sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pensamento do dia...

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete"

Aristóteles

Gramsci e a esquerda democrática

Durante seu período de cárcere, Antonio Gramsci estava muito impressionado com a violência das guerras que o governo revolucionário russo teve para submeter  a sua sociedade ao comunismo, pois a sociedade russa, apegada que era  aos valores e práticas de uma velha cultura.  A resistência de um povo extremamente religioso e conservador a um regime que se afirmava destinado a lhe trazer o “paraíso terrestre”, colocou em risco a estabilidade do governo soviético durante mais de uma década, ameaçava acabar com a possibilidade de que o sonho de uma nação comunista pudesse se tornar realidade na antiga União Soviética.

Percebendo esse problema e com o tempo necessário para pensar sobre ela, Gramsci concebeu uma dessas ideias fantásticas, que, de acordo com Olavo de Carvalho, "só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas": 

Mas qual ideia seria essa? Muito simples, começar a "adestrar" o povo para o socialismo antes de fazer a revolução!!! Fazer com que todos pensem, sintam e ajam como membros de um estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista.

 Assim, quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade, como parte de sua cultura, sem a necessidade do emprego de força para que isso aconteça, a estratégia de Gramsci era quase que uma inversão da ótica leninista, na qual uma vanguarda organizada e armada tomava o poder pela força, autonomeando-se representante do proletariado e somente depois tratando de persuadir os apatetados proletários de que eles, sem ter disto a menor suspeita, haviam sido os autores da revolução. 

Aqui novamente cito uma frase que se encaixa perfeitamente com a situação que quero colocar, que é outra frase de Olavo de Carvalho: "A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro". Entendeu? Não? Simples, em vez de utilizar da truculência revolucionária, Gramsci buscava conquistar as massas de uma maneira bem mais suave e profunda e para poder realizar isso, Gramsci estabeleceu uma distinção, das mais importantes, entre "poder" (ou, como ele prefere chamá-lo, "controle") e "hegemonia". 

O "poder" ou o "controle" é o domínio sobre o aparelho de Estado, sobre a administração, o exército e a polícia. 

A hegemonia é o domínio psicológico sobre a sociedade. 

Lenin buscou tomar o poder, para assim conquistar a hegemonia, Gramsci, busca justamente fazer o inverso, conquistar a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, sem alardes e utilizando as chamadas "vias democráticas". 

Eu não preciso ser um gênio para dizer que o poder, fundado numa hegemonia prévia, é poder absoluto e incontestável: domina ao mesmo tempo pela força bruta e pelo consentimento popular. isso é possível, muito em função de uma extensa campanha de repetição de conceitos e de "verdades", construindo gerações de "autômatos mentais", que não se permitem a esses cidadãos, a capacidade de ter pensamento próprio e fugir da máxima que é colocada por quem detêm o poder.

Um governo revolucionário aos moldes do leninismo busca a repressão, através da violência as idéias que sejam diferentes das suas.

E ai vem a grande inteligência de Gramsci, pela sua estratégia, se espera chegar ao poder quando já não houver mais idéias que sejam diferentes no repertório mental da sociedade,é importante lembrar que Gramsci era um fã de carteirinha de Maquiavel e usou as idéias de seu conterrâneo de acordo com os seus interesses e sua realidade, em vez de um líder revolucionário (ou um "condotierre" como escreveu Maquiavel, que para chegar ao poder, utiliza de todos os meios e sempre com a aparência de um salvador da pátria), Gramsci prega a utilização de uma entidade coletiva, o que ele chamou de "vanguarda revolucionária".

Com isso, Gramsci faz com que o partido (vanguarda revolucionária) seja uma espécie de "Príncipe" maquiavélico, com um detalhe importante, o "condottiere" da Renascença não tinha apoio senão de si, e tinha de suportar sozinho os conflitos entre consciência moral e ambição política, encontrando no patriotismo uma solução de compromisso. 

Já na "vanguarda revolucionária", a produção de controle da consciência das massas é trabalho da equipe, e nas fileiras de militantes há sempre uma imensa reserva de talentos teóricos que podem ser convocados para produzir justificações do que quer que seja (na esquerda brasileira isso ficou muito claro nos partidos que se diziam apenas socialistas e que respeitavam as regras democráticas) e isso funcionou muito bem desde que o pensamento gramsciniano começou a ser estudado e praticado pela esquerda brasileira, durante anos foi colocado no imaginário político brasileiro, que somente a esquerda buscava o chamado "bem comum" e que aqueles que defendiam idéias diferentes eram "Fascistas", "Nazistas" ou corruptos (minha geração cresceu com a ideia de que a direita era formada somente por militares e por políticos corruptos como Paulo Maluf);

Por isso não acredito nesse discurso de que não existe mais direita e esquerda, de que existe um grupo de esquerda democrática, que pensa somente em chegar ao poder através das vias democráticas, o pensamento esquerdista se baseia, dentre outras coisas, em uma intervenção do estado nos diversos segmentos da sociedade e não somente na economia (esse foi um erro terrível dos liberais que pensavam que, não deixando a esquerda controlar a economia, estariam preservando o capitalismo), mas na cultura, na imprensa, no comportamento, dentre outras coisas, muito cuidado com isso.


O começo do fim...

Eu, na qualidade de observador da atual conjuntura política, começo a visualizar o começo do fim da atual conexão de forças políticas hegemônicas que governam o Brasil há 12 anos, a aliança entre PT e PMDB começa a dar sinais de que seus dias chegam ao fim, o gesto político do acuado presidente da câmara Eduardo Cunha em romper, de acordo com nota do partido, de forma pessoal com a presidente Dilma, é o primeiro passo de uma série de outros que virão e que decretarão o fim da "sagrada aliança" governista.

Ao tomar a postura que tomou, em função das denuncias que vazaram da operação "Lava a Jato", Eduardo Cunha explicitou um descontentamento que existe dentro de uma grande parcela do PMDB e que, em função de várias costuras e pendências até regionais, impede que o partido saia de vez da base do governo (esse descontentamento está cada vez mais visível) e não duvidem os amigos leitores que Cunha não tem armas potentes para incomodar, e muito, o governo, vide as 3 CPIs que já foram autorizadas pelo presidente da câmara e que serão instauradas na volta do recesso parlamentar em agosto (dentre essas CPIs estão a CPI do BNDES e dos Fundos de Pensão das estatais, CPIs essas que vão causar um estrago enorme na já desgastada imagem do governo Dilma).

Esse é um dos pontos que Cunha vai utilizar, além das diversas votações que podem incomodar o governo federal, que já mostrou ter, cada vez menos, força política no congresso, a reação do Planalto foi previsível demais, o vice líder do governo na câmara pediu o afastamento do presidente da casa até que as denuncias contra ele sejam apuradas pela justiça, essa manobra do governo soa como piada, partindo do principio que Cunha controla as forças e as condições de administração da Casa e que já mostrou que sabe usar isso muito bem, até agora, os passos de Cunha (gostem ou não os seus adversários) estão se mostrando bem superiores aos do governo Dilma.

Antes que os esquerdistas fundamentalistas queiram o meu escalpo, quero dizer que Eduardo Cunha representa um setor da extrema direita da qual eu não tenho nenhum apreço, essa extrema direita é tão intervencionista quanto a esquerda e portanto não são dignas de nenhum tipo de defesa da minha parte, quero, como todo cidadão de bem desse país que todos aqueles que tiveram algum tipo de participação em corrupção, sejam investigados e, se comprovadas as denúncias, que sejam severamente punidos (punição para mim, maior que cadeia, é a perda dos direitos políticos e devolução do valor roubado), mas não consigo deixar de ver que os dias para esse governo estão contados e cabe à sociedade, sacramentar isso de uma vez por todas.

Tudo isso acontecendo e eu me pergunto: Onde está a oposição???

O Império contra ataca

O título dessa postagem nos remete ao segundo filme da saga "Guerra nas Estrelas", de George Lucas, um dos ícones do cinema na minha geração e acredito que esse título vem ao encontro do que vejo acontecer, com mais violência, nas redes sociais e nos acalorados debates que hora são travados em função da grave crise ética e moral a qual vivemos hoje no País, me refiro a noticia veiculada ontem sobre a abertura de investigação contra o ex-presidente Lula, que além de ser vexatória para a carreira política de quem sempre apregoou a ética, como também importante para mostrar que a sociedade começa um processo gradual de transformação sócio/político/cultural, que permite que figuras tipo o ex-presidente sejam tratadas como na verdade são, ou seja, gente comum, como todos nós e não pessoas acima do bem e do mal".

Mas é obvio que um fato como esse não despertaria a artilharia daqueles que defendem o petismo e seu líder (sejam eles pagos com dinheiro público ou não) e o que se vê são bombardeios contra a figura do procurador que abriu o processo de investigação, contra aqueles que defendem uma investigação profunda sobre o caso e até aqueles que, como eu e você leitor, apenas observam tudo e como qualquer cidadão, emitem a sua opinião sobre o cenário que se apresenta. 

Venho recebendo ataques tão fortes em minhas redes sociais que não quero nem compartilhar com os amigos leitores porque isso só traria destaque para aqueles desocupados que me agridem (lembrando sempre que, os esquerdistas que se contrapõe ao que eu penso, de maneira civilizada e com argumentos, todos são respondidos com argumentos e respeito da minha parte), me refiro aos "cães de aluguel" do petismo, aqueles "revolucionários digitais" que nunca estudaram uma linha de marxismo/leninismo ou até mesmo, nem leram Emir Sader (bom...ai, eu até fico ao lado deles), esses "cães de aluguel" apenas procuram te intimidar, ameaçando você de coisas que eles nem sabem como fazer, coisa de bandido mesmo, mas como dizia meu pai: Se eu tivesse medo de cara feia, não me olhava no espelho"

O que aconteceu ontem, a abertura das investigações contra Lula, nada mais é do que o primeiro passo para se descobrir algo que desde 2005, pelo menos, já deveria ser de domínio público, qual a verdadeira participação de Lula nos esquemas de corrupção do PT e de seus aliados. Cabe aqui uma observação: muita cosa já poderia ter sido investigada, se a oposição não fosse tão covarde e soubesse ler o desejo da sociedade, foi necessário que a sociedade saísse às ruas para que a oposição se mexesse e olha lá, se mexe mais lenta do que passo de cágado, essa abertura de investigação contra Lula só teve a possibilidade de acontecer, porque a sociedade assim o quer, pressionou e permitiu as condições materiais para que o judiciário e o ministério público tivesse a oportunidade de fazer o seu trabalho e responder para a sociedade o que ela quer saber.

Alguns amigos meus acreditam que essas investigações não darão em nada, que o PT é grande demais para se deixar abater pelo que está acontecendo e, como disse o senador tucano Aloysio Nunes: "A Dilma não é o Collor, o PT não é o PRN", para essas pessoas eu apenas digo o seguinte, a sociedade brasileira também não é mais a mesma, está em transformação, já existe gente ocupando espaços que antes eram somente espaços da esquerda, já se fala abertamente no "Fôro de São Paulo" (outro tabu, que o PT dizia não existir, mas que as atas das reuniões começam a ser mostradas para a sociedade) e outra, o "modus operandi" petista em relação as industrias e empresas foi desastroso,o apetite desse grupo no poder foi algo jamais visto, o que acabou criando um desequilíbrio muito grande  na economia, o País parou, o PIB será negativo, a inflação está de volta. Já existe, entre o empresariado brasileiro o desejo de que Dilma e Lula saiam do jogo.

Minhas observações não se fixam apenas no aspecto "emocional" do processo, falo das observações práticas da realidade do cenário, talvez por isso, eu receba tantos bombardeios dos 'cães de aluguel", tenho certeza de que, mesmo com a inoperância da oposição, o petismo será derrotado (a questão é, s será derrotado em apenas uma batalha ou se será derrotado de vez?), meu maior temor não está nas investigações ou nas ameaças que recebo, meu receio está na postura daqueles que deveriam tomar á frente nesse processo, não vejo nenhuma liderança da oposição tomando assumindo esse papel, parecem não acreditar no que estão vendo, chegam ao absurdo de falar que: "É necessário preservar as instituições" ou "Temos que manter esse governo até 2018, para não assumirmos o ônus do desgaste econômico", ora me comprem um bode, se nada for feito agora, talvez não exista 2018 para o País e muito menos para a oposição ou será que esqueceram 2005???

Quem não perceber o cenário, será derrotado por ele, o momento é tenso, porém, é um momento de transformação da sociedade, das instituições e, até mesmo, de algumas relações promiscuas entre governo e mercado (eu sou defensor claro e aberto da economia de mercado) e se aqueles que querem um país melhor não aproveitarem essa oportunidade de melhorar alguma coisa, ficarão a mercê do contra ataque do Império e digo mas, esse contra ataque será desastroso para todos nós!!!

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Para refletir...

"O preço a pagar pela tua não participação na política é seres governado por que é inferior"

Platão

Era só o que faltava...

Eu custei a acreditar no que li nas redes sociais, pensei: "Não é possível que isso esteja sendo difundido como se fosse algo sério", mas, pasmem, eu estava errado, de fato, alguns esquerdopatas tiveram a insensatez de questionar o gesto de alguns atletas brasileiros que, ao subirem ao pódio nos jogos pan-americanos de Toronto, prestaram continência ao ouvirem o Hino Nacional ou ao hasteamento da Bandeira brasileira.

O absurdo desse argumento é tão grande, que chega a ser inacreditável, mas que serve para que a sociedade comece a desmascarar esse tipo de gente (gente que acredita ser "senhora de toda a verdade', pessoas que querem desinformar a sociedade, tentando hegemonizar apenas as suas idéias) e isso é vem sendo muito utilizado pela esquerda brasileira nos últimos 40 50 anos, desde que alguns setores dessa mesma esquerda, começou a se debruçar nos textos de Antonio Gransci...

Mas vamos nos ater ao fato que gerou essa observação, os atletas em questão, fazem parte de um projeto de parceria que foi iniciado em 2009, entre o Comité Olímpico Brasileiro e o Ministério da Defesa (observem bem: Ministério da Defesa, do governo do PT) para que os atletas de alto rendimento pudessem participar de atividades e treinamentos militares, visando melhorar seu desempenho esportivo, com as técnicas e a disciplina militar, o exercito é a força aérea já participam desse programa e muitos dos atletas, cerca de 130, que estão no Pan de Toronto, são militares da ativa, portanto, sujeitos ao rigores dos compromissos que essa função acarreta.

Fui militar, filho de militar, sei o que significa ter uma disciplina para conseguir se alcançar um objetivo (imagina se você, militar, em meio de uma batalha, vai questionar se as táticas são as melhores ou não e resolve fazer uma assembléia para discutir o assunto??? Morre todo mundo), táticas essas aliás que são as bases de sustentação da estrutura de uma organização comunista ou o amigo leitor acredita que a expressão "Centralismo Democrático" quer dizer o que? Pois bem, como militares que são, os atletas sabem o que significa quando um simbolo nacional está sendo executado (Hino nacional, hasteamento de Bandeira), se deve agir com respeito e "prestar continência" e não "bater continência" como procuram achincalhar com essa demonstração de respeito.

Ainda bem que esse atletas olímpicos brasileiros possuem esse espirito, quisera que os jogadores da seleção brasileira de futebol tivessem esse espirito patriótico, é bem possível que o desempenho brasileiro não fosse vexatório como acabou sendo sendo. O espirito militar é o de vitória, isso é um dos maiores aprendizados que temos durante o tempo de caserna, ser derrotado, faz parte do jogo, mas como se dá essa derrota é o que pode ser questionado.

Mas infelizmente a cultura esquerdopata brasileira proporciona que algumas criaturas, travestidas de jornalistas, escrevam absurdos como esse que foi veiculado no "Pravda Brasileiro" chamado "Carta Capital" (para quem não lembra: Pravda era o jornal estatal da antiga URSS e que significa "Verdade", observem ai a arrogância do termo), chegaram a comparar o gesto dos atletas brasileiros com o gesto dos atletas negros nas Olimpíadas da Cidade do México em 1968, que no pódio, utilizaram o gesto de luta dos "Panteras Negras" (grupo paramilitar que lutava contra o racismo nos EUA) e que acabaram punidos pelo Comitê Olímpico Internacional à época, e, portanto, nossos esquerdopatas de plantão, exigiram a punição dos atletas brasileiros.

Eu vou além, exijo, aos apostatas do intervencionismo estatal, que respeitem o País, parem de aparelha-lo, parem de depreda-lo economicamente, parem de corromper a política e que parem de perpetuar a dependência social e econômica das camadas mais desprotegidas (se é que os referidos apostatas, sabem fazer fazer outra coisa) e que respeitem os atletas nacionais e suas conquistas.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

Concepção de Estado

Recebi de uma grande amigo, através de um grupo de discussão pelo whatsapp, um vídeo onde se coloca uma concepção liberal de Estado, defendendo em aspectos gerais, a tese de um Estado minimo, que exista para servir à sociedade em alguns aspectos que fogem das possibilidades do cidadão prover sua proteção (soberania, segurança pública, defesa civil).. e faz também, uma pequena comparação entre o Estado norte americano e os Estados europeus, com suas diferentes origens e concepções.

O vídeo me chamou a atenção não somente por vir ao encontro de muitas cosas que venho estudando e escrevendo aqui nesse espaço, mas também por expor uma discussão que por muitos anos não fazia parte do cenário político brasileiro, um cenário hegemonicamente esquerdista (o próprio grupo citado anteriormente, tem como origem política, movimentos de esquerda), falar sobre uma concepção de Estado liberal aos moldes americanos era quase que uma "Heresia" para os jovens que discutiam política na minha geração e nas gerações que me antecederam, mas isso será tema de um outro texto.

Voltemos ao vídeo, em um Estado mais enxuto e objetivo, o cidadão aprende a dar mais importância a si e ao seu potencial, não fica esperando que haja uma intervenção do Estado para garantir direitos e oportunidades que cabem a ele (ai teremos uma série de divergências com alguns amigos) conquistar, fruto do desenvolvimento de suas habilidades e da potencialização de seu trabalho. tudo que ele precisa para seu sustento e sustento de sua família, esse pensamento não existe onde se tem um Estado intervencionista, pois nessa condição, o Estado se coloca na condição de provedor de todas as demandas causadas pela necessidade dos indivíduos.

A esquerda internacional sempre utilizou-se do discurso de que o Estado deve "cuidar" dos indivíduos, e, justamente nesse "cuidar" é onde se encontra a forma de governos controlarem as ações políticas, econômicas, culturais, enfim, de controlar todas as relações sociais e com isso conseguem controlar até as liberdades individuais e isso, em minha modesta e humilde opinião, nada mais é do que Ditadura!!! E quando falo em esquerda internacional, não me refiro somente as ditaduras socialistas, falo de todas as formas de esquerdismo, incluindo aquele preceito social democrata de que o Estado deve formular, regular e fiscalizar políticas públicas, meus caros, isso significa que a sociedade vai continuar refém das ações de que controla esse Estado, isso faz com que o Estado se confunda com Governo e isso é um desastre para a democracia (vide os discursos das campanhas eleitorais, tanto no Brasil, quanto em outros países com Estados intervencionistas: "Querem acabar com isso, vão acabar com aquilo...").

Um Estado de fato democrático, o Estado tem muito clara a sua participação e sua importância dentro do cenário social vigente, ora, não cabe ao Estado, por exemplo, ter que me providenciar o que comer, o que vestir, como sendo uma política de Governo (para alguns, até de Estado), eu devo me responsabilizar por isso, cabe a mim e a minha família cuidar para o meu sustento através do meu trabalho (seja trabalho em qual segmento for), deixando claro aqui que, em situações de risco e como uma política de urgência e emergência e não como uma política de continuidade.

Eu sei que ainda existe muito que precisa ser debatido sobre esse assunto, apenas quis expor a minha opinião sobre a discussão que se iniciou hoje pela manhã, meu trabalho como analista social, sei lá se isso existe, é de fazer leituras sobre os fatos e sobre a história da sociedade, gosto de um bom debate e espero que esse texto traga à tona mais opiniões fundamentadas sobre uma concepção de Estado, seja ela qual for.



Frase para reflexão

"A esperança tem duas filhas lindas, a indignação e a coragem; a indignação nos ensina a não aceitar as coisas como estão; a coragem, a mudá-las"

Santo Agostinho

terça-feira, 14 de julho de 2015

O Capitalismo e a Igreja Católica

Em função da última visita do Papa Francisco à América Latina e com os pronunciamentos que sua santidade fez, voltou à tona uma enorme bobagem que há muito tempo, os terríveis "Males" do sistema capitalista e a confusão,  proposital, feita pelo movimento de esquerda, de comparar o capitalista moderno com os antigos senhores feudais, que enriqueciam com o empobrecimento de seus vassalos.

Peça presente em todo o discurso socialista, essa "semelhança" foi uma criação  daquela entidade que, para o guru da esquerda moderna Antonio Gramsci, era a principal inimiga do processo revolucionário: A Santa Madre Igreja.

Mas, vamos analisar os fatos, conforme escreveu Olavo de Carvalho, lá em 1998: Desde o século XVIII, e com freqüência obsessivamente crescente ao longo do século XIX, isto é, em plena Revolução Industrial, os papas não cessam de verberar o liberalismo econômico como um regime fundado no egoísmo de poucos que ganham com a miséria de muitos..."

Porém, para que os ricos consigam enriquecer ainda mais às custas do pobres, é necessário que se tenha um quadro econômico completamente estático, na qual uma quantidade fixa de bens e serviços tem de ser dividida como uma bolha de plástico que, uma vez cheia, não cresce mais.

Foi com base em uma analogia como essa, que no século XIII São. Tomás de Aquino, com muita propriedade, condenou os juros como uma tentativa de ganhar algo em troca de nada.

Numa economia estática como a economia do sistema feudal, ou mais ainda na sociedade escravista clássica (Grécia e Roma), o dinheiro, de fato, não funcionava como força produtiva, mas apenas como um atestado de direito a uma certa quantidade genérica de bens que, se vão para o bolso de uns poucos e, obviamente, saem do bolso de outros muitos. 

Dai podemos concluir que a concentração de dinheiro nas mãos do senhor feudal só servia mesmo para lhe dar meios maiores para ele explorar aqueles que não possuíam a mesma condição de dinheiro, lembrando que, cito aqui economia estática pré-capitalista.

Só que em meados do século XVIII em diante, e sobretudo no século XIX, o mundo europeu já vivia um momento de economia em desenvolvimento bastante acelerado, onde a função do dinheiro tinha mudado radicalmente sem que algum Papa, nesse período, desse o menor sinal de perceber essa mudança. 

Nesse novo cenário, ninguém podia acumular dinheiro embaixo da cama para acariciá-lo de madrugada entre delírios à la "Tio Patinhas", mas tinha de apostá-lo rapidamente no crescimento geral da economia antes que a inflação corroesse todo o poder aquisitivo desse dinheiro.

Em suma, se algum capitalista idiota resolvesse fazer a besteira de investir na pobreza da sociedade, ele estaria apostando em sua própria falência!!! (Detalhe importante para analise).

Voltemos ao querido Tomás de Aquino, que, sempre com uma lucidez divina, conseguiu distinguir a diferença entre o investimento e o empréstimo, dizendo que o lucro só se tornava lícito no primeiro caso, pois isso implicava em uma participação em um negócio, com risco de perda, enquanto o sujeito que emprestava dinheiro, ficava esperando, com toda a segurança, esse tipo de sujeito deveria ter o direito, apenas e tão somente,  à restituição da quantia emprestada, nada a mais do que isso. 

Esse raciocínio de Aquino, na economia do século XIII,  era mais do que óbvio (aquela  coisa que todo mundo enxerga depois que alguém mostra que existe) 

Só que, no cenário da economia capitalista, mesmo o puro empréstimo sem risco aparente já não funcionava como antes e nem mesmo os banqueiros, que viviam essa mudança no seu dia a dia e aliás viviam dela, foram capazes de explicar ao mundo em que é que ela consistia. 

Eles notavam, na prática, que os empréstimos a juros eram úteis e imprescindíveis ao desenvolvimento da economia, que portanto deviam ser alguma coisa de bom, parece obvio, não?

Mas, sem saber como formular teoricamente a diferença entre essa prática e a do senhor feudal só podiam se vê como pessoas que viviam da Usura, condenados portanto pela moral católica, lembram-se do que disse Aquino?

A incapacidade de conciliar a moral católica e a utilidade prática tornou-se um enorme dilema do capitalista, contaminando de dualidade toda a ideologia liberal (até hoje todo argumento em favor do capitalismo soa como "coisa de adulto desiludido", realista e frio contra o idealismo pueril da juventude). 

Marx explicou essa dualidade liberal pelo fato de que o capitalista ficava no escritório, entre números e abstrações, longe das máquinas e do material de trabalho (como se fazer força física ajudasse a solucionar uma contradição lógica, e aliás como se o próprio Karl Marx houvesse um dia carregado algum instrumento de trabalho mais pesado que uma caneta ou um charuto). 

Mais recentemente, Mangabeira Unger, o sujeito esquerdista com maior inteligência que conheço, fez uma crítica arrasadora da ideologia liberal com base na análise do dualismo ético (e cognitivo, como se vê em Kant) que é a gênesis da esquizofrenia contemporânea.

Mas essa polaridade não era nada inerente ao capitalismo enquanto tal, e sim o resultado do conflito entre as exigências da nova economia e uma regra moral cristã criada para um tipo de economia que não existia mais (a coisa é um pouco mais complicada do que o senso comum da esquerda).

Foi ai que surgiu um sujeito que entendeu e teorizou o que estava acontecendo, e foi um sujeito sem qualquer autoridade religiosa ou prestígio na Igreja: o economista austríaco Eugen Böhm-Bawerk. 

Este verdadeiro "gênio" notou que, no quadro do capitalismo em crescimento, a remuneração dos empréstimos não era apenas uma conveniência prática amoral, mas uma exigência moral legítima!!!

Quando empresta dinheiro, o banqueiro simplesmente trocava dinheiro efetivo, equivalente a uma quota de bens na data do empréstimo, por um dinheiro futuro que, numa economia em mudança, podia valer mais ou valer menos na data da restituição. 

Do ponto de vista funcional, já não existia mais, portanto, diferença  entre o empréstimo e o investimento de risco, percebem o detalhe importante???

Daí que a remuneração fosse tão justa no primeiro caso como o era no segundo. Tanto mais justa na medida mesma em que o liberalismo político, banindo a velha penalidade da prisão por dívidas, deixava o banqueiro sem a máxima ferramenta de extorsão dos antigos senhores feudais.

Um discípulo de Böhm-Bawerk, Ludwig von Mises, detalhou com mais clareza essa diferença pela intervenção do fator "tempo" na relação econômica: o sujeito que empresta troca dinheiro atual por dinheiro potencial, e pode fazê-lo justamente porque, tendo acumulado capital, está capacitado a adiar o gasto desse dinheiro, e que o sujeito que recebe o empréstimo necessita gastar imediatamente para tocar em frente o seu negócio ou sua vida pessoal (importante atentar para esse fato).

Von Mises provavelmente foi o economista mais filosófico que já existiu, mas, ainda um pouco carregado por resíduos do pensamento kantiano e nem se deu conta de que estava pensando em termos rigorosamente aristotélico-escolásticos: o direito à remuneração provém de que o banqueiro não troca simplesmente uma riqueza por outra, mas troca riqueza "em ato" por riqueza "em potência", o que seria loucura se o sistema bancário, no seu conjunto, não estivesse apostando no crescimento geral da economia e sim apenas no enriquecimento da classe dos banqueiros. 

Quando determinadas medidas econômicas são utilizadas para, digamos, resguardar o sistema financeiro, a ótica esquerdista nos induz a pensar que é um protecionismo ao banqueiro em detrimento aos interesses da sociedade, quando na verdade, acontece justamente o contrário, se bancos começam a "quebrar", levam com eles toda a estrutura econômica da sociedade.

A concentração do capital para financiar operações bancárias não é portanto um malefício que só pode produzir algo de bom se for submetido as tais "finalidades sociais" (e em nome delas com interferência direta do estado), mas é, em si e por si, finalidade socialmente útil e moralmente legítima. 

Com toda a humildade que posso ter, se Tomás, de Aquino lesse esse argumento, não teria ao que se opor e com toda a certeza teria nessa argumentação, um bom motivo para a reintegração plena e sem reservas do capitalismo moderno na moral católica. 

O problema é que Aquino já estava debatendo com o Todo Poderoso e, no Vaticano, não apareceu ninguém que pareça de ter lido Böhm-Bawerk ou Von Mises, não somente no final do século XIX, como até os dias de hoje. 

Por este motivo, a contradição grosseira das doutrinas sociais da Igreja, que, celebrando da boca para fora a livre iniciativa em matéria econômica, continuam a condenar o capitalismo liberal como um regime baseado no individualismo egoísta, coisa de opressor e terminam por favorecer o socialismo, que por sua vez agradece essa colaboração instituindo, tão logo chega ao poder, a perseguição e a matança de cristãos!!! (peço aos amigos de esquerda que antes de me chamarem de Fascista, estudem um pouco de História, tá tudo lá).

Volto aqui a usar um termo "batido", mas muito atual "Não se pode servir a dois senhores"

O que Leonardo Boff chamou de "o Reino de Deus na Terra", referindo-se a Ilha de Fidel, nada mais é do que uma contradição muito maior do que a que se apregoa sobre o capitalismo moderno ser "anti cristão"

Nesse raciocinio também, que o capitalista financeiro (e mesmo, por contaminação ou osmose, o industrial), se ainda tinha algo de cristão, continuasse a padecer de uma falsa consciência culpada da qual só podia encontrar alívio mediante a adesão à artificiosa ideologia protestante da "ascese mundana" (juntar dinheiro para ir para o céu).

Coisa que, convenhamos, fica dificl de ser levada a sério, assim como, o hábito de fazer generosas doações em dinheiro aos demagogos socialistas, que embora sejam ateus, sabem se utilizar eficazmente da moral católica como instrumento de chantagem psicológica, e ainda são ajudados nisto, pasmem, pelos textos de várias encíclicas papais.

Uma das causas que produziram esse erro católico na avaliação do capitalismo do século XIX foi uma consequência da Revolução Francesa (não por acaso, escrevo esse texto em 14 de Julho), onde foram saqueados e vendidos os bens da Igreja e que acabaram enriquecendo sujeitos que não tinham nenhuma moral e que acabaram produzindo aquilo que Balzac irá chamar em sua obra de "capitalismo selvagem".

O fato disso tudo ter ocorrido na França, marcou profundamente a visão católica do capitalismo moderno como sinônimo de egoismo anticristão, uma enorme bobagem, diga-se de passagem, pois não se pode estabelecer um saque revolucionário como sendo a prática predominante do capitalismo, se assim fosse, a França teria evoluído para o Liberal-Capitalismo e não para o regime de intervenção estatal que paralisa a economia (como acontece em terras tupiniquins) e que a deixou léguas atrás de Inglaterra e Estados Unidos na corrida para a modernidade e para o desenvolvimento econômico.

Todo governo que interfere na economia, que controla a maioria das empresas, que cria uma máquina burocrática arcaica e ineficaz, pode ser chamado de tudo, menos de um governo liberal-capitalista.

O tal capitalismo selvagem ocorre sempre quando existe uma intervenção direta do estado na economia e não no regime liberal (coisa essa, aliás, mais que visível no sistema cartorário, existente no Brasil), cabe, portanto, a todo aquele que defende uma economia liberal, onde o estado não seja o "Pai protetor", e ir de encontro a essa falácia esquerdista que a Igreja tem que ser "socialista", o crucifixo entregue por Evo Morales ao Papa Francisco chega a ser uma afronta à todos aqueles católicos que morreram nas mãos da ditaduras comunistas ao longo da História.





segunda-feira, 13 de julho de 2015

O PT vai para a oposição!!!

Um grupo de petistas que faz oposição à corrente majoritária do partido lançou um manifesto pedindo um encontro nacional extraordinário para discutir temas que o congresso da legenda não decidiu e que não agradou essas lideranças do partido, que acreditam que o PT deve voltar às suas "origens".
A  tal "Carta de Porto Alegre", uma resposta à "Carta de Salvador" que foi divulgada pela tendência majoritária do partido, a "Construindo um Novo Brasil" (CNB) na véspera do congresso que foi realizado em junho, na bela capital dos baianos...

A "Carta de Porto Alegre" faz duras críticas à política econômica do governo e foi aprovada e publicada pelo PT do Rio Grande do Sul, que vai agora articular apoio em outros Estados para a convocação de um novo Encontro Nacional ainda em 2015, pois os gaúchos petistas acreditam que se o PT não mudar os rumos de sua gestão econômica no governo Dilma, ficará muito difícil a unidade da legenda.

É o PT fazendo aquilo que, com todas as suas proporções devidas, deveria estar sendo articulado pela oposição...

Já disse para alguns amigos: "Quer fazer oposição ao governo Dilma? Vá para a base aliada"