segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Educação Multifocal

Semana passada, eu escrevi sobre a questão da educação como uma doutrina de falência do processo de pensar.Muito em função do processo de educação brasileira ser predominantemente baseada na pedagogia doutrinária de Paulo Freire, que tem sido uma grande “arma” utilizada pela esquerda brasileira como parte importante do processo de hegemonia cultural e educacional nos últimos 40 anos. Pois bem, esse texto gerou uma série de opiniões (favoráveis ou não) sobre a precariedade da educação no País, mas vale mencionar que a educação no mundo todo está num processo de falência gravíssimo.

Como parte da categoria, eu acredito que os professores são os profissionais mais importantes da sociedade, mais importantes do que psiquiatras, juízes de Direito, políticos ou generais. Porque os professores trabalham o solo da inteligência para que as crianças e os adolescentes não sejam tratados por psiquiatras, não cometam crimes e sejam julgados por juízes; que aprendam a escolher melhor os seus representantes e que usem a ferramenta do diálogo e não façam guerra e sejam comandados por generais. Se assim fosse  teríamos mais poetas da vida e não repetidores de informação, jovens sem capacidade crítica de pensar. Mas, se por um lado os professores são os profissionais mais importantes da sociedade, por outro lado a educação está falida porque enfileira os alunos em salas de aula, o que é ótimo para formar soldados para uma guerra, mas péssimo para formar pensadores porque registra o sistema de hierarquia que bloqueia o pensamento, dificulta a expressão das ideias, o debate das opiniões e, consequentemente, gera conflitos como timidez, insegurança e bloqueio da criatividade. 

A educação está falida também porque o sistema educacional nos impõe, como bem diz o psiquiatra Augusto Cury, um sistema de ensino “fast food”, que significa um conhecimento pronto, sem ensinar o básico para a formação do pensar, que é o ato de duvidar, o desafio das perguntas. Não se questiona as informações e os conhecimentos que são abordados em sala de aula. Não se prepara o aluno para utilizar a sua capacidade de pensar para chegar ao mesmo ponto através das mais diversas possibilidades e não apenas que a “verdade” oficial, aquela que é imposta pelo “autoritarismo” da pedagogia contemporânea e seus ideólogos que prezam uma educação “igualitária”, pasteurizada e onde os alunos são privados de um bem preciosíssimo que é a liberdade de pensar por conta própria. Isso tem feito com que os professores, alunos e demais atores do processo educacional estejam estressados, sofrendo daquilo que na Teoria Multifocal chama de “SPA” (Síndrome do Pensamento Acelerado), que consiste em pensar de forma desordenada, sem foco e onde o cansaço se torna visível e tira qualquer estimulo saudável para essas personagens do cenário da educação.

O último lugar que essas pessoas querem estar é a sala de aula, eles são bombardeados por estímulos não saudáveis, como o consumismo, o coitadismo, a dependência de ferramentas digitais e uma ansiedade que nunca se viu na história humana. É necessário que os professores passem por um processo grande de reciclagem nos métodos de ensino aprendizagem, saiam do lugar comum das teorias que já demonstraram ser inadequadas ou ineficazes e busquem novas alternativas, aprendam a criar, construir novas metodologias e práticas pedagógicas. O professor não pode enxergar as ferramentas digitais como “inimigas” do processo de ensino e sim utiliza-las como ferramentas aliadas em suas aulas. Sempre me questionei: Por que os alunos ainda ficam sentados enfileirados como se estivessem em um quartel? Por que não se utiliza a música como aliada na aprendizagem? (não somente como uma disciplina transversal, mas como ferramenta para o fortalecimento do lado cognitivo do aluno), coisas que sei que muitos colegas estão buscando trabalhar, mas que encontram resistências daqueles que ainda entendem que educação é algo elitizado e quando muito, uma benesse do estado.

Ainda não trabalhamos no Brasil, agora voltando para a terrinha, a educação emocional nas nossas escolas da forma como deveríamos trabalhar (nada dessa coisa de “ética”, “valores”, boas maneiras, etc, tudo isso deve ser uma consequência natural do relacionamento saudável), Vejo muitos colegas educadores com resistências em trabalhar o lado emocional de professores, alunos e famílias pois alegam que isso não tem sustentação acadêmica, que é coisa de manual de “auto ajuda”. Ora, a educação passa por um processo de “doença emocional” muito grave, professores estão em seu limite, com um excesso de cobranças, de metas absurdas a serem cumpridas, os alunos estão cada vez mais desinteressados em aprender na escola, preferem as informações que estão disponíveis no mundo virtual. Vamos parar com esse sectarismo da educação brasileira, Paulo Freire está longe de ser Deus, aliás, sua teoria está longe de ser eficaz, é necessário que se rompa com essa visão unifocal da educação, precisamos nos despir de dogmas e preconceitos e partir para enxergar a educação de uma maneira multifocal, de seus diversos ângulos e vertentes.

Eu faço a minha parte, escrevo, trabalho e defendo a visão multifocal em diversas atividades e principalmente na educação, tem alguns anos que me “libertei” da “monogamia do oprimido” e enxergo a educação de uma forma bem mais ampla, bem mais complexa também, mas sempre como uma válvula de libertação do pensar e do agir, sem essa liberdade de pensamento fica impossível se trabalhar uma educação de qualidade.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A Educação enquanto Doutrina


A influencia da psicanalise tem sido cada vez mais forte dentro da educação, essa visão psicanalítica vem sendo tão fortemente usada que até mesmo os pedagogos esquerdistas vêm adotando essa prática, e sabemos nós o quanto a esquerda tem hegemonia na educação, não somente aqui no Brasil, como em boa parte do mundo ocidental. A esquerda entendeu que conseguiria atingir melhor os seus propósitos, mesmo que em longo prazo, poderiam “fazer a cabeça” dos jovens. Essa visão fez com que grupos que desejam subjugar as massas e incutir neles as suas doutrinas, a perceber que era necessário o domínio de qualquer instituição que pudesse levar esse grupo a dominar e controlar a vida intelectual da sociedade, em particular, as escolas, as universidades e vários segmentos da mídia. Dessa forma, a educação passou a ser um instrumento eminentemente político, seja de grupos partidários ou religiosos.

Querem um exemplo bem marcante disso que estou dizendo? Vamos relembrar um pouco sobre o pedagogo brasileiro Paulo Freire, que se tronou famoso pelo seu método de alfabetização, principalmente de adultos, mais precisamente de operários e camponeses, seu trabalho consistia em: “A pedagogia que ele defende tem por fim a conscientização, ou seja, o fundamental não seria a alfabetização e sim a formação de uma consciência das relações sociais” (Esse foi o depoimento de Frei Betto, quando da morte de Paulo Freire, ao jornal “O Globo” de maio de 1997), um dos pontos mais importantes de sua obra mais famosa “A Pedagogia do Oprimido”, evidentemente escrita na ótica marxista, é de que a educação é um ato político o objetivo não está em alfabetizar o aluno e sim, como uma ferramenta de doutrinação do aluno.

Alguns amigos dirão que estou exagerando, não é? Pois bem, alguém lembra que durante as décadas de 60, 70 e até a de 80, não havia quarto de adolescente “pequeno burguês”, que nem eu, ou de um “filhinho de papai”, que não tinha um quadro do infeliz guerrilheiro Che Guevara, ao lado de pôster de ídolos da cultura pop, como Beatles, Michael Jackson ou de um dos grupos de rock, do chamado “Rock Nacional”, e isso não era nada por acaso, e sim induzido pelos nossos professores nas salas de aula pelo país a fora. Aliás, o mais importante nesse contexto de “boas intenções” era a exigência por parte dos “intelectuais” que foram oriundos desse período de suprimir qualquer tipo de censura, sob o manto de que é necessário preservar a “Liberdade de Expressão”, pois bem, a consequência mais imediata desse tipo de atitude foi a publicação em páginas da Internet de técnicas e textos sobre a fabricação de artefatos e bombas e atentados biológicos, o que fomentou ainda mais a expansão de atos terroristas (exagero? Estuda um pouco da história nos últimos 20 ou 30 anos).

Outro exemplo interessante da utilização da educação como ferramenta de doutrinação ideológica ocorreu na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Durante a década de 70, do século passado, foi realizada nessa instituição de orientação católica, a maior perseguição a professores que se opunham ao ideário marxista, o então reitor da época, padre Mac Dowell foi alertado sobre isso, mas, quando tardiamente percebeu a manobra que acontecia em sua instituição, já era tarde demais, sua própria substituição do cargo foi uma exigência dos próprios marxistas que ele demorou a combater. Esse processo foi evoluindo de uma forma muito simples, foi sendo expurgado e perseguido dentro das universidades aqueles professores que não “rezavam” pela cartilha marxista, fazendo com o que esses professores acabassem se tornando minoria, e dai por diante, tudo passou a ser decidida através do “voto democrático”, obedecendo ao desejo da maioria, obviamente, maioria essa que fora construída através de anos de expurgo aos adversários antimarxistas.

Novamente poderão dizer que estou exagerando, que isso não passa de conversa fiada para deturpar a história e manchar a “memória” daqueles que lutaram por uma “Educação pública, gratuita e de qualidade”, pois então, professores oriundos do IME (Instituto Militar de Engenharia), que haviam construído todas as bases do Centro Técnico Cientifico foram demitidos, outros educadores que não estavam alinhados com o marxismo também foram perseguidos e demitidos, caso dos professores Anna Maria Moog e Antônio Paim, do diretor do departamento de psicologia Aroldo Rodrigues e do diretor do departamento de psicologia Arthur Rios, isso somente para citar os casos mais emblemáticos, ah e tem também o caso de dois professores da área de biomédica que tiveram seus nomes citados no livro “Brasil Nunca Mais”, como sendo colaboradores do regime militar e que foram tirados de seus postos.

Este é o grande problema de se utilizar a educação como instrumento de doutrinação política ou ideológica, tira do aluno a oportunidade de formar a sua própria consciência, faz dele um autômato que raciocina pela ótica de ideologia hegemônica (toda vez que alguém for discutir com alguém de esquerda, por exemplo, e utilizar termos como “desconstruir” ou “políticas afirmativas”, esse alguém já começara a discussão com “derrota”, pois usará termos que são oriundos da própria esquerda). Esse aluno deixa de ser um “sujeito pensante” para se tornar um “repetidor de doutrina”.

Portanto, não foi a toa que a Igreja Católica e a Igreja Metodista, implementaram uma enorme rede de escolas. E isso foi muito utilizado não somente pelos regimes totalitários, como os nazistas que criaram a “Juventude Hitlerista” e a URSS, onde o Partido Comunista controlava a educação com “Mão de Ferro”, mas também é utilizado disfarçadamente por todos os grupos que ambicionam chegar ao poder. Os marxistas entenderam isso desde cedo, por isso se infiltraram no corpo docente das escolas e das universidades, para poder ocupar esse espaço e introduzir nele seus conceitos.


O caro leitor já parou para se perguntar o porquê de muitos líderes terroristas terem uma formação superior? De serem oriundos de grandes instituições de ensino? Não podemos esquecer que os líderes de grupos como o “Baden Meinhoff” , o “Tupac Amaru”, o “Sendero Luminoso” vieram de dentro das universidades e foram influenciados por toda uma linha de doutrinação ideológica que fazia desses jovens, verdadeiras “máquinas de guerra” contra o sistema. Eu estou falando sobre situações que aconteceram e que somente agora se começa a tocar nesse assunto, durante muitos anos (e ainda nos dias de hoje) é quase uma “Heresia” questionar alguns preceitos da educação brasileira na sua vertente predominante que é a marxista, por isso a importância de que esse tipo de assunto seja bastante discutido e difundido e cada brasileiro que queira pensar pela sua própria consciência, busque estudar e tirar suas próprias conclusões e não ficar preso aos “dogmas” da educação aparelhada. Como diz a bandeira de Minas Gerais: “Liberdade, ainda que tardia”.

O Sonho

Aproveitando o período de turbulência pelo qual está passando o funcionalismo do Rio Grande do Sul, com uma greve de 3 dias (somente por “coincidência” ser no período da marcha em defesa da Dilma, o “Mortadelão”) em resposta às medidas que o governo estadual vem tomando para buscar sanear as contas públicas, eu lembrei uma frase que me soou, no mínimo, estranha quando a ouvi. Um juiz federal, que também é professor e escritor de livros para concurso público, chamado William Douglas, falou sobre: "sonho de passar em concurso público". 

Foi quando eu me deparei com a seguinte questão, se um grupo de pessoas supõe que ser funcionário público é um “sonho”, um objetivo que para ser atingido é necessário de um investimento financeiro e pessoal que chega a durar anos, é sinal que as coisas vão de mal a pior. Causa muita estranheza para mim que pessoas acreditem que o estreito mundo da burocracia seja o mais elevado nível de reconhecimento social e garantia econômica. São pessoas que olham a sociedade de cima para baixo, sabe-se lá por quê. Todavia, de uma coisa há de se concluir: quando uma parte não muito pequena da sociedade sonha com cargos públicos, tal fato revela a falta de opção, a pobreza econômica e a visão social turva de uma nação.

Mas amigos, é perfeitamente compreensível entender por que uma boa parte estudiosa e universitária da população brasileira procura cargos públicos: “A iniciativa privada paga maus salários e os empregos, em sua maioria, aparentam não serem promissores”. Os salários de cargos públicos, à primeira vista, são atraentes. Porém, pouca gente se pergunta o preço dessa mania e por que muitos empregos privados são tão ruins.

O resultado da equação é relativamente simples: cerca de quase metade da renda nacional está nas mãos do Estado. Essa renda toda, obviamente, não é produzida pelo funcionalismo, que no país, é um verdadeiro exército de gente empregada, estável e cara. No entanto, mesmo que o cidadão comum pague uma carga tributária pesadíssima, eis o que se vê nos serviços públicos em geral: hospitais e escolas públicas caindo aos pedaços, papeladas e mais papeladas para resolver problemas burocráticos que poderiam ser simples e a corrupção, que em certos setores, se torna generalizada. E seus efeitos são sentidos também na iniciativa privada: pouca acumulação de capital e poupança, salários baixos, escassez de bons empregos e empobrecimento geral. E o empresariado brasileiro virando refém de cargas tributaria absurdas e que somente tiram a competitividade e diminuem o salário da iniciativa privada. Além disso, temos uma categoria que para de trabalhar quando quer (greve) e não presta conta para a sociedade do que de fato faz à custa do dinheiro de impostos de todos.

Eu tenho muitos amigos que são funcionários públicos, sou filho de funcionários públicos e minhas considerações jamais são de caráter pessoal, analiso questões práticas e políticas, não deixo de reconhecer que muitos funcionários públicos trabalham e trabalham bastante, mas falo da essência da coisa, falo do que esta por trás de todo esse processo.

Se não bastasse o mercado ser exaurido por conta dessa estrutura estatizante, uma boa parte da sociedade guarda também um forte resquício mercantilista. A empresa privada brasileira pode ser competitiva e muitos brasileiros são grandes empreendedores. Porém, eles enfrentam toda uma estrutura institucional que parece odiá-los e os hostiliza a todo o momento. A mentalidade vigente na política e na economia brasileira não parece gostar de livre concorrência. Empresa privada que se dá bem é aquela que presta salamaleques ao governo e vive numa bizarra espécie de capitalismo sem riscos, dai o surgimento dos cartéis e de escândalos de corrupção que proliferam toda hora nos noticiários brasileiros. Olha o paradoxo, os lucros são privados e os riscos são públicos. É por isso que muita gente foge do ofício de ser empresário. Há toda uma sorte de dores de cabeça para realizar tal atividade: impostos altíssimos, fiscais da receita ou do trabalho corruptos, direitos trabalhistas altos e impagáveis, contas pesadas a pagar, sem contar as dificuldades inúteis para regularizar uma empresa. Até fechar um negócio se torna dispendioso. A despeito de ser o elemento motivador que gera a riqueza econômica do país, o empresário é estigmatizado como uma criatura exploradora e parasita, cuja atividade é uma "concessão" que o Estado oferece, como um mal necessário. As restrições burocráticas ao livre mercado são assombrosas e desestimulantes. Cabe acrescentar outras dificuldades graves: as reservas de mercado nas práticas empresariais, profissões, ofícios. E também privilégios em relação aos empréstimos, subsídios e incentivos fiscais que o Estado proporciona para certos empresários amigos do rei ou no caso atual, da rainha. A concorrência, neste caso, se torna desleal.

Querem outro exemplo disso: Quando o eleitorado vota inspirado no assistencialismo governamental. O retrato dessa anomalia são programas ao estilo da bolsa-família e demais subsídios aos chamados “usuários da assistência. Na mentalidade da maioria dos nossos eleitores, o Estado deve ser como um pai, um coronel, um senhor de engenho, foi caridoso, deu de comer aos “famélicos da terra”. Ou seja, o Estado não é uma figura burocrática e impessoal. Ele tem sentimentos e vontade própria. Sua ação não se faz por conta das leis, para retribuir à sociedade o que recolheu em impostos, mas porque realiza um "favor", uma generosidade, uma boa ação ao povo pobre e oprimido. Assim pensaram os eleitores mais pobres que votaram em peso em Dilma Rousseff para presidente. Na mentalidade deles, o Estado não é uma entidade abstrata, porém uma figura personalizada, na pessoa do senhor Luís Inácio Lula da Silva. O mesmo se aplica ao chamado Prouni, ao subsídio que o governo federal dá aos estudantes pobres para ingressarem nas universidades, onde uma atriz fala com todo o orgulho possível: “Antes, medicina era coisa pra rico”, que nem um lacaio de senzala ou um menino de recados do Brasil colonial, a alegre atriz reproduz um pensamento secular de servilismo arraigado na população brasileira.

Mesmo a psicologia da criatura da propaganda do Prouni reflete um atraso civilizador:  Medicina, assim como funcionalismo público, não é uma atividade profissional como outra qualquer, dentro de uma nação capitalista e democrática. É uma outorga governamental, um status bacharelesco, que a distingue dos seres mortais, tal como os nobres do Antigo Regime. Por mais que o governo jorre dinheiro para universidades de péssima qualidade, inclusive, sendo que a maioria delas tenha as piores notas no ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), o importante não é ter cultura intelectual séria, mas sim distribuir diplomas a granel, inflar as estatísticas governamentais e formar centenas de milhares de bacharéis analfabetos funcionais.

E essa é a lógica do funcionalismo público como um sonho de consumo de quem prefere utilizar a sua capacidade intelectual, não em “Servir ao público”, mas em função de uma “Estabilidade” que vai garantir a tão sonhada tranquilidade para que esse profissional não tenha com o que se preocupar, independente de seu desempenho profissional. E isso cria um problema muito sério, pois, para cada profissional sério, dedicado e competente, existe uma legião de pessoas que se acomodam em suas funções e com não podem ser tocadas e que acabam não sendo avaliadas em suas funções e causando desequilíbrio na gestão do estado. A culpa desse desequilíbrio não é do funcionário público e sim do funcionalismo, ou seja, da forma deturpada com a qual gerações de políticos brasileiros vem alimentando durante séculos nesse País, isso é o que penso e penso também que está na hora de trazer para a discussão política uma reforma profunda no sistema funcional brasileiro, inclusive para proteger os funcionários públicos competentes e que, de fato, tem compromisso com o “servir ao público”, esse é o meu sonho!

domingo, 9 de agosto de 2015

O Poder

Travando debates acalorados com amigos e estudando um pouco o cenário político-econômico do País, resolvi escrever um pouco aqui neste espaço sobre "Poder", uma palavrinha muito ouvida e falada nos últimos tempos aqui no Brasil em particular e ouço muitos falarem aos 4 cantos que o "poder vem do dinheiro", "quem tem dinheiro, tem poder". Mas será que essas afirmações são verdadeiras? De fato, somente ter dinheiro é suficiente para se deter o Poder?

Vamos analisar um pouco o inexpressivo capitalismo tupiniquim, o grande empresário brasileiro tem uma "mentalidade de servidor público", eu explico, ele começa a crescer, ganhar algum dinheiro e resolve que não mais vai querer concorrência, não vai querer correr riscos, busca uma "estabilidade" no mercado que não existe e ai começam a combinar preço, formando ai os chamados "carteis" (onde os preços são previamente estabelecidos e não dando ao consumidor a oportunidade de escolher qual o melhor preço e as vezes serviço que melhor o atenda) e nisso, as suas empresas acabam se "associando" ao Estado, pois esse Estado se torna o único cliente capaz de remunerar os serviços dessas empresas.

E ai o que acontece? Segundo Raymundo Faoro, essas empresas acabam se incorporando ao "estamento burocrático", isso forma um mecanismo de "donos do poder", que transformam a burocracia estatal em um instrumento dos interesses de poucos e deixa de ser uma máquina administrativa e impessoal e que visa apenas os interesses do conjunto da sociedade, como acontece nas democracias normais.

Ai chegamos em uma conclusão interessante, o nosso sistema acaba não sendo nem capitalista e nem socialista e sim, um sistema patrimonialista, como muito bem já expressou o professor Faoro e outros pensadores mais liberais, tais como: Ricardo Velez Rodriguez, Antonio Paim e o embaixador Meira Penna, essa observação é muito importante para não cairmos no discurso fácil da esquerda de dizer que todos os nossos males sociais são provenientes do capitalismo. Mesmo durante a década de 70 do século passado, uma parte da intelectualidade da esquerda sabia que o principal obstáculo para uma possível "Revolução Brasileira" não estava no capitalismo e sim, nesse patrimonialismo que impera nesse país desde a formação da elite empresarial brasileira.

Mas, impregnados que estavam com os estudos da teoria de Antonio Gramsci (da qual eu já escrevi aqui em postagens anteriores) e ansiosos que estavam em tomar o poder, resolveram que era necessário se conquistar a "hegemonia" cultural e partiram para a infiltração nos diversos segmentos da sociedade (jornais, TVs, revistas, meio artístico, universidades, etc), tendo demorado quase 40 anos para conseguirem seu intento. Esse processo culminou com o exito da eleição de Lula para a presidência e por conseguinte, a "demonização" do capitalismo e da direita (incluindo ai a associação da "direita" com a corrupção e o atraso), com isso, houve uma quase que total aparelhamento de toda a máquina estatal, portanto, mesmo sem possuir o dinheiro, esse grupo podia ter o poder de controlar as relações políticas e econômicas.

Note-se que, fora o enriquecimento pessoal de muitos dos dirigentes políticos da esquerda, não foi o dinheiro que trouxe o poder para esse grupo e sim a capacidade de controle da máquina burocrática e dos meios de comunicação, além de possuir uma militância que estava disposta a "morrer" pela causa e pelo projeto de poder (abro esse parenteses para ressaltar que esse aparelhamento e essa construção de militância, foi um processo longo e organizado com paciência e habilidade pelos teóricos da esquerda e também pela inépcia da direita e do empresariado brasileiro em perceber esse movimento), isso é fundamental para que eu possa defender a minha argumentação e recorro também aos aspectos mais recentes da crise da "Lava-Jato", onde se imaginou nesse país que donos das principais empreiteiras estariam presos? E mesmo assim, o grupo político do PT continua no poder, enfraquecido como nunca é verdade, mas ainda no poder.

Venho defendendo a tese de que esse poder esquerdista, com esse formato (ancorado em movimentos sociais, sindicados, movimento estudantil, etc), está fadado ao fim, mesmo que isso não aconteça em função de um contraponto organizado pela direita e sim pelo seu próprio esgotamento e percepção da sociedade que essa não é mais a sua forma de sentir-se representada. Mas engana-se quem acha que isso signifique o "fim hegemônico da esquerda", pelo contrário, isso faz com que essa esquerda busque alternativas para manter seu pensamento hegemônico (isso é bem fácil de perceber, vejam as pautas ligadas à questão de gênero, racial, direitos humanos, inclusão, etc, pautas essas que nunca foram temas consensuais dentro da esquerda, mas que aparecem com uma alternativa para esgotamento do modelo anterior).

Para se chegar a deter o poder, é preciso que se apresente algo para substituir o que está ai, é preciso que se ouça mais o que a maioria (antes silenciosa e hoje batedora de panelas), quem quiser ocupar o espaço que hoje é ocupado pelo PT, tem que apresentar para a sociedade algo que seja melhor do que o que vem sendo apresentado pelo imaginário petista, isso sim é poder, ou busca por ele. É preciso romper com o patrimonialismo (coisa que o PT só fortaleceu nesse seus 12 anos de poder) e colocar gente nos pontos chaves de formação de opinião, colocar pessoas com pensamento contrário ao existente e isso não vai acontecer enquanto o pensamento esquerdista continuar presente nas mídias, nas artes e principalmente nas universidades.

Eu espero que esse pequeno texto sirva como uma inspiração para que melhor pensemos sobre o que de fato é poder, não mais se deixar levar pela ilusão de que apenas o dinheiro trás poder, basta estudarmos a história humana, exemplos não faltam (Julio Cesar era o "mais pobre" do 1º triunvirato romano, Napoleão era um obscuro oficial francês, Hitler era um pintor medíocre, Stalin era um ex-degredado da Sibéria e por ai vai), nenhuma dessas figuras detinha o dinheiro, mas o poder de controlar as massas através da estrutura burocrática do Estado, portanto, você até pode enriquecer na busca pelo poder, mas não acredite que somente isso será o suficiente para que se tenha o verdadeiro Poder, o Poder de controlar corpos e mentes, o verdadeiro Poder.

"Cinco Muito"

O título desta postagem eu tomei "emprestado" do site do www.globoesporte.com e diz respeito ao resultado do GreNal que acabou agora à pouco na Arena do Grêmio e acabou com uma sonora goleada do time gremista sobre o eterno rival colorado e me fez escrever aqui, mesmo correndo o risco de falar sobre um dos assuntos mais apaixonantes aqui do Rio Grande do Sul.

Minha intenção não é de comentar sobre o jogo em si, o resultado e a euforia dos tricolores pelas ruas de Porto Alegre e pelas ruas do Brasil falam por si, minha ideia é fazer uma analogia entre a intempestiva e burra atitude da diretoria do Internacional (demitir o seu treinador 3 dias antes daquele que é o jogo mais importante do time, seja qual for o campeonato), ouvi do presidente do Internacional dizer em rádios e TVs que a atitude "transferiu" para o adversário (Grêmio) toda a responsabilidade d clássico de hoje.

Pois bem, existe uma horrível cultura neste País de que os dirigentes, sejam eles dirigentes do que quer que seja, estão acima de responsabilidades perante aqueles que, como dirigente, são representantes sejam de forma direta ou indireta. A atitude da diretoria do Internacional foi típica deste tipo de situação, o fato de demitir um treinador que, não podemos esquecer, venceu o campeonato regional deste ano e levou o limitado time colorado até as semifinais da Copa Libertadores da América deste ano, recém vencida pelo River Plate, sem explicar nada para os seus representados (torcedores e sócios), a diretoria colorada simplesmente decidiu mexer na estrutura central do time às vésperas da disputa de um clássico tão importante como o GreNal.

Espero que os colorados, depois de esfriarem a cabeça e aguentarem as gozações da segunda feira (que serão muitas), comecem a cobrar de sua diretoria maior transparência, maior respeito e sintonia com o seu sócio e seu torcedor, não se pode mais admitir que um dirigente, seja ele quem for, se coloque acima de qualquer cobrança, de qualquer responsabilidade pelos fracassos assombrosos como o resultado do GreNal de hoje, para o torcedor colorado. e que isso também sirva para todos a nossa sociedade, não é somente no futebol que devemos cobrar ações claras e transparentes dos dirigentes, devemos fazer isso na política, na vida cotidiana, não se admite mais que ninguém, seja quem for, se coloque acima de qualquer cobrança ou responsabilidade, apenas porque alega uma legitimidade" de escolha que não é salvo conduto para se fazer o que bem entender, sem ter que prestar satisfação para seus representados.

Aos gremistas, meus parabéns, comemorem, coloquem para fora sua alegria, mas sempre com responsabilidade e sem exageros. Aos colorados, esfriem a cabeça e aguentem o "Day After" da derrota e cobrem, cobrem mesmo de seus dirigentes a responsabilidade por atos intempestivos, não adianta o presidente do clube Vitório Pfifero vir dizer que "temos que ser homens e assumir a derrota", a questão é planejar e seguir os planejamentos.

Aqueles que não torcem por nenhum dos dois, que fique o alerta para os nossos dirigentes políticos, não adianta somente bravatas, é necessário que se respeite a sociedade e apresentem um planejamento e siga esse planejamento, sem arroubos de "machezas" bem comum em nossos dirigentes.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Pensamento do dia

"Não há lugar para a sabedoria onde não há paciência"

Santo Agostinho


Conservador

Conversando com alguns amigos hoje, fui surpreendido com uma indagação interessante, ao citar um determinado autor. O mesmo recebeu a alcunha de “desprezível” e o motivo dele receber esse “elogio” se deu, dentre outras coisas, pelo fato do referido autor ser um “Conservador”.

Pois bem, isso me motivou a tecer algumas ideias sobre o termo conservador e expor aqui, para os amigos que me acompanham nesse blog.

Obviamente, essas ideias não são regras fechadas ou que devam ser seguidas na prática política de quem quer que seja apenas são pensamentos desse humilde blogueiro.
Na verdade, são apenas alguns critérios de reconhecimento para você, leitor amigo, distinguir, quando ouvir um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um “liberal”, no sentido “brasileiro” do termo hoje em dia (que é uma indecisa mistura dos dois anteriores), como costuma dizer Olavo de Carvalho.
Então vamos lá, direto de uma letra extraída dos versos do hino da “Juventude Hitlerista” que diz assim: “Ninguém é dono do futuro”. “O futuro pertence a nós”, pois bem, isso reflete a essência de um pensamento revolucionário, que consiste em vislumbrar um futuro hipotético, idealizado e que, em ultima instância ele (revolucionário) acredita ser a autoridade de julgamento no presente, mesmo que ele nada saiba sobre esse futuro, não consegue descreve-lo, apenas por meios de louvores genéricos a algo que ele não faz a mínima ideia do que se trata. Pois bem, um conservador fala das experiências passadas, acumuladas no presente (tudo aquilo que já foi devidamente experimentado e trabalhado ao longo da história humana).

Falemos de nossos políticos: Quando Lula dizia: “Não sabemos qual tipo de socialismo queremos”, ele partia de uma premissa equivocada de que o futuro da humanidade estava no socialismo, quando a mesma história humana mostra que na verdade, o socialismo tem um passado cheio de sangue e com milhões de mortos. Lula nos atribuía a possibilidade de que ele e os seus, podem nos levar de volta para esse cenário de terror (Com a ilusão de ser o paraíso terrestre), garantindo que essa experiência será melhor sucedida sem nenhuma garantia, a não ser a palavra de alguém que, confessa nem saber de qual futuro está falando.

Em uma real democracia, cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. E isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as seguintes, com escolhas drásticas cujos efeitos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, e é ai onde reside o pensamento conservador, que nos mostra que ninguém tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências sociais temerárias.

Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o próximo governo não possa reverter, as eleições periódicas (característica de um regime democrático) não faria sentido, se o governo posterior não pudesse alterar aquilo que foi implementado em governos anteriores. A democracia é, em sua essência, incompatível com qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que posa ser essa ordem social em determinado momento da história. Um conservador não consegue aceitar que nenhuma ordem social que já tenha demonstrado ser um conjunto de mortes, fome e miséria humanas. Nos últimos 300 anos não houve nenhum experimento revolucionário que não trouxesse essas consequências, portanto, para um conservador, não é possível enxergar que experimentos futuros possam ser diferentes do que a história já mostrou.

Em virtude disso, a democracia é o oposto da teoria revolucionária, a experiência democrática consiste em um governo que tenham experiências sociais revogáveis e de curto prazo, que possam ser substituídas, caso demonstrem ser ineficazes para a sociedade. A proposta revolucionária é de cunho eminentemente irreversível e de longo prazo e não permite que se questione essa transformação. Se levarmos ao seu conteúdo original, a proposta revolucionária visa não somente a transformação de uma sociedade e sim a transformação de mundo e também da natureza do individuo. Fica impossível discutir de forma democrática com alguém que não respeita nem sequer a natureza do interlocutor, vendo nela apenas a matéria provisória da humanidade futura. Amigos, é burrice acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, nazistas e coisas afins, possam coabitar pacificamente no seio da esfera democrática com facções políticas muito menos ambiciosas, como diz, novamente, Olavo de Carvalho, “Será sempre a convivência do lobo com o cordeiro”.


Portanto, queridos amigos, não podemos deixar de identificar aqueles que verdadeiramente buscam a democracia, durante quase 50 anos, os brasileiros foram impregnados silenciosamente por uma crescente hegemonia do pensamento de esquerda, até para combater esse pensamento, se utiliza da linguagem desse pensamento. É necessário que as novas gerações voltem a estudar, comece a pesquisar as experiências históricas humanas e aprender com elas, esse procedimento está longe de ser “desprezível”, isso é ser democrático, buscar evoluir com experiências reais, devidamente testadas e analisadas pela história e não se deixar levar por aventuras utópicas e sem nenhuma garantia a não ser a fé cega no paraíso na terra, paraíso esse que mata, que não aceita ser questionado, que limita o pensar e principalmente o agir. Ser conservador, amigos, é querer uma sociedade mais democrática onde o pensar pode ser praticado por qualquer um, onde nenhuma entidade ou governo, diga o que você deve fazer e sentir. Se ser conservador é ser “desprezível”, bem, prefiro ser esse tipo de ser desprezível a ser um potencial “assassino social” ou de um populista sem escrúpulos, como muitos de nossos políticos com mandatos públicos, sejam eles de que partido forem..

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Pensamento do dia...

"O ignorante afirma, o sábio duvida, o sensato reflete"

Aristóteles

Gramsci e a esquerda democrática

Durante seu período de cárcere, Antonio Gramsci estava muito impressionado com a violência das guerras que o governo revolucionário russo teve para submeter  a sua sociedade ao comunismo, pois a sociedade russa, apegada que era  aos valores e práticas de uma velha cultura.  A resistência de um povo extremamente religioso e conservador a um regime que se afirmava destinado a lhe trazer o “paraíso terrestre”, colocou em risco a estabilidade do governo soviético durante mais de uma década, ameaçava acabar com a possibilidade de que o sonho de uma nação comunista pudesse se tornar realidade na antiga União Soviética.

Percebendo esse problema e com o tempo necessário para pensar sobre ela, Gramsci concebeu uma dessas ideias fantásticas, que, de acordo com Olavo de Carvalho, "só ocorrem aos homens de ação quando a impossibilidade de agir os compele a meditações profundas": 

Mas qual ideia seria essa? Muito simples, começar a "adestrar" o povo para o socialismo antes de fazer a revolução!!! Fazer com que todos pensem, sintam e ajam como membros de um estado comunista enquanto ainda vivendo num quadro externo capitalista.

 Assim, quando viesse o comunismo, as resistências possíveis já estariam neutralizadas de antemão e todo mundo aceitaria o novo regime com a maior naturalidade, como parte de sua cultura, sem a necessidade do emprego de força para que isso aconteça, a estratégia de Gramsci era quase que uma inversão da ótica leninista, na qual uma vanguarda organizada e armada tomava o poder pela força, autonomeando-se representante do proletariado e somente depois tratando de persuadir os apatetados proletários de que eles, sem ter disto a menor suspeita, haviam sido os autores da revolução. 

Aqui novamente cito uma frase que se encaixa perfeitamente com a situação que quero colocar, que é outra frase de Olavo de Carvalho: "A revolução gramsciana está para a revolução leninista assim como a sedução está para o estupro". Entendeu? Não? Simples, em vez de utilizar da truculência revolucionária, Gramsci buscava conquistar as massas de uma maneira bem mais suave e profunda e para poder realizar isso, Gramsci estabeleceu uma distinção, das mais importantes, entre "poder" (ou, como ele prefere chamá-lo, "controle") e "hegemonia". 

O "poder" ou o "controle" é o domínio sobre o aparelho de Estado, sobre a administração, o exército e a polícia. 

A hegemonia é o domínio psicológico sobre a sociedade. 

Lenin buscou tomar o poder, para assim conquistar a hegemonia, Gramsci, busca justamente fazer o inverso, conquistar a hegemonia para ser levado ao poder suavemente, sem alardes e utilizando as chamadas "vias democráticas". 

Eu não preciso ser um gênio para dizer que o poder, fundado numa hegemonia prévia, é poder absoluto e incontestável: domina ao mesmo tempo pela força bruta e pelo consentimento popular. isso é possível, muito em função de uma extensa campanha de repetição de conceitos e de "verdades", construindo gerações de "autômatos mentais", que não se permitem a esses cidadãos, a capacidade de ter pensamento próprio e fugir da máxima que é colocada por quem detêm o poder.

Um governo revolucionário aos moldes do leninismo busca a repressão, através da violência as idéias que sejam diferentes das suas.

E ai vem a grande inteligência de Gramsci, pela sua estratégia, se espera chegar ao poder quando já não houver mais idéias que sejam diferentes no repertório mental da sociedade,é importante lembrar que Gramsci era um fã de carteirinha de Maquiavel e usou as idéias de seu conterrâneo de acordo com os seus interesses e sua realidade, em vez de um líder revolucionário (ou um "condotierre" como escreveu Maquiavel, que para chegar ao poder, utiliza de todos os meios e sempre com a aparência de um salvador da pátria), Gramsci prega a utilização de uma entidade coletiva, o que ele chamou de "vanguarda revolucionária".

Com isso, Gramsci faz com que o partido (vanguarda revolucionária) seja uma espécie de "Príncipe" maquiavélico, com um detalhe importante, o "condottiere" da Renascença não tinha apoio senão de si, e tinha de suportar sozinho os conflitos entre consciência moral e ambição política, encontrando no patriotismo uma solução de compromisso. 

Já na "vanguarda revolucionária", a produção de controle da consciência das massas é trabalho da equipe, e nas fileiras de militantes há sempre uma imensa reserva de talentos teóricos que podem ser convocados para produzir justificações do que quer que seja (na esquerda brasileira isso ficou muito claro nos partidos que se diziam apenas socialistas e que respeitavam as regras democráticas) e isso funcionou muito bem desde que o pensamento gramsciniano começou a ser estudado e praticado pela esquerda brasileira, durante anos foi colocado no imaginário político brasileiro, que somente a esquerda buscava o chamado "bem comum" e que aqueles que defendiam idéias diferentes eram "Fascistas", "Nazistas" ou corruptos (minha geração cresceu com a ideia de que a direita era formada somente por militares e por políticos corruptos como Paulo Maluf);

Por isso não acredito nesse discurso de que não existe mais direita e esquerda, de que existe um grupo de esquerda democrática, que pensa somente em chegar ao poder através das vias democráticas, o pensamento esquerdista se baseia, dentre outras coisas, em uma intervenção do estado nos diversos segmentos da sociedade e não somente na economia (esse foi um erro terrível dos liberais que pensavam que, não deixando a esquerda controlar a economia, estariam preservando o capitalismo), mas na cultura, na imprensa, no comportamento, dentre outras coisas, muito cuidado com isso.


O começo do fim...

Eu, na qualidade de observador da atual conjuntura política, começo a visualizar o começo do fim da atual conexão de forças políticas hegemônicas que governam o Brasil há 12 anos, a aliança entre PT e PMDB começa a dar sinais de que seus dias chegam ao fim, o gesto político do acuado presidente da câmara Eduardo Cunha em romper, de acordo com nota do partido, de forma pessoal com a presidente Dilma, é o primeiro passo de uma série de outros que virão e que decretarão o fim da "sagrada aliança" governista.

Ao tomar a postura que tomou, em função das denuncias que vazaram da operação "Lava a Jato", Eduardo Cunha explicitou um descontentamento que existe dentro de uma grande parcela do PMDB e que, em função de várias costuras e pendências até regionais, impede que o partido saia de vez da base do governo (esse descontentamento está cada vez mais visível) e não duvidem os amigos leitores que Cunha não tem armas potentes para incomodar, e muito, o governo, vide as 3 CPIs que já foram autorizadas pelo presidente da câmara e que serão instauradas na volta do recesso parlamentar em agosto (dentre essas CPIs estão a CPI do BNDES e dos Fundos de Pensão das estatais, CPIs essas que vão causar um estrago enorme na já desgastada imagem do governo Dilma).

Esse é um dos pontos que Cunha vai utilizar, além das diversas votações que podem incomodar o governo federal, que já mostrou ter, cada vez menos, força política no congresso, a reação do Planalto foi previsível demais, o vice líder do governo na câmara pediu o afastamento do presidente da casa até que as denuncias contra ele sejam apuradas pela justiça, essa manobra do governo soa como piada, partindo do principio que Cunha controla as forças e as condições de administração da Casa e que já mostrou que sabe usar isso muito bem, até agora, os passos de Cunha (gostem ou não os seus adversários) estão se mostrando bem superiores aos do governo Dilma.

Antes que os esquerdistas fundamentalistas queiram o meu escalpo, quero dizer que Eduardo Cunha representa um setor da extrema direita da qual eu não tenho nenhum apreço, essa extrema direita é tão intervencionista quanto a esquerda e portanto não são dignas de nenhum tipo de defesa da minha parte, quero, como todo cidadão de bem desse país que todos aqueles que tiveram algum tipo de participação em corrupção, sejam investigados e, se comprovadas as denúncias, que sejam severamente punidos (punição para mim, maior que cadeia, é a perda dos direitos políticos e devolução do valor roubado), mas não consigo deixar de ver que os dias para esse governo estão contados e cabe à sociedade, sacramentar isso de uma vez por todas.

Tudo isso acontecendo e eu me pergunto: Onde está a oposição???