração T – de tecnologia e de tédio.

            Nossas crianças e jovens conversam muito entre si, verdade, mas via computador. Se deixássemos, levariam seus celulares para a escola e  optariam por conversar com os amigos virtuais, ao invés dos colegas de escola. Quando saem com os amigos, usam o mesmo celular, para registrar cada momento, ao invés de vivenciá-lo. E para completar, acabam estranhamente conversando com os colegas de escola, que fisicamente são ignorados. Um paradoxo que vivemos e que traz consequências muito fortes na relação de convivência e aprendizagem dessa geração.

            Nas relações virtuais, eu posso ser quem eu desejar e vestir as máscaras que me forem mais convenientes. E isso, além de colocar as pessoas em risco, visto que muitas vezes não tem noção de quem é a pessoa com a qual verdadeiramente estão se relacionando, acaba por privá-las da real convivência. Inevitavelmente, faz com que percam as oportunidades de ensaiar momentos de frustração e divergência, que se multiplicarão na vida adulta.

            A geração T não está sendo ensinada a desenvolver a criatividade, porque os brinquedos chegam prontos e brincam até sozinhos. Não há porque construir uma estrada na areia, porque uma pista muito mais bonita do que a criança criaria está à disposição nas lojas. Não há porque inventar conversas entre bonecas, nem criar roupas, porque as bonecas falam, andam e tem uma gama de vestimentas a preços acessíveis.

            E tudo passou a ser arriscado: é melhor não subir na árvore para não correr o risco de cair; é melhor não jogar bola para não levar uma bolada; é melhor elogiar demasiadamente para evitar a frustração.

            Só que a vida é repleta de frustrações e o mundo não é virtual. Pense:
            - Quantas vezes na vida adulta você teve que mentalmente escalar árvores para resolver problemas?
            -Quantas vezes na vida adulta você teve que ensaiar um pulo instantâneo de corda para evitar uma puxada de tapete?
            - Quantas vezes na vida adulta você teve que construir estradas para encontrar novos caminhos?
            -Quantas vezes você teve que repetir uma mesma ação, colecionando derrotas, até que pudesse atingir a maestria?

            O que mais nos chama a atenção na atualidade, é a constatação de que a geração T não suporta e não sabe lidar com as contrariedades da vida. Não luta e nem sequer se esforça em resolver situações mais complexas. Não tem paciência para procurar algo em casa, sendo que muitas vezes está a sua frente.

            A geração T é extremamente inteligente, mas, em contrapartida, ansiosa, impaciente e entediada. O acesso às coisas é tão rápido, que elas perdem a graça tão rápido, quanto chegam. Não estão aprendendo a gerenciar suas emoções de forma saudável e precisam ser estimuladas a desenvolver esta habilidade.

            Uma bola e uma boneca eram muitas vezes o único brinquedo que um menino e uma menina da nossa geração recebiam em um ano e eram fonte de meses de alegria. As crianças e adolescentes dessa geração não se satisfazem com uma lista de presentes. Se entediam facilmente. Não que não sentíssemos tédio. Fazíamos “sala” para as visitas, visitávamos a vizinha fofoqueira e éramos ensinados a respeitar a tia que aparentemente pegava no nosso pé. Recebíamos lições de tolerância e gentileza. E encontrávamos uma alternativa para nos divertir, mesmo frente a situações adversas. A geração T prefere não ter ou não fazer algo, a divertir-se com algo que não esteja totalmente perfeito e a sua completa disposição.

             Mas estamos longe de ser contrários à tecnologia e à inovação. O desafio está em tornar seu uso demasiado. A proibição de acesso a TV, games ou internet, bem como a tentativa de negar a realidade de sua predominância, como família ou escola, de nada adiantarão. O que precisamos é nos adequar a esse “novo mundo”. A tecnologia pode ser sadia, desde que dosada com outras experiências e utilizada de forma consciente, com verificação de fontes de informações e proteção da privacidade.

            O excesso de liberdade e de oferta tecnológica está resultando numa geração acomodada no isolamento, geniosa, desejando vivenciar no cotidiano o mesmo '‘boom’' reprisado nos meios de comunicação. As relações estão se tornando tanto “fast”, quanto todos os “fast foods” que elas já visitaram. Elas estão se tornando tão emocionalmente frágeis e vazias, quanto um computador offline. E resultando em pais e professores questionando-se “onde foi que erraram”, visto que oportunizaram o acesso a tudo que não tiveram em sua infância limitada e educação retrógrada. Os filhos, em contrapartida, disseminam o descontentamento pela incapacidade dos pais em atenderem totalmente suas expectativas, uma compensação pela falta de tempo, que não tem compensação.

            Após tantas reflexões, fica um questionamento:

            E se não ensinarmos nossos filhos a arte de crescer, quem ensinará?
           
            A vida. E provavelmente, de forma muito dura.
           
            Comece agora: desconecte-se do mundo e conecte-se a sua família."

Perguntar será que ofende?

Por que o Mercadante ainda não esta preso???

"Educação ao Contrário"

Lendo um artigo escrito pelo professor Olavo de Carvalho para o "Jornal do Comercio" em 2009, comecei a pensar o quão mal estamos lidando com a Educação neste País. Sei que isso vai gerar uma enorme polêmica, mas não existe coisa melhor para o crescimento, do que a oportunidade do debate!!!

Aos que se interessarem pelo texto, eis ele ai:

"Clicando no Google a palavra “Educação” seguida da expressão “direito de todos”, encontrei 671 mil referências. Só de artigos acadêmicos a respeito, 5.120. “Educação inclusiva” dá 262 mil respostas. Experimente clicar agora “Educar-se é dever de cada um”: nenhum resultado. “Educar-se é dever de todos”: nenhum resultado. “Educar-se é dever do cidadão”: nenhum resultado.

Isso basta para explicar por que os estudantes brasileiros tiram sempre os últimos lugares nos testes internacionais. A ideia de que educar-se seja um dever jamais parece ter ocorrido às mentes iluminadas que orientam (ou desorientam) a formação (ou deformação) das mentes das nossas crianças.

Eis também a razão pela qual, quando meus filhos me perguntavam por que tinham de ir para a escola, eu só conseguia lhes responder que se não fizessem isso eu iria para a cadeia; que, portanto, deveriam submeter-se àquele ritual absurdo por amor ao seu velho pai. Jamais consegui encontrar outra justificativa. Também lhes recomendei que só se esforçassem o bastante para tirar as notas mínimas, sem perder mais tempo com aquela bobagem. Se quisessem adquirir cultura, que estudassem em casa, sob a minha orientação. Tenho oito filhos. Nenhum deles é inculto. Mas o mais erudito de todos, não por coincidência, é aquele que freqüentou escola por menos tempo.

A ideia de que a educação é um direito é uma das mais esquisitas que já passaram pela mente humana. É só a repetição obsessiva que lhe dá alguma credibilidade. Que é um direito, afinal? É uma obrigação que alguém tem para com você. Amputado da obrigação que impõe a um terceiro, o direito não tem substância nenhuma. É como dizer que as crianças têm direito à alimentação sem que ninguém tenha a obrigação de alimentá-las. A palavra “direito” é apenas um modo eufemístico de designar a obrigação dos outros.

Os outros, no caso, são as pessoas e instituições nominalmente incumbidas de “dar” educação aos brasileiros: professores, pedagogos, ministros, intelectuais e uma multidão de burocratas. 

Quando essas criaturas dizem que você tem direito à educação, estão apenas enunciando uma obrigação que incumbe a elas próprias. Por que, então, fazem disso uma campanha publicitária? Por que publicam anúncios que logicamente só devem ser lidos por elas mesmas? Será que até para se convencer das suas próprias obrigações elas têm de gastar dinheiro do governo? Ou são tão preguiçosas que precisam incitar a população para que as pressione a cumprir seu dever? Cada tostão gasto em campanhas desse tipo é um absurdo e um crime.

Mais ainda, a experiência universal dos educadores genuínos prova que o sujeito ativo do processo educacional é o estudante, não o professor, o diretor da escola ou toda a burocracia estatal reunida. Ninguém pode “dar” educação a ninguém. Educação é uma conquista pessoal, e só se obtém quando o impulso para ela é sincero, vem do fundo da alma e não de uma obrigação imposta de fora. 

Ninguém se educa contra a sua própria vontade, no mínimo porque estudar requer concentração, e pressão de fora é o contrário da concentração. O máximo que um estudante pode receber de fora são os meios e a oportunidade de educar-se. Mas isso não servirá para nada se ele não estiver motivado a buscar conhecimento. Gritar no ouvido dele que a educação é um direito seu só o impele a cobrar tudo dos outros – do Estado, da sociedade – e nada de si mesmo.

Se há uma coisa óbvia na cultura brasileira, é o desprezo pelo conhecimento e a concomitante veneração pelos títulos e diplomas que dão acesso aos bons empregos. Isso é uma constante que vem do tempo do Império e já foi abundantemente documentada na nossa literatura. 

Nessas condições, campanhas publicitárias que enfatizem a educação como um direito a ser cobrado e não como uma obrigação a ser cumprida pelo próprio destinatário da campanha têm um efeito corruptor quase tão grave quanto o do tráfico de drogas. Elas incitam as pessoas a esperar que o governo lhes dê a ferramenta mágica para subir na vida sem que isto implique, da parte delas, nenhum amor aos estudos, e sim apenas o desejo do diploma"

Se...

Como disse o amigo Beto Glaser em seu Facebook: "Se cobrir com lona vira circo, se trancar a porta vira hospício, se gradear vira cadeia"

Simples Assim!!!

Voltando

Aniversário significa o começo de um novo ciclo, quero aproveitar a data de hoje para reiniciar os trabalhos aqui no Blog!!!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

E agora, José? José, para onde?

Eis que após um longo e tenebroso período de expectativas, o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB/RJ), acatou um dos vários pedidos de Impeachment da presidente Dilma Rousseff (Não sem antes ver naufragar um acordo com o PT para blindar, ele Cunha, na comissão de ética da casa), e portanto, dará prosseguimento aos tramites normais do processo, criando assim, um ato político que mexeu com as estruturas da República, já tão abaladas com a montanha de escândalos que surgem à toda hora na imprensa e nos tribunais, tendo como último "capitulo", a prisão do líder do governo no senado Delcídio do Amaral (PT/MS).

Como nunca deixei de fazer aqui neste blog, vou deixar clara a minha opinião e meu posicionamento quanto á todo esse processo que, pelo que parece, ganha uma enorme força, após a decisão de Eduardo Cunha:Sou favorável sim ao impedimento da presidente, pois ela perdeu toda a legitimidade(se é que teve), que lhe foi conferida nas urnas, as mentiras, a falta de um projeto de gestão, as denuncias de corrupção (cada vez mais, batendo às portas do palácio do Planalto) são motivos suficientes para que Dilma deixe a presidência da República, essa conversa de que: "Ela é legitima, porque o povo à escolheu", não passa de falácia, o mesmo povo que escolhe, tem, através de seus representantes, o poder de tirar do poder o eleito (lembram-se de Fernando Collor?), Dilma não possui condições morais, políticas e administrativas de continuar governando (?) o País, a democracia elege,mas também, retira políticos.

Outro aspecto que quero deixar claro aqui também, ao ser a favor da saída da presidente, não me coloco como "defensor' de Eduardo Cunha, sou favorável à sua saída também, bem como, as saídas de todos os parlamentares, ministros e figuras públicas que estejam sob investigação criminal (sim, defendo a tese de que, ao ser investigado, a figura pública seja afastada das suas funções até a definição do caso), então, essa história de que "Ao ser a favor do impeachment, sou a favor de Cunha" é outra falácia com o intuito de confundir a sociedade (já conversei aqui neste Blog sobre isso, é o processo de Desinformação), uma coisa não está associada à outra, como tenta dizer, por exemplo, o PSOL.

Porém quero deixar exposto aqui que, o mais importante de tudo é que se combata, sem tréguas, as estratégias e posições do "Foro de São Paulo", a organização criminosa que está por trás da ascensão de populistas de esquerda na America Latina e do crescimento assustador das guerrilhas e do narcotráfico na região. Sem um combate direto e duro contra essa organização, qualquer tentativa política será insuficiente, visto que, o Foro de São Paulo, exerce uma enorme influencia nociva na região e precisa ser aniquilado. O impedimento de Dilma (ou  a sua renuncia, como eu acredito que aconteça) não deve ser encarado como um objetivo fim e sim, como um meio de se chegar até onde interessa, que é desmascarar e destruir como Foro de São Paulo, esse processo é lento e penoso, mas o simples fato de já ser comentado na sociedade, considero uma grande vitória nessa luta.

Estamos em um momento histórico impar, é necessário que aqueles que querem, de fato, melhorar o Brasil, estejam à postos na luta contra a influência do Foro de São Paulo e suas artimanhas, o começar do processo de impeachment na Câmara é somente uma frente de batalha, precisamos ir para dentro dos chamados 'meios de formação de opinião" (escolas, universidades, meio artístico, movimentos de base, igrejas) e começar a transformar, para melhor, o pensamento de nossa sociedade, chega de "pensamento único", viva a livre expressão do pensamento e do estudo sem barreiras ideológicas!

A decisão está em nossas mãos, a pergunta é: "E agora, José?"


Ele disse...

"O povo brasileiro deu a demonstração de que é possível o mesmo povo que elege um político, destituir esse político.Peço a Deus que nunca mais esqueça essa lição", Jair Messias Bolso...ei..desculpa, a frase é do Lula!!!

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Saída


Minha vida é bastante corrida, mal tenho tempo para acessar este blog e, portanto, acabo privando os amigos de alguns textos que até me vêem à cabeça, mas acabam não sendo escritos em função das atividades que tenho, bem. mas agora que estou aguardando o horário para ministrar uma palestra aqui em Estrela/RS, não posso deixar de comentar o absurdo político que assombrou o Brasil nesta manhã: A prisão do senador petista Delcídio Amaral/MS, não somente um simples senador, mas o líder do governo no senado.

As gravações obtidas pela Polícia Federal, através do filho do ex-diretor Nestor Cerveró (preso em Curitiba pela "Operação Lava Jato"), são para assustar até aquele mais cético analista político, que durante mais de 25 anos de militância política, já viu coisas assombrosas e que deixariam qualquer um dos leitores boquiabertos, porém, o conteúdo ao qual tive acesso através da imprensa é realmente um abuso total, um verdadeiro deboche à democracia e ao estado de direito (não vou aqui cair naquele discurso de "desinformação", de que "todo mundo faz"), o que o senador Delcidio fez, é gravíssimo e deve ser investigado, julgado e a punição, sempre em caso de condenação, deve ser a mais severa possível, isso no âmbito da justiça, na esfera política, não enxergo outra alternativa senão a cassação do mandato de Amaral, por "espedaçar" o decoro parlamentar.

Mas não somente Delcidio deve sofrer consequências desse crime, os demais envolvidos e, bem como, o atual governo, não pode mais ficar com a chamada "Cara de Blasé", como se nada disso que está acontecendo não seja de responsabilidade do grupo político que governa o País à mais de 14 anos, chega, a sociedade não aguenta mais tanta provocação, tanto deboche, tantos crimes acontecendo, enquanto o País está atolado até o pescoço, em uma crise econômica que só tende a crescer, muito em função de um governo que não tem mais legitimidade (se é que teve), de governar.

O "caso Delcidio" só reforça um "pedido" que faço enquanto cidadão e que os meus inúmeros amigos petistas hão de compreender, eu peço, peço não, exijo, a renuncia da presidente Dilma, por total incapacidade de governar e por perda total de legitimidade no exercício do mandato, essa senhora não tem mais nenhuma condição de continuar à frente dos destinos da Nação, sei que a minha exigência nem chegará aos ouvidos dos figurões de Brasília, mas sei que não sou o único a bradar por isso, e não existe poder mais legitimo do que a verdadeira vontade popular, a sociedade que um basta nisso tudo, gostaria muito que a presidente tivesse um minimo ato de bom senso, algo que, demonstrou não ter durante todo esse período no Poder.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

A arte de escrever

Trabalhando na madrugada, digitando a revisão de um trabalho, conectado nas redes sociais, ouvindo música e vendo tv, como é habito que tenho ao trabalhar em casa, sou surpreendido com uma entrevista do antropólogo Roberto Da Mata, uma conversa leve, bem humorada, sem nenhuma das chamadas "discussões acadêmicas" tão maçantes que são para mim hoje (isso será tema de um próximo texto que escreverei), mesmo que eu tivesse sentindo um pouco a falta de ouvir um pouco mais do conhecimento do professor Roberto.
 
Mas houve uma questão que me chamou muito a atenção e foi o motivo de escrever este texto, a essa hora da madrugada e deixando um pouco de lado o trabalho que estou fazendo, foi quando Roberto Da Mata comentou sobre a dificuldade de se escrever uma crônica/coluna/artigo para jornais e revistas, sejam estas, diárias ou semanais, esse assunto me chamou bastante a atenção e lembrei do tempo em que exerci essa função, semanalmente, para um jornal e um site, quando morava no Paraná.
 
Era sempre algo que consumia bastante a minha semana, ficava completamente atento à tudo que acontecia ao meu redor (minhas colunas eram sobre política, bah, que baita pauta eu teria agora, não é?) e acabava consumindo muito do meu tempo semanalmente, e o mais interessante é que, seu texto acaba sendo consumido em menos de um minuto pelos leitores que não fazem ideia do tempo e das horas de preparação que um texto como esse requer (bom, isso para mim acaba sendo irrelevante, importa é o que um texto meu pode impactar em um leitor e não o fato dele saber ou não, o tempo que levo para conceber o referido texto), sou um ardoroso fã daqueles que conseguem a proeza de escrever colunas diárias em jornais, é uma das atividades que ainda gostarei de ter, antes de morrer (mesmo que o conceito do jornal impresso tende a acabar, a mídia digital, pode me permitir alcançar esse objetivo).
 
Escrever é uma arte, escrever bem, chega a ser algo "divino" e isso é uma atividade que estou vendo diminuir de qualidade neste País, hoje, os "escribas" se ressumem muito à blogs (é verdade, este espaço aqui é um Blog) e sites pessoais, isso faz com que o autor acabe não se esmerando tanto em seus textos, pois, como é uma atividade pessoal e até diletante em alguns casos (como o meu!) e acabam não caprichando um pouco amis, no conteúdo de seus textos.
 
Me causa temor saber que uma das etapas mais difíceis de um vestibular, concurso ou ENEM, é a prova de redação! Nossos jovens cada vez mais estão perdendo o hábito de escrever, principalmente à mão (quase uma heresia nos dias de hoje), muito em função de não lerem mais noticias do cotidiano, das atualidades do mundo, e não somente aquelas referentes aos seus ídolos e gostos, fui educado por meus pais a ser um voraz leitor de tudo, não importando gênero, autoria ou temática, o importante em minha formação foi o hábito da leitura e esse "vicio" acabou resultando em minha paixão por escrever (deixo aos leitores do Blog a opinião sobre a qualidade dos escritos) e essa paixão é tão grande, que mesmo quando não tem necessidade de escrever sobre nenhum tema relevante sobre algum assunto em destaque no momento, eu recorro à temas que me causam inquietação e que, não que sejam menos importantes, acabam não tendo um grande destaque em escritos diários.
 
Escrever é uma arte, eu já disse, saber escrever é divino, repito, e acrescento: saber o que escrever, pode se tornar uma 'arma", capaz de influenciar pessoas e sociedades, servir para construir grandes projetos, bem como, para destruir com mentes brilhantes, por isso que devemos sempre nos atentar para o que está escrito, nenhuma prática advém do nada, sempre existe uma motivação teórica, por mais desorganizada que seja, por trás e geralmente essa movimentação teórica se dá por escritos, basta olharmos ao redor, para perceber essas ações presentes em nosso dia a dia.
 
Bem, são essas as pequenas indagações que me vieram à mente quando da entrevista que já acabou há horas e ainda estou eu aqui, a falar sobre ela, bendita tv ligada enquanto trabalho até altas horas da madrugada, e falando nele, deixe-me voltar ao meu trabalho, ainda terei muito o que escrever.

domingo, 1 de novembro de 2015

A Desinformação

A maioria de nós, cidadãos comuns, não temos a minima ideia do conceito de "desinformação". Para os incautos, desinformação é, simplesmente, uma informação falsa que é passada apenas para fins de propaganda, ledo engano, essas pessoas não fazem ideia de que desinformação são ações organizadas e complexas, milimetricamente calculadas para se atingir á um determinado objetivo, sendo que, segundo observações sobre o tema, cerca de noventa por cento desses objetivos não é do influenciar as multidões, mas sim de atingir alvos bem específicos (governantes, grandes empresários, chefes militares, etc), a intenção real é a de levar esses líderes a adotar estratégias que vão de encontro aos seus interesses, sem que os mesos percebam o que está acontecendo.

Aquela "desinformação propaganda", que acreditamos ser a única, trabalha apenas com aqueles dados políticos que estão ao alcance da sociedade, a desinformação propriamente dita, manipula informações técnicas e extremamente especializadas de extrema importância para as decisões que são tomadas pelos líderes que, têm em suas equipes da mais alta confiança, agentes que trabalhem com esse grau de competência na arte da desinformação.

Mas é possível que alguns leitores deste Blog possam ter o seguinte pensamento: "Espera ai, informações falsas não são usadas com frequência pelos militares e por governos?". Isso é verdade, no próprio livro "A Arte da Guerra", Sun Tzu diz: "A arte da guerra consiste substancialmente do engodo", isso no século V a.C. E a história humana está recheada de exemplos desse tipo de ação; Calúnias contra determinadas etnias e povos já foram construídas, para justificar ações de perseguições á estes grupos. Na Revolução Francesa por exemplo, temos um exemplo muito forte dessa "Indústria de mentiras", durante o período revolucionário francês, muitas inverdades foram disseminadas pelos líderes revolucionários como intuito de justificar os atos de perseguições à aqueles grupos que representavam qualquer tipo de ameaça ao regime emergente.

Mas isso não é desinformação, é apenas um conjunto de informações mentirosas que são orquestradas por um determinado grupo, para que possamos compreender o que é, de fato, desinformação, temos que recorrer ao revolucionário russo Vladimir Lenin. Ele compreendeu que se pudesse elevar a técnica de informações falsas dos militares para campos mas estratégicos da política, cultura, educação, etc, ou seja, transformar a mentira que era apenas a base da arte guerreira em uma ação mais orquestrada dentro da estrutura governamental, enfim, um instrumento de engenharia social e política e isso acabava transformando toda a convivência social em uma verdadeira "Guerra", uma guerra integral e permanente.

Em 1939, quando Hitler usou pela primeira vez a expressão: "Guerra Total", para identificar um tipo de "Guerra Moderna", um tipo de guerra que não envolvia apenas os políticos e os militares, mas toda a sociedade, ele usou algo que já existia desde 1917, com a Revolução dos Soviets, mesmo sem que esses soviets tivessem algum inimigo externo declarado, O governo revolucionário criado por Lenin baseava toda a sua política interna e externa com uma enorme e organizada estratégia de desinformação, tanto que quando ocorreu a famosa "abertura econômica (que foi planejada como etapa dialética de uma estatização total), foi amplamente decantada como uma diminuição da violência revolucionária, não com o intuito apenas de atrair capital estrangeiro, mas principalmente, com o objetivo de "convencer" os países ocidentais a não apoiar qualquer ação contra-revolucionária.

Essa estratégia foi tão bem criada e executada, que vários dissidentes do regime de Moscou, desamparados que ficaram no exílio e iludidos pelos falsos sinais de democracia vindos da Russia, acabaram voltando para o País, o resultado disso a história nos conta, foram fuzilados assim que voltaram. E daqueles que não voltaram, muitos foram perseguidos e assassinados em seu próprio exílio por aquela que haveria de se tornar a agência de Inteligência soviética: a temida KGB. Mas isso tudo aconteceu sem que ninguém percebesse o que estava sendo feito? Por incrível que pareça, as grandes potência ocidentais estavam completamente despreparadas para esse tipo de estratégia, só para que o amigo leitor tenha uma ideia, os Estados Unidos só tiveram um serviço de inteligência para ação externa, um pouco antes da segunda guerra mundial, sendo que todo o processo de infiltração cultural soviética (que foi a cooptação, através do convencimento ou compra das principais referências intelectuais e dentro da classe artística) se inicia nos anos 20, para se ter uma noção da diferença, os americanos só vão conseguir dar uma resposta na mesma proporção com a criação da CIA na década de 50 e, mesmo assim, a ação foi sufocada pela pressão da mídia, alegando que tudo não passa de uma "histeria anti-comunista".

É bom ressaltar que esse tipo de ação de desinformação em grande proporção, só é possível ser executada por um governo totalitário, onde esse governo controle os meios de difusão ou mesmo em organizações clandestinas, onde seus líderes tenham poder total sobre os seus militantes, Qualquer tentativa similar em um ambiente democrático, vai encontrar uma barreira enorme na constante fiscalização da imprensa e do poder legislativo. Portanto, nas democracias ocidentais, não há nenhuma ação equivalente a desinformação soviética. Obviamente que um governo pode fazer uma extensa propaganda mentirosa, mas não tem como fazer desinformação, pois vai faltar para este governo, o controle calculado dos efeitos, que é a principal característica da técnica leninista.

E justamente a liberdade de informação dos países democráticos, sempre foi uma "aliada" fantástica para a desinformação soviética, não somente pelos constantes vazamentos de informações secretas do governo para a imprensa, mas também pela enorme facilidade de espalhar informações falsas pela mídia, sempre ávida por escândalos e denuncias. Um vez, o general soviético Ivan Agayants, que foi por muitos anos chefe do serviço de desinformação da KGB, chegou a declarar: "Se os americanos não tivessem a liberdade de imprensa, eu a inventaria pra eles", tamanha a facilidade de plantar noticias falsas na imprensa norte americana.

Tenho me interessado bastante sobre o tema, me chamou muito a atenção quando comecei a pesquisar sobre isso e perceber o quão devastador foi a ação de desinformação soviética no ocidente e como esse processo perdura até hoje, mesmo com o fim da União Soviética (só para que o amigo leitor possa pensar: Quantas pessoas que estiveram em Cuba e receberam de agentes da KGB, aulas sobre a técnica de desinformação, são hoje, formadoras de opinião aqui no Brasil?). O movimento comunista é algo orgânico, sem ser palpável, o simples fato de muito se alardear que não existe mais essa coisa de "Esquerda x Direita", é uma eficaz técnica de desinformação, com o intuito de desviar o foco do confronto ideológico,para alguns eu posso parecer um lunático que enxerga conspiração em tudo, mas basta se aprofundar um pouco mais nos estudos, sair da "doutrinação ideológica" da educação brasileira, que você começa entender melhor esse processo.

Mas, se estudar é algo maçante e ninguém mais tem "tempo" para isso, vou fazer um gratuito comercial de cinema: Assistam os três filmes da série "Jogos Vorazes" (sim, um filme feito para adolescentes!) e neles, será possível perceber muito bem como funciona o processo de desinformação, analisem principalmente o segundo filme da série e observem como é a ação daqueles que lutam contra o regime que controla a fictícia terra onde se passa a trama e toda a engenharia que é utilizada para que o próprio governo, tome atitudes que acabaram por enfraquece-lo, propiciando um processo de revolta popular.

Lembrando sempre que a desinformação pode ser usada na iniciativa privada também, é mais difícil, porém é possível de ser feita, para beneficiar uma determinada empresa ou um determinado segmento, basta que você consiga colocar pessoas com um treinamento para tal e com uma lealdade que ultrapasse a simples questão financeira, afinal, apesar de muitos não pensarem assim, existe uma escolha que terá que ser feita por aqueles que desejam liderar: Poder ou Dinheiro.(essa escolha, por exemplo, parece ter "atrapalhado algumas figuras públicas brasileiras).

Uma vez Flamengo...por que não os outros

Entramos em uma semana importantíssima para o futuro do futebol brasileiro. E não falo apenas por ser mais uma decisão de Libertadores (...