quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Frase do Dia

"ፍቅር ነጻ, ነገር ግን ርካሽ ነው " (O amor é gratuito, mas não é barato)

Jesus, o Cristo

Perguntar será que ofende?

Para que serve a Lei no Brasil???

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Frase do dia

"Uma parte de mim pesa, pondera: outra parte delira..."

Ferreira Gullar, poeta que nos deixou ontem!!!

As medidas necessárias

O Rio Grande do Sul passa por um momento extremamente delicado em sua história, são anos de sufoco, de desgastes, de incertezas e de muita, muita luta para superar dois, dos que considero os mais sérios problemas do estado nesse momento: O desafio financeiro e gerencial.

O Estado gasta mais do que arrecada e, por isso, não consegue cumprir as obrigações essenciais. Sofre com a mais severa crise das finanças públicas de sua história e do país, aliada a uma crise estrutural de um setor público defasado e ultrapassado. 

A máquina estatal, que já foi exemplo para o Brasil, acumulou focos de ineficiência e paralisia, apesar do esforço de muitos servidores. Hoje, essa máquina não consegue devolver ao cidadão gaúcho, um serviço público eficaz e que possa responder as demandas crescentes da sociedade e, portanto, medidas duras e necessárias devem ser tomadas para que o Estado ainda possa pensar em ter um futuro.

Eu sei que muitos buscarão ‘Ideologizar” as medidas que possam ser tomadas, usarão como discurso de “campanha” para as eleições de 2018 e não estarão nenhum pouco preocupados com as verdadeiras necessidades da população do Estado.

Porém, chegou o momento da sociedade começar a debater qual o tamanho do Estado que ela, sociedade, precisa para que possa voltar a crescer e a gerar renda e riqueza para os que aqui vivem. O Rio Grande do Sul não pode mais viver somente no passado, é chegado o momento de aprender com os erros e buscar alternativas que possam tirar o Estado desta situação que é, repito, gravíssima. Nós, sociedade, não aceitamos mais conviver com o atraso, o desperdício, a ineficiência e os privilégios de uma estrutura de administração pública ainda voltada para demandas que são das décadas de 50 e 60 do século passado.

Estamos no século XXI e é necessário que o governo tenha o dever de se voltar para aquilo que é mais urgente de ser atacado e que as últimas eleições mostraram isso: Queremos um Estado que dê atenção à segurança, saúde, educação, infra-instrutora e empreendedorismo. Tudo aquilo o que não atentar para  esses propósitos, de servir às pessoas, não deve onerar as contas públicas. Não é uma questão de tamanho de Estado, somente, mas de eficácia, de gerenciamento inteligente daquilo que, de fato, importa para a maioria dos gaúchos.

Eu estou analisando as medidas de reestruturação que o governador Sartori enviou para a Assembléia Legislativa, são medidas duras? Sim, porém, são medidas extremamente necessárias para que o Estado possa buscar uma recuperação de anos de irresponsabilidade de gestão (abro espaço para citar apenas a última gestão, que recebeu o Estado com superávit e entregou com um enorme déficit, muito em função de seus compromissos com determinados setores que se beneficiam há anos desse modelo de gestão ultrapassado).

Essas medidas estão em sintonia com as outras transformações que este governo vem apresentando desde os seus primeiros dias, tais como a Lei de Responsabilidade Fiscal Estadual, pioneira no país, o regime de Previdência Complementar, a implantação de um Modelo de Governança e Gestão, a intensificação da cobrança da dívida ativa e o combate à sonegação.
 Diminuíram-se secretarias, cargos, telefones, carros, consultorias e gastos secundários. A renegociação da dívida com a União foi resultado de um esforço coletivo. Mas isso não é o suficiente, é necessário que as reformas não sejam somente no intuito de diminuir gastos, mas de apresentar resultados práticos para a população e não somente beneficiar essas ou aquelas categoria/corporação/partido.

Não existem soluções mágicas, imediatas e indolores. O Rio Grande precisa dar continuidade, mesmo em futuros governos, às políticas de equilíbrio financeiro e modernização da máquina pública. Esse deve ser o pacto político permanente, para além de partidos, ideologias, poderes, corporações ou outros interesses.


Como escrevi acima, estou analisando o conteúdo das medidas, mas quero deixar clara a minha admiração e respeito à este governo por ter a coragem política de propor essas alternativas para a sociedade, mesmo com a resistência daqueles que não pensam na população e somente em seus interesses, mesmo enfrentando aqueles que apenas desejam permanecer com seus benefícios e não se preocupam com o todo. A atitude do governador Sartori em enviar esse projeto para a Assembléia vem reiterar um de seus mais falados compromissos durante a campanha que o elegeu: “Meu partido é o Rio Grande”

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

A Tecnologia e o fim das Revoluções

Meu caro jovem utilizador de redes sociais e mais novo “ativista digital” da “praça”, se você é daqueles que acredita que haverá uma revolução, e que esta revolução será liderada pela tecnologia e disseminada através dos meios digitais, esqueça. Tal idéia é totalmente contraditória.

Não haverá revolução e a tecnologia não levará a nenhuma revolução.
Mas por que eu estou dizendo isso?
A essência de uma revolução é a “centralização do poder”. Um tal de Marx já falou isso faz muito tempo, e fez questão de nos lembrar disso ao longo desses anos todos. Não existe processo mais centralizador do que uma revolução. Todas as revoluções ocorridas na história geraram uma centralização do poder, inclusive a Revolução Americana, considerada a maior das “revoluções liberais” da história humana.
Longe de caminharmos para uma revolução. Estamos isso sim, à beira de uma “não-revolução”.
O que estamos presenciando atualmente é um enorme processo de desintegração, muito parecido com o que aconteceu com o Império Romano. Nenhuma revolução derrubou Roma, o império simplesmente se desintegrou. O mundo medieval foi um período de enorme descentralização.
Ao longo do século XVII, aconteceram várias tentativas de iniciar revoluções. A Revolução Puritana na Inglaterra foi uma delas. Foi uma revolta contra o poder centralizado do rei, mas foi uma revolta feita em nome da centralização do poder no Parlamento.  Essa revolução simplesmente gerou um ditador militar, Oliver Cromwell, entre 1649 a 1659. Cromwell foi substituído por um novo rei em 1660, mas o parlamento continuou a centralizar o seu poder.  A Revolução Gloriosa de 1688 e 1689 retirou muito do poder do rei, mas não reduziu o poder do governo; ela simplesmente transferiu o poder para o Parlamento.
Quando existe uma intensa descentralização surge não uma revolução, mas sim uma “secessão”. E não me refiro a uma secessão ao estilo daquela que ocorreu no sul dos EUA no século XIX que era apenas uma maneira de centralizar o poder no sul do país.  Aquilo não passou de um grupo de revolucionários armados que procuravam centralizar o poder na região que queriam controlar.  Como eles próprios argumentavam, era uma repetição da Revolução Americana. Não havia nenhuma intenção por parte de Jefferson Davis e seus confederados em separar, a intenção dos revoltosos sulistas era a de centralizar o poder em sua região.
Uma revolução significa uma centralização do Poder.  Se você não entender isso, caro amigo, você não conseguirá entender o que está ocorrendo hoje com o mundo, e o que vem ocorrendo ao longo dos últimos 500 anos com este mesmo mundo em que vivemos.
Revoluções centralizam o poder.  Se o teu objetivo é combater militarmente um poder centralizado, então teus combatentes têm de centralizar o poder em torno de si próprio.  Ao fazer isso, tudo o que é alcançado é simplesmente uma mudança de lealdade, a qual irá para esse novo grupo de centralizadores formados. Até hoje a maioria das pessoas, inclusive os intelectuais e “pensadores”, ainda não entenderam isso
Prezado amigo, para você fugir do sistema, você não tem de fazer uma revolução; você tem de fazer uma secessão.  Você tem de retirar todo o seu apoio ao sistema vigente.  Você tem de revogar a legitimidade que você conferiu a essas organizações. Você tem de fazer isso, e todas as outras pessoas também têm de fazer isso.  E isso não é uma coisa que pode ser organizada antecipadamente. As pessoas simplesmente aprendem escândalo após escândalo, absurdo burocrático após absurdo burocrático, que o sistema é irreparável. Ele não pode ser reformado.  Ele não pode ser "capturado desde dentro".  Ele tem de deixar de ser financiado. O segredo da liberdade não é a revolução; o segredo da liberdade é a deixar de financiar a ordem centralizada existente. Lembram do filme “Tropa de Elite 2”, quando a personagem principal, o coronel Nascimento, faz suas divagações sobre os sistema?
Vamos continuar: O segredo da estabilidade monetária e de uma moeda forte não é capturar o Banco Central e colocar lá "um dos nossos", ou conceder a ela uma suposta independência.   O segredo é a soberania monetária.  Qualquer um utiliza a moeda que quiser sob uma ordem social de livre mercado.  E isso só se consegue via secessão e não através da centralização revolucionária. Quando os britânicos decidiram que não adotariam o Euro, a idéia presente ali era a de não participar completamente do processo revolucionário que estava se criando com a União Européia (e ainda tem gente espantada com o Brexit).
Querem outro exemplo? O segredo de uma melhor educação não é capturar e controlar o sistema público de ensino. O segredo de uma educação melhor é utilizar a internet (o que reduz sobremaneira os custos da educação), descentralizar todo o processo, e colocar os pais no controle do programa educacional de suas famílias e não atribuir isso ao estado. Portanto, ao ouvir o clichê: “Estamos fazendo uma Revolução na Educação”, fique atento!
O problema é que os conservadores e vários libertários demoram em aprender algumas coisas. Eles ainda insistem em dizer que o melhor a ser feito é capturar e controlar o sistema progressista, pois acreditam que têm um plano melhor para fazê-lo funcionar. Ora bolas, isso foi o que os bolcheviques fizeram com a burocracia do Czar. Isso foi o que os revolucionários franceses fizeram com a burocracia de Luís XVI. Isso foi o que os revolucionários americanos fizeram com a burocracia de George III. Isso é o que o sul dos EUA teria feito caso tivesse vencido. Dizem-se conservadores e não enxergam o que a história lhes mostra.
A tecnologia vai descentralizar o mundo de maneira mais intensa.  A descentralização não vai levar a uma revolução.  A descentralização vai levar à secessão.  Falo de uma secessão ao estilo de Gandhi. Falo em retirar todo o  apoio. Não será necessário pegar em armas contra o estado; você simplesmente tem de se recusar a cooperar com ele.  Agindo assim, você verá como será mais difícil e mais custoso para o estado tentar tiranizar você.
A Iugoslávia não existe mais. A União Soviética não existe mais. Daqui a pouco nem a União Européia existirá mais. Essa é a tendência do futuro.  Os estatistas e os pretensos estatistas irão continuar em busca da “Grande Revolução”.  Assim como Marx, eles vêem como iminente a “Revolução Proletária”.  Só que ela nunca veio e nem virá.  A revolução comunista ocorreu justamente onde, segundo a própria teoria marxista, não deveria ter ocorrido: a área rural do império russo. O proletariado urbano não fez a revolução; quem a fez foi um bando de intelectuais alienados em conjunto com assaltantes de banco. (como se tentou fazer aqui no Brasil).
O que estamos testemunhando é o fim do apoio aos regimes centrais.  As revoluções no mundo árabe não descentralizam nada.  Elas apenas reorganizaram a centralização nas mãos de outro grupo de tiranos.  É bom ver os antigos tiranos sendo humilhados e derrubados, pelo menos de longe. Mas isso não muda nada. O Egito é exatamente o mesmo que era sob o jugo de Mubarak.  É uma ditadura militar. A revolução não trouxe nada de positivo.
Revolucionários são centralizadores.  Essa centralização pode ser explícita ou não, mas sempre há uma agenda centralizadora em todos os movimentos revolucionários.   Todo revolucionário sempre acredita que sua revolução será a última.  Todo revolucionário acredita que, quando ele finalmente estiver no controle da cadeia hierárquica de comando, as coisas serão diferentes.  Sim, será diferente: teremos um grupo diferente de espoliadores pilhando a produtividade das vítimas. Meus caros, não acreditem em processos revolucionários como a “salvação” das mazelas da sociedade. Revolução é apenas uma alternância de centralização.
Enquanto conservadores e alguns libertários continuarem sonhando com a captura e o controle de sistemas hierárquicos de poder, nada vai mudar. Nenhum plano centralizador pode surgir de um sistema de comunicação descentralizado.  Vivemos nos “Bálcãs digitais”, e não na Iugoslávia.

O Facebook está descentralizando o mundo.  Ele está "balcanizando" o mundo. E isso vai continuar. Portanto, não ache que você é um “Revolucionário Digital”, tens todo o direito de tentar uma revolução, mas ela não acontecerá através dos meios digitais, não se iluda.

Estado Mínimo: O primeiro passo para o Totalitarismo?

Participando de uma mesa de debates hoje, foi colocado na conversa a concepção de Estado. E acabei por presenciar inflamados discursos sobre a necessidade de um “Estado Mínimo”, onde o papel desse Estado seria apenas o de mediar determinadas questões e onde o Mercado seria o condutor do desenvolvimento. Aí me veio a pergunta: “Estado Mínimo” é possível? Claro que é.  É duradouro? Não e nem pode ser!
O maior problema do estado mínimo é que ele invariavelmente acaba por gerar o pior dos monstros: um estado poderoso e totalitário.
A pergunta que dá título a esta postagem não apenas pode ser explicada em bases teóricas como também pode ser comprovada de forma empírica.
Comecemos pelo melhor e mais nítido exemplo de todos: os EUA. Como assim, os Estados Unidos são totalitários? Vamos aos fatos: O experimental modelo americano de estado no século XVIII, ou seja, a Revolução Americana e o conseqüente estabelecimento de uma República Constitucional soberana e independente foram idealizados com a clara intenção de criar e manter o menor governo da história humana até então.
Esse era o objetivo dos “Pais Fundadores” dos Estados Unidos: George Washington, John Adams, Thomas Jefferson, James Madison, Alexander Hamilton, Benjamin Franklin e John Jay, esses senhores, sob as influências pós-iluministas e com as idéias de estado mínimo pregadas por Adam Smith, tinham como objetivo específico, criar o menor governo da história. E foi esse objetivo que fez com que construíssem um modelo de estado até então, sem precedentes no Ocidente.
Até ai tudo bem.  Agora, suponha você, leitor, que eu te diga que descobri a cura do câncer, e que basta tomar esse remédio que eu criei e você estará imune à qualquer tipo de tumor cancerígeno.  Se todo mundo tomar do meu remédio e o resultado for um aumento assustador do número de pessoas com câncer, especificamente infligida sobre aqueles que tomaram meu remédio, então, nesse cenário, poderíamos dizer com certeza que meu remédio não apenas não está funcionando, mas está fazendo justamente o oposto: está infectando pessoas ao invés de curá-las. 
Podemos chegar a uma conclusão bem lógica sobre o meu experimento.  Meu remédio não produz a cura; ao contrário, ele produz a doença!
Agora vamos analisar qual foi o resultado do experimento governamental americano, com estados praticamente autônomos e com um governo federal mínimo.
Não há a menor dúvida de que o sistema de estado mínimo foi adotado pelos americanos: Não havia impostos de renda, o governo federal era minúsculo, não havia impostos estaduais (apenas uma ou duas tarifas sobre bens de consumo), não havia um exército permanente, o governo não controlava a oferta monetária e não havia dívida interna. Havia uma Constituição que era tida como a lei suprema e havia um congresso cuja única função era garantir que essa Constituição não fosse desrespeitada (percebe ai o cuidado em se ter a mínima interferência do Estado no cotidiano do cidadão americano?)
Sem dúvida alguma era um sistema excepcionalmente bem concebido. 
Repito: o experimento americano foi elaborado especificamente para criar o menor estado possível, sendo que existiam várias ferramentas que possibilitavam manter um controle efetivo sobre o tamanho desse estado.  O objetivo desse experimento era não permitir a existência de um poder central e autoritário, impedindo que ele se crescesse e se tornasse uma “tirania”, como a do Rei George III, de quem esses colonos haviam lutado muito para se libertar e não queriam que a história se repetisse.
Bem, mas afinal, qual foi o resultado disso?
Na tentativa de criar e manter o menor governo possível, o resultado acabou sendo a criação do maior e mais poderoso governo que o mundo jamais viu.
Sugiro que o amigo faça uma pequena pausa para digerir essa constatação, um tanto paradoxal, eu diria, pois é algo complexo e ao mesmo tempo simples de se constatar. O objetivo do experimento americano era criar o menor e mais enxuto governo que o mundo já viu, correto? Correto.
Só que o resultado foi a criação do maior, mais intruso, mais poderoso e mais gigantesco estado que o mundo jamais viu, dotado de armas de destruição em massa, mais de 700 bases militares ao redor do planeta e com a capacidade de exterminar toda a vida da terra. 
Trata-se de um estado tão enorme que faria o Império Romano, no auge do poder dos Césares, parecer uma agência local do Correios.
Mas isso é perfeitamente explicável.  Infelizmente é algo natural e inevitável.  Pois quanto menor é o estado, quanto mais você o restringe, mais produtivo torna-se o mercado.  Quanto mais produtivo é o mercado, mais rápido a economia cresce e mais riqueza ela gera.  E o livre mercado é tão produtivo que ele é capaz de agüentar por muito tempo um enorme crescimento da tributação e um grande agigantamento do poder estatal, até chegar a um ponto em que ele, mercado, inevitavelmente irá ceder. (este é exatamente o momento que os EUA estão vivendo agora).
Portanto, o que acontece é que, quando você minimiza o estado, paradoxalmente você faz com que a lucratividade de se aumentar posteriormente o tamanho desse estado seja muito maior, pois haverá muito mais riqueza para tributar e mais recursos para se controlar, duas das coisas que mais seduzem qualquer estado.
Visto que o estado adquire muito mais dinheiro e poder quando ele tributa uma economia que se desenvolveu e enriqueceu com um livre mercado, ele ganha a capacidade de fazer coisas terríveis, como desenvolver armas de destruição em massa, manter um incomparável estado belicista e assistencialista e comprar grandes seções da população, tornando-as permanentemente dependentes do estado. Percebem a “simplicidade” do paradoxo?
Imagine que você é um fazendeiro e descobre um modo de fazer com que suas vacas produzam dez vezes mais leite que o normal.  Qual seria o resultado?  Você estaria fazendo com que suas vacas passassem a ser muito mais valiosas sob a ótica dos outros fazendeiros, que passariam a fazer de tudo para tê-la.
O raciocínio é o mesmo quando você tem um governo mínimo, cada indivíduo torna-se muito mais produtivo e valioso por causa da escassa interferência governamental.  Qual será a conseqüência?  Esse indivíduo tornar-se-á muito mais atraente para o estado, que sem dúvida irá querer comandá-lo no futuro.
Os menores estados sempre acabarão gerando estados maiores. É impossível que não seja assim.  Não conheço na história um contra-exemplo dessa afirmação e acredito que nem produziremos um exemplo no futuro.
Falemos da Inglaterra, por exemplo:  O estado que surgiu como resultado da cisão entre esse mesmo estado e a Igreja, bem como da derrota da aristocracia no final do século XVIII e início do século XIX, era de longe o menor governo da Europa.  O que ele produziu?  Simples, produziu o Império Britânico! (“o Império onde o sol nunca se punha”).
Os países escandinavos passam por um processo semelhante também.  Estados enxutos até o final da Segunda Guerra, detalhe, da qual eles não participaram o que ajudou a preservar sua riqueza, com uma unidade fundamentada em uma tradição, acabaram gerando estados agigantados que controlam o cidadão do berço até o túmulo. E quanto mais eles vão diluindo essa tradição, mas o “fantasma” do totalitarismo  começa a ameaçar essas sociedades. Concordo que o tempo de prosperidade deles é muito curto para fazermos uma analise mais aprofundada, mas a história nos mostra vários exemplos.
A Irlanda é um caso também interessante de ser analisado:  Um estado falido até o final da década de 80 encolheu e deu lugar a uma economia vibrante.  Resultado disso?  Um inchaço sem precedentes do setor público, um estado assistencialista como nunca visto na história do país, o empreendedorismo foi  reprimido, um déficit gigante e um governo que passou a participar de setores-chave como transportes, mídia (rádio e televisão), e geração e transmissão de eletricidade.  A educação primária, secundária e universitária tornou-se "gratuita", a saúde é "pública" e a previdência é controlada pelo estado.  O orçamento do governo, obviamente, estourou. (faz lembrar algum País que você conhece?)
Como eu escrevi anteriormente, tudo isso não só é previsível como também é inevitável.  Sempre que você minimiza o estado, você aumenta o valor de toda a economia, fazendo com  que o governo tenha condições de aumentar seu tamanho e poder para dimensões ainda maiores do que as atuais. 

Resumindo, se você sonha em diminuir seu estado para algum limite constitucionalmente imposto, e suponhamos que você de fato consiga isso, o que irá acontecer é que todo o processo de agigantamento irá inevitavelmente recomeçar após algum tempo.  Sim, você pode desfrutar alguns anos de liberdade, mas sem dúvida seus descendentes seriam submetidos a um governo ainda mais totalitário do que aquele sob o qual você viveu.

Frase do Dia

"Fürsten, Herrscher und Generäle sind nie spontan liberal. Werden Sie liberal, wenn sie von den Bürgern gezwungen" (Príncipes, governantes e generais nunca são espontaneamente liberais. Tornam-se liberais quando forçados pelos cidadãos)

Ludwig von Mises

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Perguntar será que ofende?

O que me dizem os amigos defensores do Lula, do mesmo ser testemunha de Defesa do Eduardo Cunha???

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Frase do Dia

"Forse era troppo bello questo team di invecchiare. Forse il destino ha voluto portarlo al culmine della sua bellezza"  ("Talvez fosse maravilhosa demais essa equipe para envelhecer. Talvez o destino quisesse levá-la no ápice de sua beleza")

Jornalista Carlos "Carlin" Bergoglio, se referindo ao acidente que vitimou a delegação do Torino em 1949. Essa frase serve para a terrível tragédia que se abateu sobre a Chapecoense!!!

A dor do futebol, de uma cidade, de um País...do mundo!

Fui acordado às 6:30 da manhã de hoje com a notícia da tragédia envolvendo o avião que levava a equipe da Chapecoense Medellin, na Colombia, onde disputaria a primeira partida da final da Copa Sul Americana. 

Após assistir e ler todas as desencontradas notícias, não consegui produzir um texto que pudesse externar o que senti e ainda estou sentindo pela estúpida perda que tivemos essa madrugada. Encontrei em um texto do excelente cronista Mauro Beting, a síntese do que representou essa tragédia para todos nós, em função disso, resolvi reproduzi o texto aqui no Blog:

"Se Danilo não defende com os pés aquela última bola do time do papa Francisco, amanhã teria Atlético Nacional X San Lorenzo, em Medellín. Maravilhosa defesa e sensacional narração do Deva Pascovicci, no Fox Sports. Só vi pela Fox o lance ontem, segunda, fim de tarde, quando vi que o tuíte a respeito dela era tweet10 do próprio Twitter. Com a entrevista do Danilo ouvindo a narração emocionante do Deva (meu amigo e colega desde Sportv-96) na conversa com Victorino Chermont (meu amigo e colega desde Band-99, Record e Fox). Na hora peguei meu celular pra mandar abraços pro Deva e parabenizar pela narração com ''o espírito de Condá''. 

Mas tocou o celular. E eu esqueci de mandar a mensagem pelo WhatsApp. Era Mara, mulher do Mario Sérgio, meu amigo e colega de Band, Bandsports e Fox. Pai do Felipe, colega de clube do meu Luca. Meu ídolo de Palmeiras 84-85. Meu craque desde o Vitória, em 72.

Mara estava preocupada com a logística da viagem para a Colômbia. Voo cancelado, depois voo fretado da Bolívia para a Colômbia, volta incerta e não sabida. Falamos do Felipe. Dos outros filhos do Mario. Dos meus filhos. De como é complicada essa vida correndo atrás da bola pelo mundo. Mesmo papo que Deva teve comigo na última transmissão que fiz no Rio, pelo Fox Sports, antes de trocar de canal. Ele estava ainda com a vida entre dois Rios. De Janeiro e Preto. Mezzo carioca, mezzo caipira de São José do Rio Preto.
Coisas da profissão que abraçamos. Mas nada pode ser trocado pelo abraço de quem nos toca.

Eu estava vendo o #tweet10 do Twitter porque o meu comentário na Jovem Pan na manhã de ontem havia sido escolhido para ser o do dia. Aquele em que falo em que há exatos 4 anos eu não chorei quando dei a notícia mais exclusiva da minha vida: quando anunciei na Rádio Bandeirantes que meu pai havia morrido, ele que estava havia quatro dias em estado irreversível. Eu estava preparado. E li numa boa os quase sete minutos de texto que preparara para meu blog. Não para ler no ar e dar a notícia ao vivo da morte do meu pai. Meu maior ''furo'' em 29 anos de carreira foi dar a notícia para milhares que não consegui dar ou ter coragem de dizer aos meus dois filhos. Eles souberam pelo Twitter. 

O meu #tweet10 era por isso. E por eu ter falado que, no domingo, no Allianz Parque, 20 minutos depois de Jailson ser substituído por Fernando Prass, eu pela primeira vez em 26 anos de rádio havia chorado. Por relatar a emoção que eu e milhares tivemos pela simbologia da troca. De dois ídolos que nasceram nesses últimos quatro anos. Dois caras de carisma e caráter. Um Prass que eu soube que vinha ao Palmeiras no momento em que o meu pai saía do velório ao crematório. Foi a notícia que o presidente Tirone me deu até para me confortar naquele manhã de quinta de 2012.
Foi o que falei na Pan. Chorei por uma troca, não pela morte do meu pai. Como explicar? E olha que a troca era esperada. Mas ainda assim chorei. Sentimento não se explica. Não se mede. Não se justifica. Muito menos se cobra. Apenas se sente. E não tem como dizer nada para Chapecó e a Chapecoense. Os melhores dias da vida do clube. A torcida de quase todo o país pela Chape. Time que em 2011 estava sem divisão nacional. Clube que em 2016 era paixão do país pela comovente campanha na Sul-Americana. A Chapecoense não era Brasil. O mundo é Chapecoense.
Campanha espetacular que levou Deva, Mario Sérgio, Victorino, PJ Clement, Jumelo e colegas de ofício e companheiros de futebol para Medellín. Cobertura que talvez eu fizesse se eu ainda estivesse trabalhando no Fox Sports. Casa que me deu tudo por três anos. Casa que agora tudo tem feito mais uma vez pelas famílias. Torcemos e vivemos juntos. 

Talvez eu não fosse escalado pela chefia para a transmissão. Talvez eu não fosse o escolhido. Como acabaram sendo os amigos que foram. E não voltarão para casa. 
Desculpa falar de algo pessoal. Mas sentimento é assim. Individual. Único. Ainda que choque todo mundo. E todo o mundo. E choca lembrar amigos queridos que partiram. Atletas que respeito. Famílias despedaçadas. 
Choca lembrar que torci muito por eles em toda a Sul-Americana. Que torci por eles até por ser mesquinho como gente. Queria também a Chape indo longe para chegar desgastada e focada em outro torneio no Allianz Parque. E ainda assim chegou bravamente. E saiu ainda maior ao final do jogo de campeões, no domingo. Do Verdão do Oeste contra o Verdão paulista. 

Relata Alex Ferreira de Castro pelas redes sociais: quando o ônibus da Chapecoense deixou o estádio do Palmeiras, a torcida que cantava e vibrava pelo enea começou a aplaudir a campanha da Chape. O elenco. A força. A luta. E dentro do ônibus eles começaram a aplaudir o aplauso dos torcedores rivais. 
Como deveria ser sempre. Mas não é. Aqui se mata porque alguém torce por outra cor. Aqui se mata por alguém distorcer por outra cor. Lá se morreu defendendo as cores do esporte e da vida. 
Eu queria escrever para as famílias, amigos e colegas de todos. Para toda Chapecó. Para a Chapecoense. 
Mas sou pequeno demais. Penso nos meus amigos. Penso que talvez eu pudesse ter estado nesse voo. Penso que se não vou pro Esporte Interativo eu talvez tivesse partido. Penso em mim e nos meus. E penso que não sabemos mesmo porra alguma na vida. 
Vamos mandar a mensagem que não mandei pro Deva. Vamos devolver o livro que há anos o Victorino me emprestou. Vamos fazer o projeto de internet que o Deva me convidou. Vamos dividir a camisa que às vezes eu roubava do PJ. Vamos tirar sarro do Jumelo que tanto me corneta pelo Palmeiras meu e o Corinthians dele. Vamos ligar pro Caio Júnior e parabenizar pela campanha. Vamos dar outros parabéns para o Danilo pelo assessor Diego. Vamos abraçar o Giovani Martinello. Vamos zoar o Mario Sergio por tanta coisa. Vamos aprender ainda mais de futebol com ele. Vamos ligar pro Felipe e pra Mara. 
Vamos aplaudir a Chapecoense. Vamos entrar de sócio-torcedor para dar apoio material. Vamos, clubes do Brasil, remontar o elenco da Chape. Vamos dar o título da Sul-Americana. Vamos criar a blindagem da equipe por três anos na Série A. Vamos ser coirmãos de coração. No amor e na dor.
Unidos por Chapecó. Terra do índio que defendeu seu povo e suas terras. Condá. Vitorino Condá. Como Victorino Chermont. Como tantos queridos guerreiros que partiram fazendo o que amam. 
O pé de Danilo no fim de uma partida deu a maior alegria e a maior tristeza de Chapecó. Vamos dar uma mão e o coração a todos que partiram".