terça-feira, 25 de outubro de 2016

Adeus ao Capitão

Eu não tive o privilégio de assistir ao vivo, nem nascido era, mas como aficionado por futebol que sou diversas e diversas vezes eu vi a repetição desse lance na TV. Tentarei descrever a imortalidade em poucas linhas, que pretensão a minha...

Tostão desarma um italiano e entrega para Gerson, o irrequieto meia toca a bola para o volante Clodoaldo, ainda no campo brasileiro.

O jovem jogador do Santos sai driblando 03 adversários com rara habilidade (ah..pobres daqueles que acreditam que volantes habilidosos são coisa de europeu) e entrega a bola na esquerda para Rivelino.

O "Reizinho do Parque" avança a bola em direção à Jairzinho, que jogava em posição invertida (ora então, alternância de posicionamento no ataque...também não é "coisa de europeu"). O "Furacão" avança em diagonal, da esquerda para o meio da entrada da área onde toca para Pelé.

O "Rei" no alto de sua majestade, sem olhar para o lado, toca a bola em direção ao "nada"...

E eis que que para preencher o "nada" surge o maior capitão da história da seleção brasileira, Carlos Alberto Torres, que com uma felicidade e precisão somente permitida àqueles que são diferenciados, acerta o potente chute, rasteiro, certeiro...

Brasil 4 x 1 Itália

O que, com uma ousadia extrema tentei escrever aqui foi, faz parte daqueles momentos que o futebol deixa de ser um esporte e se transforma em algo imortal, eterno.

Como imortal e eterno sempre será o capitão Carlos Alberto Torres, que driblado de forma cruel pelo seu coração, deixou este plano para ocupar seu lugar na galeria dos grandes deste esporte que mexe com o imaginário de bilhões de pessoas no mundo.

Carlos Alberto e sua geração são responsáveis pela minha paixão pelo futebol, daquelas paixões que te judiam, que te encantam e que te levam a sentir a perda de um ídolo.

Vá em paz, Capitão, e grato por tudo!!!

In mentem Thomae Aquinatis

Vou utilizar este espaço aqui para divagar um pouco sobre um dos maiores e mais brilhantes pensadores da história da humanidade, um homem que viveu no século XIII e que até hoje contribui para que possamos compreender um pouco de nossa existência. Não sou filosofo e, portanto, não me atreverei a transitar por esta seara, ressaltarei aqui aqui pequenos aspectos da história deste homem que durante os últimos anos vem sendo "escondido" nos debates acadêmicos e filosóficos do ocidente.

Estou me referindo ao monge dominicano São Tomás de Aquino (que apesar da grafia diferenciada, foi um dos homenageados por meu pai, na escolha do meu nome), Tomás viveu, como me referi antes, no século XIII e durante seus estudos recebeu uma enorme influencia de Aristóteles, Platão e Santo Agostinho. Seus estudos foram tão profundos que acabou por criar um sistema filosófico e teológico próprio e original que, com o passar dos anos, acabou se tornando um ponto de referência para toda a filosofia medieval.

Sua doutrina é tão importante que seus seguidores passaram a ser conhecidos como "Tomistas". No Concilio de Trento, por exemplo, a chamada "Doutrina Tomista" ocupou um lugar de honra no pensamento da Igreja e a partir do Papa Leão XIII, essa doutrina foi adotada como pensamento oficial da Santa Madre Igreja.

Talvez o maior mérito na filosofia e nos pensamentos de Tomás de Aquino esteja no fato dele aliar o pensamento lógico e racional, de origem aristotélica com a Fé Cristã. Ela é, na sua essência a Metafisica (uma das vertentes da filosofia, ocupadas com os princípios da realidade para além das ciências tradicionais, tipo, física, química, biologia, psicologia, etc), a serviço da Teologia. O Tomismo tem uma enorme influencia do pensamento aristotélico (que se tornou amplamente conhecido no ocidente no século XIII por intermédio de traduções do árabe) e serviu de fundamento para o pensamento racionalista e chegou a "ameaçar" a concepção cristã da realidade, tradicionalmente apoiada no pensamento filosófico de Platão.

Segundo as interpretações de São Tomás, tais conceitos não se chocam nem se confundem, mas são distintos e harmônicos. Tomás considera a teologia como ciência suprema, fundamentada na revelação divina, e a filosofia na sua linha auxiliar. cabe à filosofia demonstrar a natureza e a existência divina em plena harmonia com a razão. Só existiria conflito entre a filosofia e a teologia caso a primeira, em um uso incorreto da razão, se proponha explicar o mistério do Dogma religioso sem o auxílio da Fé.

São Tomás de Aquino considera que a Alma é a forma essencial do Corpo, responsável por dar vida à este. Para ele, a alma humana é subsistente, imortal e única, e por isso, o Homem tende naturalmente para Deus. A ética Tomista é concentrada neste movimento, que é considerado natural e racional, do ser para Deus, culminando na visão ou na contemplação imediata do Criador.

São Tomás de Aquino faleceu em 07 de março de 1274. Três anos depois, em 1277, doze de suas teses foram condenadas em Paris. Porém, no ano seguinte, o Tomismo foi adotado pelos Dominicanos. Em 1323, o Papa João XXII canonizou Tomás de Aquino. A partir dai, o Tomismo cresceu durante muitos séculos, mas acabou em uma "armadilha" de se tornar sinônimo de discussões inócuas e abstratas. Até que em 1879 o Papa Leão XIII, através da encíclica  "Aeterni Patris", fez renascer o interesse pela doutrina Tomista.

O que me entristece e me revolta é que durante todo o processo de hegemonia cultural da Inteligência brasileira dos últimos 60 anos, o estudo de Tomás de Aquino tenha sido banido da Academia, onde somente aqueles que queiram se aprofundar um pouco mais, conseguem ter acesso ao pensamento de Tomás de Aquino (me alegra que nos últimos 3 anos tenha crescido o interesse dos mais jovens em conhecer o pensamento Tomista). 

Escrevi esse texto para contribuir com a curiosidade de alguns em procurar conhecer mais o pensamento de genial humano e deste "Santo Racional" que está colocado, com certeza, no Panteão do Grandes da Santa Madre Igreja.

A sabedoria de Francisco



"Senhor, dai-me força para mudar o que pode ser mudado...
Resignação para aceitar o que não pode ser mudado...
E sabedoria para distinguir uma coisa da outra"

São Francisco de Assis

Das auserwahlte Volk

O título dessa postagem está em alemão e traduzindo de forma tosca, seria: "O povo escolhido", usei esse título para fazer um paralelo entre o pensamento alemão de Nietzsche que influenciou o movimento nacional Socialista alemão da década de 30 do século passado e o pensamento e prática dos movimentos de esquerda no Brasil contemporâneo.

"A propaganda política busca imbuir o povo, como um todo, com uma doutrina... A propaganda para o público em geral funciona a partir do ponto de vista de uma ideia, e o prepara para quando da vitória daquela opinião". 

Adolf Hitler escreveu tais palavras em 1926, em seu livro "Mein Kampf", no qual defendia o uso de propaganda política para disseminar seu ideal de Nacional Socialismo que compreendia o racismo, o anti-semitismo, o nacionalismo e a perspectiva de um futuro grandioso para o povo Alemão. 

O "novo homem" Hitlerista tinha como influencia o conceito de "Super Homem" de Nietzsche (um ser superior aos demais, aquele modelo ideal para elevar a humanidade, porém, isso não era para todos e sim, para alguns mais dotados e mais fortes do que outros). Esse conceito me faz relacionar, e muito, com algumas práticas e discursos que ouço com frequência no Brasil, principalmente proferidos pelos movimentos de esquerda.

Segundo Nietzsche, a sociedade é o instrumento para a melhoria do poder e da personalidade do indivíduo, não para a elevação de todos. A princípio ele acreditava no surgimento de uma nova espécie de ser, porém, passou a cogitar a possibilidade do seu “super homem” ser um indivíduo superior, que se elevasse acima da mediocridade e que sua existência se devesse mais ao esforço e a educação, do que pela seleção natural.

Como disse anteriormente, enxergo esse conceito de Nietzsche nos discursos e práticas esquerdistas brasileiras, onde os "iluminados" pelas teorias de superioridade de pensamento e doutrinas, desmerecem ou combatem qualquer alternativa que venha de encontro com esse majoritário pensamento. O "Super Homem" da esquerda é aquele individuo que faz militância direta, que "enfrenta" a polícia e os "opressores" do sistema, invadem escolas em nome de uma causa que nem ao menos parecem conhecer e acreditam estar acima dos demais indivíduos, justamente por acreditarem no mito da superioridade.

Ao falar de "igualdade", a esquerda brasileira nada mais faz do que pregar a sua própria "igualdade" ou seja, iguais são aqueles que professam da mesma crença os demais não passam de inferiores e, portanto, não merecem gozar das "maravilhas" de uma sociedade comunista (futurista e utópica), essas tais maravilhas estão reservadas apenas para os  militantes "Super Homens".

Nelson Rodrigues falava sobre o "complexo de vira latas" que nós, brasileiros, possuíamos. Hoje, a esquerda brasileira sofre de um complexo totalmente diferente. Acredita ser o "povo escolhido" ou melhor, o "povo eleito" para direcionar a humanidade (humanidade essa, que concorde com seus pensamentos, obvio, os demais, simplesmente serão exterminados) no caminho de um futuro glorioso.




Suus 'Vestri Vitium

O título desta postagem vem do Latim e em uma tradução coloquial, seria como: "A culpa é tua". Usei esse termo para expressar a minha indignação com fatos quem estão ocorrendo nas escolas e universidades destes País e mais precisamente, com mais uma infeliz declaração da senadora Gleisi Hoffmann PT/PR.
A referida senadora compartilhou ontem, em sua página do facebook uma nota  de uma tal de  "Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia", em atribui aos pais  a total responsabilidade pelo cenário de guerra em que se transformou as ocupações nas escolas do Paraná.  
Um dos trechos diz:
“RESPONSABILIDADE: Tanto o MBL, como o corpo docente e os pais serão obviamente os únicos responsáveis por essa exposição da integridade física dos adolescentes em risco, mas, sabemos, irão querer se esquivar se algo de ruim acontecer.Considerando essa situação de emergência que já ocorre em muitas escolas do Paraná, sugerimos NOTIFICAR O CORPO DOCENTE E ATÉ OS PAIS de alunos via SMS ou Whatsaap mesmo (porque é válido), dessa irresponsabilidade criminosa e barbárie que estão cometendo e que serão integralmente responsáveis civil e criminalmente.”
Ontem, um adolescente de 16 anos foi assassinado, segundo a polícia, em uma escola estadual de Curitiba ocupada há 20 dias por estudantes. O adolescente foi morto por outro colega, de 17 anos, que também estava na ocupação do Colégio Estadual Santa Felicidade. Segundo a Secretaria da Segurança, os dois se desentenderam após terem usado uma droga sintética, “balinha”, dentro do colégio.
O Colégio Estadual Santa Felicidade é um das 800 unidades de todo o Estado (de um total de 2.000) ocupadas em protesto contra a medida provisória do governo Michel Temer (PMDB) que prevê a reformulação do ensino médio, com flexibilização do currículo, com disciplinas optativas nas redes pública e particular. Cabe ressaltar que, a maioria dos estudantes que foram ouvidos, não sabiam explicar porque eram contrários á tal PEC, se limitando apenas a bradarem palavras de ordem e chavões típicos das massas de manobra, tão comuns nos chamados "Movimentos Sociais".
O que Gleisi faz é buscar atribuir ao "outro" (no caso, seus adversários e quem ao lado deles se posicionar) tudo aquilo de ruim e nefasto que venha a ser praticado por ela ou por seu grupo político e aliados,a  antiga tática leninista de desqualificação do oponente. Até quando a sociedade brasileira, em especial, a paranaense vai aturar esse tipo de prática? Será que mais de nossos adolescentes devem morrer para que se tome alguma atitude contra esses oportunistas que manipulam e se apropriam da "verdade absoluta", como se a mesma existisse?
Para mim chega, o que posso responder à senadora Gleisi é: Suus 'Vestri Vitium

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Entre Anjos e Demônios

Certa vez, Santo Agostinho, escreveu sobre quando foi para o deserto fazer um retiro de silêncio e foi acometido por todo tipo de visão (tanto demônios quanto anjos). O sábio bispo disse que em sua solidão, algumas vezes encontrava demônios que pareciam anjos, e outras vezes encontrou anjos que pareciam demônios. 

Ao ser questionado como ele sabia a diferença, o santo respondeu que só se pode dizer quem é quem com base na sensação que se tem depois que a criatura foi embora. 

Ou seja, se você ficar arrasado, disse ele, então foi um demônio que veio visitá-lo. Se você se sentir mais leve, foi um anjo!

Ao ler esse escrito do sábio mestre, procuro me ater aos fatos contidos em aspectos da nossa vida contemporânea e, em especial, no período que vivemos de eleições municipais, acirradas, tensas e que envolvem um componente emocional extremamente delicado. Onde "anjos e demônios" habitam os noticiários, os programas de TV, as ruas e até mesmo dentro de nossas casas.

Parei para analisar a observação de Agostinho e quero compartilhar essa reflexão contigo, amigo leitor, qual a sensação que determinado candidato deixa em ti, após uma propaganda, um debate, uma visita ou até mesmo em uma imagem? Ele te passa uma sensação de confiança? Ele te deixa mais "leve"? ou ele apenas te deixa incrédulo? Sem perspectivas, achando que todo político é igual?

Creio que seja fundamental essa reflexão para que melhor possamos escolher o nosso representante nas próximas eleições, pois não é possível prever o futuro, mas é importante levarmos em conta qual a sensação que determinada pessoa pode causar em nós, respeitar um pouco os nossos sentidos e instintos. A racionalidade, por incrível que possa parecer, não se apresenta para mim como uma ciência exata e como tal, eu também preciso da minha sensibilidade para fazer uma leitura correta do fatos.

Vamos tomar cuidado e ficar atento à todas as manifestações dos candidatos, suas atitudes, seus discursos e suas medidas. Mas vamos também atentar para qual a sensação que essas ações causam em nós, após o candidato "passar" por você, analise se ele pode ser um "Anjo" ou um "Demônio".

Frase do Dia!

"Ludus est necessarius ad conversationem humanae vitae."

São Tomás de Aquino

Um poema de Francisco!

"Uvas

Ó tempo
deixai de ser
o que não é,
ser parcimonioso,
até por que não és
não passas
de uvas
esquecidas,
de fato,
determinas tudo ...
Não é?
Caro tempo ..."

São Francisco de Assis

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Aprendendo a se Relacionar

Este ilustre blogueiro resolveu voltar às atividades (sei lá por qual vez), após alguns meses de turbulências pessoais. E quero voltar falando de um tema um pouco mais intimista do que o habitual deste blog, falar de relacionamentos.

Muitos relacionamentos acabam fracassando pela cobrança excessiva. Queremos transferir para o outro aquilo que sempre idealizamos como "perfeição". Queremos que o outro seja uma cópia exata dos nossos anseios e desejos, puro egoísmo, e ai fechamos os olhos sobre os sentimentos e características do outro, não enxergamos a diferença, e aquilo que foge aos nossos padrões.

Meu caro amigo leitor, lamento te dizer, mas você não encontrará ninguém perfeito, e se você desistir de seu relacionamento por causa das diferenças, ai é bem provável que ao se relacionar novamente, você encontrará novos problemas. Se é que existe, o segredo de um relacionamento saudável é não exigir que o outro mude, é se adaptar as diferenças e aprender a lidar com isso. Levando como maior peso, as características que fizeram você se aproximar do parceiro (a).

Ora bolas, qual o problema se você gosta de Fruki gelado e ela de Coca Zero? Se você gosta de assistir um filme de suspense e ela de comédia romântica? Qual o problema se ele é daqueles caras que falam eu te amo todo dia? Ou que manda flores pra você no seu trabalho?

E se o modo dele te amar é passando a maior parte do tempo dele com você? E se a forma dele demonstrar que te ama é cuidar de você, mesmo você não precisando ser "cuidada", pois sempre soube se cuidar muito bem?

Infelizmente às vezes sufocamos um relacionamento com tantas cobranças, deixamos de valorizar o modo como o outro nos ama, queremos que alguém nos ame exatamente como amamos. Esquecemos que o amor não é uma teoria singular, não tem uma definição única. Amor é algo particular, cada um ama de um jeito e exterioriza o que sente de forma diferente. E ai, nosso egoísmo enquanto humanos, acaba não permitindo que a gente consiga aproveitar a maravilha que é, conviver com o outro, aprender com o outro.

A gente precisa aprender a linguagem do amor, mas não a do "nosso" amor, mas do amor do outro, entender como o parceiro ou a parceira nos ama, qual a sua maneira de amar. E, quando a gente entende isso, o amor se torna mais leve, se torna mais bonito porque descobrimos o novo. E então, às vezes assim sem querer, melhoramos muita coisa em prol do outro não porque ele ou ela nos pede incessantemente, mas porque queremos.

É fácil? Com certeza não, mas o amor é um aprendizado constante, é uma escolha diária. O amor é simplicidade. Relacionamento baseado em cobranças acaba se desgastando e o amor perde sua finalidade. Precisamos saber reconhecer o novo (e temos dificuldade de aceitar isso) valorizar a pessoa com quem nos relacionamos, saber lidar com as diferenças exige maturidade. E isso passa pela nossa capacidade de compreender o outro, valorizar o outro, "ceder", muitas vezes, é uma forma inteligente de "avançar".


Em suma, queridos amigos, não é o amor que sustenta um relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.






sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Sonho



Aproveitando o período de turbulência pelo qual está passando o funcionalismo do Rio Grande do Sul, com uma greve de 3 dias (somente por “coincidência” ser no período da marcha em defesa da Dilma, o “Mortadelão”) em resposta às medidas que o governo estadual vem tomando para buscar sanear as contas públicas, eu lembrei uma frase que me soou, no mínimo, estranha quando a ouvi. Um juiz federal, que também é professor e escritor de livros para concurso público, chamado William Douglas, falou sobre: "sonho de passar em concurso público". 

Foi quando eu me deparei com a seguinte questão, se um grupo de pessoas supõe que ser funcionário público é um “sonho”, um objetivo que para ser atingido é necessário de um investimento financeiro e pessoal que chega a durar anos, é sinal que as coisas vão de mal a pior. Causa muita estranheza para mim que pessoas acreditem que o estreito mundo da burocracia seja o mais elevado nível de reconhecimento social e garantia econômica. São pessoas que olham a sociedade de cima para baixo, sabe-se lá por quê. Todavia, de uma coisa há de se concluir: quando uma parte não muito pequena da sociedade sonha com cargos públicos, tal fato revela a falta de opção, a pobreza econômica e a visão social turva de uma nação.

Mas amigos, é perfeitamente compreensível entender por que uma boa parte estudiosa e universitária da população brasileira procura cargos públicos: “A iniciativa privada paga maus salários e os empregos, em sua maioria, aparentam não serem promissores”. Os salários de cargos públicos, à primeira vista, são atraentes. Porém, pouca gente se pergunta o preço dessa mania e por que muitos empregos privados são tão ruins.

O resultado da equação é relativamente simples: cerca de quase metade da renda nacional está nas mãos do Estado. Essa renda toda, obviamente, não é produzida pelo funcionalismo, que no país, é um verdadeiro exército de gente empregada, estável e cara. No entanto, mesmo que o cidadão comum pague uma carga tributária pesadíssima, eis o que se vê nos serviços públicos em geral: hospitais e escolas públicas caindo aos pedaços, papeladas e mais papeladas para resolver problemas burocráticos que poderiam ser simples e a corrupção, que em certos setores, se torna generalizadas. E seus efeitos são sentidos também na iniciativa privada: pouca acumulação de capital e poupança, salários baixos, escassez de bons empregos e empobrecimento geral. E o empresariado brasileiro virando refém de cargas tributaria absurdas e que somente tiram a competitividade e diminuem o salário da iniciativa privada. Além disso, temos uma categoria que para de trabalhar quando quer (greve) e não presta conta para a sociedade do que de fato faz à custa do dinheiro de impostos de todos.

Eu tenho muitos amigos que são funcionários públicos, sou filho de funcionários públicos e minhas considerações jamais são de caráter pessoal, analiso questões práticas e políticas, não deixo de reconhecer que muitos funcionários públicos trabalham e trabalham bastante, mas falo da essência da coisa, falo do que esta por trás de todo esse processo.

Se não bastasse o mercado ser exaurido por conta dessa estrutura estatizante, uma boa parte da sociedade guarda também um forte resquício mercantilista. A empresa privada brasileira pode ser competitiva e muitos brasileiros são grandes empreendedores. Porém, eles enfrentam toda uma estrutura institucional que parece odiá-los e os hostiliza a todo o momento. A mentalidade vigente na política e na economia brasileira não parece gostar de livre concorrência. Empresa privada que se dá bem é aquela que presta salamaleques ao governo e vive numa bizarra espécie de capitalismo sem riscos, dai o surgimento dos cartéis e de escândalos de corrupção que proliferam toda hora nos noticiários brasileiros. Olha o paradoxo, os lucros são privados e os riscos são públicos. É por isso que muita gente foge do ofício de ser empresário. Há toda uma sorte de dores de cabeça para realizar tal atividade: impostos altíssimos, fiscais da receita ou do trabalho corruptos, direitos trabalhistas altos e impagáveis, contas pesadas a pagar, sem contar as dificuldades inúteis para regularizar uma empresa. Até fechar um negócio se torna dispendioso. A despeito de ser o elemento motivador que gera a riqueza econômica do país, o empresário é estigmatizado como uma criatura exploradora e parasita, cuja atividade é uma "concessão" que o Estado oferece, como um mal necessário. As restrições burocráticas ao livre mercado são assombrosas e desestimulantes. Cabe acrescentar outras dificuldades graves: as reservas de mercado nas práticas empresariais, profissões, ofícios. E também privilégios em relação aos empréstimos, subsídios e incentivos fiscais que o Estado proporciona para certos empresários amigos do rei ou no caso atual, da rainha. A concorrência, neste caso, se torna desleal.

Querem outro exemplo disso: Quando o eleitorado vota inspirado no assistencialismo governamental. O retrato dessa anomalia são programas ao estilo da bolsa-família e demais subsídios aos chamados “usuários da assistência”. Na mentalidade da maioria dos nossos eleitores, o Estado deve ser como um pai, um coronel, um senhor de engenho, foi caridoso, deu de comer aos “famélicos da terra”. Ou seja, o Estado não é uma figura burocrática e impessoal. Ele tem sentimentos e vontade própria. Sua ação não se faz por conta das leis, para retribuir à sociedade o que recolheu em impostos, mas porque realiza um "favor", uma generosidade, uma boa ação ao povo pobre e oprimido. Assim pensaram os eleitores mais pobres que votaram em peso em Dilma Rousseff para presidente. Na mentalidade deles, o Estado não é uma entidade abstrata, porém uma figura personalizada, na pessoa do senhor Luís Inácio Lula da Silva. O mesmo se aplica ao chamado Prouni, ao subsídio que o governo federal dá aos estudantes pobres para ingressarem nas universidades, onde uma atriz fala com todo o orgulho possível: “Antes, medicina era coisa pra rico”, que nem um lacaio de senzala ou um menino de recados do Brasil colonial, a alegre atriz reproduz um pensamento secular de servilismo arraigado na população brasileira.

Mesmo a psicologia da criatura da propaganda do Prouni reflete um atraso civilizador:  Medicina, assim como funcionalismo público, não é uma atividade profissional como outra qualquer, dentro de uma nação capitalista e democrática. É uma outorga governamental, um status bacharelesco, que a distingue dos seres mortais, tal como os nobres do Antigo Regime. Por mais que o governo jorre dinheiro para universidades de péssima qualidade, inclusive, sendo que a maioria delas tenha as piores notas no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o importante não é ter cultura intelectual séria, mas sim distribuir diplomas a granel, inflar as estatísticas governamentais e formar centenas de milhares de bacharéis analfabetos funcionais.

E essa é a lógica do funcionalismo público como um sonho de consumo de quem prefere utilizar a sua capacidade intelectual, não em “Servir ao público”, mas em função de uma “Estabilidade” que vai garantir a tão sonhada tranquilidade para que esse profissional não tenha com o que se preocupar, independente de seu desempenho profissional. E isso cria um problema muito sério, pois, para cada profissional sério, dedicado e competente, existe uma legião de pessoas que se acomodam em suas funções e com não podem ser tocadas e que acabam não sendo avaliadas em suas funções e causando desequilíbrio na gestão do estado. A culpa desse desequilíbrio não é do funcionário público e sim do funcionalismo, ou seja, da forma deturpada com a qual gerações de políticos brasileiros vem alimentando durante séculos nesse País, isso é o que penso e penso também que está na hora de trazer para a discussão política uma reforma profunda no sistema funcional brasileiro, inclusive para proteger os funcionários públicos competentes e que, de fato, tem compromisso com o “servir ao público”, esse é o meu sonho!

Uma vez Flamengo...por que não os outros

Entramos em uma semana importantíssima para o futuro do futebol brasileiro. E não falo apenas por ser mais uma decisão de Libertadores (...