quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Frase do Dia

"Mai perdere di vista il punto di partenza" (Nunca perca de vista o seu ponto de partida)

Santa Clara de Assis

Quanto mais governo, menos cidadão!

Eu realmente não gosto de reclamar de governo. Acredito que é uma enorme perda de tempo e desgaste fazer isso.  E também acredito que não se trata de uma atitude inteligente. Estou convencido de que é muito mais proveitoso ignorar toda a bagunça e imoralidade e se concentrar em coisas melhores e mais produtivas. Mas não tenho como ficar quieto quando observo alguns disparates que são cometidos por grupos que foram, durante anos, tutelados pelo Estado e que começam a perceber que o pensamento da maioria da população já não aceita mais isso. 
Falo de uma parcela de organizações de sociedade ainda se encontra emocionalmente acorrentada ao Estado, e (a menos que você trabalhe para o governo e tenha um alto salário, ou seja um grande empresário que obtenha subsídios e privilégios protecionistas do governo (em ambos os casos, você se deu bem), creio que é válido demonstrar o quanto é danoso esse relacionamento "promiscuo" com o Estado.
Dessa forma, vou escrever sobre algo que não recordo ter visto em nenhum outro lugar. Começarei pelo "o quê" e avançarei para o "por quê". E dai posso iniciar um debate que, espero, seja bastante reverberado na sociedade. Ao longo desses quase 30 anos de vida política (nossa, como o tempo voa) tenho observado uma situação que se apresenta de formas díspares, mas que vem permeando a vida politica da sociedade brasileira, mas qual é essa situação?
A situação é a seguinte: "Quanto mais o governo está envolvido na vida das pessoas, piores essas pessoas se tornam".
O exemplo mais claro disso, certamente, é o da "classe" (que tal dizer "classes") dependente do assistencialismo estatal, grupo de pessoas cujas vidas dependem quase que inteiramente do dinheiro repassado pelo governo. E que acabam usando esse dinheiro para atacar as próprias ações do Estado (ou defende-las), conforme a sua "comodidade" política e ainda se arvoram a denominar-se "representantes do povo" (mesmo que esse "povo" nem faça idéia dessa "representação"). Como esses "representantes" se mantem através (em sua maioria) de recursos públicos, acaba que, uma grande quantidade de recursos deixam de ser investidos em necessidades bem mais básicas da população.
Em quase todas as cidades, os bairros mais pobres e violentos são aqueles que têm a maior porcentagem de pessoas dependentes do governo. Ah, mas alguns "ideólogos" de boteco certamente vão protestar dizendo que primeiro veio a pobreza e depois, só depois, veio a ajuda do governo.  Isso é uma grande falácia, essa afirmação serve apenas para ofuscar uma verdade muito mais importante: tornar adultos dependentes do governo é algo que, inevitavelmente, degrada a moral, a ética e a autoestima dessas pessoas.
Já que estou falando de minhas observações, acrescento que, sim, já estive em contato próximo com muitos "bolsões de pobreza" e com pessoas permanentemente dependentes do governo durante a minha vida, não estou falando apenas por falar, falo pela quantidade de experiências que venho adquirindo nesses anos todos. Eu já tive amigos que fugiram de atrozes projetos habitacionais implantados pelo governo. Portanto, não estou apenas repetindo e reciclando as opiniões de terceiros, estou falando pelo acumulo de experiências que venho adquirindo durante todos esses anos (não quero em nenhum momento me colocar como "detentor" da verdade, apenas expresso minhas opiniões).
Viver de repasses do governo não é apenas degradante; quando você tenta escapar desse ciclo vicioso é severamente punido. Se você é dependente do assistencialismo e então começa a trabalhar um pouco, seus repasses poderão ser cortados imediatamente. Sendo assim, a não ser que você tenha um emprego realmente bom à vista (e quantas pessoas realmente conseguem, né?), esqueça a possibilidade de abandonar o sistema. Você será "punido" não somente pelo Estado, mas também pelos outros usuários das benesses do sistema.
Esse tipo de vida dependente, destrói a dignidade, a autoestima, a capacidade de ter opinião própria, os bons modos e muito mais. Se você quisesse arruinar um grupo de pessoas, você as tornaria dependentes do assistencialismo, com aumentos contínuos, porém módicos, no valor das bolsas e os as aglomeraria em locais de alta densidade. Foi o que vi acontecer durante toda a minha vida. Mas não é somente com os pobres que isso ocorre.  Existem pessoas da própria classe média que estão agora vivendo de assistencialismo ou encostadas no seguro-desemprego. Estas também estão sendo degradadas.  E isso ocorre em todos os continentes, não somente aqui no Brasil.
Poucos anos atrás, vi em uma grande capital brasileira e era traumatizante ver quantas pessoas totalmente capacitadas não queriam nem saber de trabalhar, que não queriam mais abrir mão do que já usufruíam. Uma gama de benefícios assistencialistas suficientes para sobreviver. Em dos bairros que morei, nesta mesma cidade, existia uma enorme gama da população que não tinha o menor pudor em viver das benesses do assistencialismo do estado e quando essas benesses ameaçaram ser tiradas, o "escândalo" foi geral e barulhento.
E viver do assistencialismo realmente degradou os bons modos dos mus vizinhos de bairro. Você dificilmente acreditaria na quantidade de fezes caninas que emporcalhavam as calçadas (as vezes até mesmo, fezes humanas). Era difícil caminhar sem ter seu sapato "premiado". As pessoas simplesmente não se importavam em recolhê-las. Adicionalmente, assaltos e roubos de bicicletas eram coisas endêmicas.  E tudo isso em um "bairro decente", em uma cidade "de primeiro mundo". A pior coisa para o ser humano é depender de migalhas que o Estado lhes dá, sem sombra de dúvidas, isso é a "morte" moral do individuo.
O ser humano foi criado para sonhar, realizar e prosperar. Quando essas coisas nos são dadas, sem que tenhamos de nos esforçar para obtê-las, é algo que nos apequena enquanto cidadão, enquanto ser humano. Quando vivemos uma vida de dependência, jamais aprendemos a superar as nossas limitações, a sermos melhores. Com efeito, nas culturas que prezam a dependência (como a nossa, por exemplo), tentativas de auto-aperfeiçoamento são vistas com rancor, causam inveja e são punidas e, muitas vezes, de forma violenta. Vide o caso das manifestações contrárias aos cortes de regalias e benefícios que são realizadas no País, escondidas atrás da pecha de que são: "garantias de direitos".
O próprio envolvimento do governo na "educação" é um "crime" contra as escolas: as crianças são forçadas a relacionamentos inescapáveis. E isso vai afetando a formação das crianças, elas começam a desenvolver uma personalidade dependente das ações estatais. Pergunte aos pais que optaram pelo regime de homeschooling (educação escolar em casa); Eles não terão dúvidas em afirmar que maioria dos maus hábitos que seus filhos adotaram são consequência do período que permaneceram em contato com outras crianças em escolas públicas. Um arranjo de integração forçada é simplesmente um péssimo plano para quem deseja saúde e o progresso humano.
Quero terminar dizendo que a maior  conclusão que tirei ao longo desses vários anos de observação e trabalho é que, quanto mais o governo se envolve na vida das pessoas, pior é a conduta que elas adotam e passam a demonstrar abertamente.  A situação é terrível. As pessoas perdem a ambição, a vontade própria, o desejo de se aprimorarem e perdem os bons modos. (sei que não estou sozinho nesta opinião, muitos concordam com ela).
Existem exceções? Obvio que sim e provavelmente há milhares. Ainda bem. Mas, no final, a seguinte afirmação continua sendo, infelizmente, verdadeira:
"O assistencialismo do governo é uma maldição para aqueles que dele dependem. O assistencialismo degrada as pessoas e as tornam piores, e não melhores"
Triste constatação!

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

O que faz (ou deveria fazer) um vereador?

No ano passado (nossa, como o tempo passa), a população brasileira foi chamada para escolher seus representantes municipais (prefeitos e vereadores), foram escolhidos mais de 5 mil prefeitos e outros 57 mil vereadores em todos os municípios do Brasil. Foi um embate duro, mais curto, porém, não menos emocionante e disputado.

Mas, uma pergunta ecoa na minha cabeça e resolvi escrever sobre isso também (aliás, como faço com tudo que me causa algum tipo de inquietação): Será que sabemos qual o papel desses representantes? Afinal, você sabe o faz um vereador? Quais poderes ele possui e quais ele não possui? Vou tentar esclarecer algumas dessas questões e tentar contribuir para uma maior informação aos amigos deste blog. Ao final deste texto, espero que você possa saber exatamente como deve agir um vereador e o que você como cidadão pode esperar e cobrar dele.

Como integrante do Poder legislativo municipal, o vereador tem como função primeira, a de representar os interesses da população perante o poder público. Esse é (ou pelo menos deveria ser) o objetivo final de uma pessoa escolhida como representante do povo, na função de vereador. Mas como um vereador pode representar, na prática, os eleitores? 

Pode-se dizer que a atividade mais importante do dia a dia de um vereador é legislar. O que significa isso? Podemos entender pelo verbo "legislar" todas as ações relacionadas ao tratamento do corpo de leis que regem as ações do poder público e as relações sociais no nosso país e, no caso especifico do vereador, as leis referentes ao município para o qual ele foi eleito e onde é a sua base de atuação.

O Brasil tem como tradição fazer a regulação de assuntos importantes para a vida em sociedade por meio de leis escritas, seguindo princípios que remontam ao chamado "Direito Romano". É por isso que temos uma Constituição grande, com centenas de artigos, parágrafos e alíneas. E não não é só isso: A Constituição serve apenas para guiar as leis “menores”, mais específicas, que dizem respeito a uma grande variedade de assuntos. Ainda existem as constituições estaduais, as leis orgânicas municipais e uma série de outros mecânicos de regulação social.
Dessa forma, podemos citar como ações típicas que estão ao alcance de um vereador criar, extinguir e emendar leis, da maneira que ele julgar que seja mais adequada ao interesse público ou aos interesses de sua agremiação política ou de seu eleitorado.
Certo, já entendemos que o vereador é um agente do poder legislativo municipal e tem a competência para cuidar de leis municipais. 
Essa é a primeira informação importante que eu quero que você esteja atento na hora de escolher o seu candidato: Um vereador não pode prometer nada que seja fora fora da alçada municipal. Ele simplesmente não terá competência para tratar sobre assuntos que digam respeito a mais de um município, ou a um estado inteiro, ou mesmo ao país inteiro. Cuidado com isso, pois vi nesta campanha, muitos candidatos à vereador "prometendo" coisas que não tem nenhuma competência para realizar.
Vou listar aqui algumas atribuições que podem ser de competência de um vereador:
  • Mudança, criação ou extinção de tributos municipais;
  • Criação de bairros, distritos e subdistritos dentro do município;
  • Estabelecer o chamado perímetro urbano (a área do município que é urbanizada);
  • Sugerir nomes de ruas e avenidas;
  • Aprovar os documentos orçamentários do município;
  • Elaborar, deliberar e votar o Plano Diretor municipal;
  • Aprovar o plano municipal de educação;
  • Estabelecer as regras de zoneamento, uso e ocupação do solo;
  • Determinar o tombamento de prédios como patrimônio público, preservando a memória do município
Ainda tem um detalhe importante: fique de olho em quais tipos de propostas são feitas pelo seu vereador. Não adianta um candidato prometer que vai criar leis que obviamente se chocam com as leis dos Estados, da União e da Constituição. Muito provavelmente esse projeto de lei nem será considerado dentro da câmara de vereadores. E muitas dessas leis nem chegam a ser apreciadas em plenário, pois são "barradas" na comissão de constituição e justiça da casa ou em outras instancias. 

Bom, mas as atividades de um vereador não se restringe apenas a tratar de leis municipais, cabe ao vereador o papel de fiscalização das ações e das medidas tomadas pelo prefeito municipal (o que é fundamental para o exercício pleno da democracia e garantia da independência dos poderes). O ato de fiscalizar torna mais equilibradas as ações do poder executivo. Isso é essencial para que o poder do prefeito não se torne tão grande que o deixe acima da lei, como um monarca ou um ditador.
É por isso que a lei prevê expressamente alguns deveres importantes dos vereadores em relação à prefeitura, como:
  • Fiscalizar as contas da prefeitura, de forma a inibir a existência de obras superfaturadas e atrasadas;
  • Fiscalizar e controlar diretamente os atos do Poder Executivo, inclusive da administração indireta (por exemplo, visitar órgãos municipais e fazer questionamentos por escrito ao prefeito, que é obrigado por lei a prestar esclarecimentos em até 30 dias);
  • Criar comissões parlamentares de inquérito;
  • Realizar o chamado controle externo das contas públicas, com ajuda do Tribunal de Contas do Estado ou do Município responsável.
Existem algumas coisas que um vereador, durante a sua campanha, deve ou não fazer (ao menos no que diz respeito aos aspectos legais de seu cargo).
Um candidato a vereador pode prometer coisas como:
  • Fazer mudanças na lei orgânica do município;
  • Propor a criação de novos tributos, a extinção de tributos existentes ou mudanças nos tributos do município que sejam benéficas para a população;
  • Fazer mudanças importantes na lei do município relacionada à Educação.
O que um candidato a vereador não deveria prometer:
Todas as promessas a seguir não estão ao alcance dos vereadores do nosso país. Mesmo assim, elas são feitas corriqueiramente em qualquer eleição municipal. Elas são coisas que o Poder Executivo deve fazer, ou então cabem ao governo estadual. Veja:
  • Terminar a obra de uma rua ou uma escola;
  • Melhorar o serviço de coleta de lixo do município;
  • Implantar escola em tempo integral;
  • Aumentar o número de vagas na rede de educação;
  • Criar centros de arte e cultura;
  • Reforçar o policiamento em certos bairros.
Veja que isso tudo é o que diz a legislação do cargo, mas infelizmente, não é bem isso que acontece. Na hora de concorrer, cada um promete aquilo que o eleitor quer ouvir (por isso que digo que o principal responsável pelo mal político, acaba sendo o eleitor que escolhe seu candidato de forma pessoal e procurando atender aos seus próprios interesses. Alguns podem dizer que este texto deveria ter sido postado durante o período eleitoral, pode ser que tenham razão, mas espero que essas informações sirvam para que cada eleitor passe a fiscalizar o trabalhos dos vereadores de uma forma bem mais atenta e sabendo das reais atribuições que cada vereador possui.


O Brasil e a 4ª Revolução Industrial

Eu já escrevi aqui no blog alguns textos falando sobre a 4ª Revolução Industrial (provocado que fui pela incessante busca de respostas por parte de minha parceira Mauren Mello), abordei aspectos das primeiras revoluções industriais, suas características e uma possibilidade de consequências deste processo no desenvolvimento da humanidade. Assistindo uma matéria no "Fantástico" no último domingo sobre como o Japão vem adotando robôs na área de serviços (restaurantes e hotelaria), resolvi escrever um texto falando  um pouco sobre esse processo aqui no Brasil, como o País está preparado (?) para se inserir nesse processo e as particularidades que este fenômeno humano interfere no cotidiano de nosso País. 
O Brasil se dispôs a construir um sistema de ciência e tecnologia que se caracteriza pela quase excelência, do ponto de vista dos padrões conhecidos nos países em desenvolvimento,  onde o País se encontra no momento, inclusive não ficando a dever, em certas áreas de pesquisa, quase nada aos países desenvolvidos (que possuem muito mais cultura e investimentos do que os Países com as características do nosso País).
A questão é que o desenvolvimento do Brasil não é nada bom no que se refere à transposição das descobertas, inovações e resultados do saber científico para o campo da pesquisa aplicada e no terreno prático de suas derivações tecnológicas e industriais mais imediatas ou seja, o disparate existente entre aquilo que é pesquisado, estudado e descoberto, está longe de ser colocado em prática e fazendo parte do cotidiano da sociedade brasileira.
Essas deficiências resultam de uma insipiente cultura patentária e de um preconceito ainda enorme na academia (graças ao bom Deus, cada vez menos influente) contra aplicações mais práticas da pesquisa científica. É impressionante como alguns acadêmicos tem verdadeiro "pavor" que determinadas pesquisas sejam aplicadas no dia a dia. Mesmo assim, é possível dizer que os resultados já alcançados nessa área, inclusive a partir da “marcha forçada” em direção dos últimos gargalos nos ramos intermediários e de insumos, bem como os investimentos estatais em alguns setores de ponta, oportunamente revertidos ao setor privado, permitem classificar o Brasil como uma economia industrializada e plenamente inserida na terceira revolução industrial. (vejam aqui o atraso em que nos encontramos)
Mas, esse “acabamento” relativamente satisfatório do processo industrializador no Brasil está sendo ameaçado, justamente, pelos novos processos, métodos e materiais inéditos que estão emergindo como resultado da revolução da nanociência e da nanotecnologia aplicadas ao complexo e diversificado setor industrial ou manufatureiro. Como nossa inserção na 3ª Revolução Industrial ainda é recente e não tão solidificada como podemos pensar.
De fato, a nanociência permite, impulsiona e praticamente obriga à geração de conhecimentos avançados, que se revelam convergentes em vários setores da arte e do engenho humanos, em biotecnologia, nos novos materiais, na instrumentação técnica, assim como nas próprias formas de organização social da produção e do trabalho humano. A nanotecnologia, por sua vez, leva, quase que naturalmente, ao surgimento de novos ramos industriais e de novos mercados que, ao configurarem um novo padrão, superior, de produção fabril e manufatureira, não tardarão a se impor, doravante, como a mais nova fronteira da civilização industrial, um paradigma incontornável de concepção, desenho e fabricação de novos produtos e insumos que modificarão, de forma substancial e irremediavelmente, as características da sociedade atual, incluindo ai, aquilo que foi objeto da matéria citada anteriormente no texto.
As tendências que já apontam para uma situação de ruptura tecnológica e de mudança profunda na configuração de procedimentos industriais afetarão a produtividade relativa das indústrias, o jogo das vantagens comparativas entre os países, bem como a própria composição do comércio internacional, condenando os países que não se alinharem aos novos padrões a perdas gradativas de competitividade ou até mesmo à esclerose precoce de parques industriais inteiros. Isso se torna extremamente preocupante para nós, brasileiros, quando observamos nosso comportamento social em relação à essas transformações (nossas leis trabalhistas ultrapassadas, nosso comportamento paternalista em relação ao trabalho e o nosso "capitalismo estatal" (uma aberração econômica, onde os empresários buscam no governo, uma "segurança" para poder tocar seus negócios)
Não é nenhum absurdo em dizer que: o lado científico e o lado prático da nanotecnologia vieram para alterar definitivamente velhos padrões industriais e correntes tradicionais de comércio internacional. Quero deixar uma coisa muito clara aqui: Aqueles países que não se incorporarem ou não se adaptarem ao novo paradigma correm o sério risco de ficarem alijados dessa nova faceta da civilização industrial emergente. E isso pode significar um "abismo" social, econômico e cultural sem precedentes na história humana.
Trata-se, portanto, de uma questão de sobrevivência e de preservação dos níveis de bem-estar. É inadmissível que nada seja feito para evitar que o Brasil se torne um País "obsoleto" em relação a essa nova concepção de sociedade.
Não é a toa que os níveis de investimentos financeiros nessa área, tanto em países desenvolvidos (como EUA, Alemanha e Japão), como em países em desenvolvimento (com destaque para a China, Índia e Coréia do Sul), sejam significativos e crescentes, bem mais do que, por exemplo, é investido no Brasil. As perspectivas são excelentes, com as altas expectativas de mercado para produtos da nanotecnologia: cerca de 1 trilhão de dólares nos próximos 10 a 15 anos, com a possibilidade, segundo estimativas, de que o Brasil ocupe talvez 1% deste faturamento. Vejam a diferença.
Existem, claramente, oportunidades abertas ao Brasil, enquanto economia que possui uma competência identificada (ainda que não de forma inteiramente sistemática) numa área que vai modificar de forma irremediável o padrão de desenvolvimento industrial e tecnológico no futuro próximo. 
Vale mencionar, neste particular, a existência de um grupo de trabalho criado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia em 2003, ao qual foi atribuída a responsabilidade da elaboração de Plano Trienal de Nanociência e Nanotecnologia, e de uma comissão responsável pela Organização da Oficina de Nanociência e Tecnologia, na Unicamp. E é esse o ponto que quero tocar novamente, a interferência direta do governo nesse processo, utilizando de seu viés paternalista e corporativista, o governo tende a diminuir a velocidade desses avanços nanotecnológicos no cotidiano da sociedade, não permitindo que os investimentos de capital privado possa aquecer ainda mais essas descobertas.
A gama de atividades classificadas como nanotecnologia cobre áreas de pesquisa tradicionais como a química e a física, chegando às atividades que envolvem ciências dos materiais, biotecnologia, etc., o que demonstra o caráter altamente abrangente da nanociência e da nanotecnologia (N&N). De fato, uma das particularidades da N&N é que ela requer competências científicas com os mais variados horizontes. A N&N sendo uma área altamente interdisciplinar não permite que se tenha uma idéia exata dos aspectos relacionados a cada uma das disciplinas implicadas. 
Como todas as áreas, ela está baseada em noções fundamentais conhecidas dos cientistas e engenheiros. Aliás, a separação entre nanociência e nanotecnologia não tem nenhum significado na prática: é exatamente por esta razão que na maioria do tempo o termo nanotecnologia acaba por recobrir nanociência. Nos países desenvolvidos, esses profissionais estão ligados à grandes laboratórios de pesquisas privados, onde a interferência estatal é nula, permitindo que a concorrência por novas descobertas acelere o processo (não sou ingênuo, nem hipócrita de afirmar que não haja investimento estatal nesses Países, claro que sim, mas que esse investimento não restringe as descobertas obtidas e nem sua aplicabilidade no cotidiano da sociedade)
Tanto isso é verdade que todos os países inovadores estabeleceram e apoiam ativamente programas de nanotecnologia, com orçamentos crescentes e do mesmo nível que a biotecnologia, tecnologias da informação e meio ambiente. Os programas de nanotecnologia analisados estão vinculados às estratégias nacionais de desenvolvimento econômico e de competitividade e todos têm alvos econômicos definidos. 
O crescimento previsto pelos especialistas para os mercados de produtos nanotecnológicos é muito superior ao crescimento de outros mercados dinâmicos, como o de computadores e telefones celulares. A estimativa é que as aplicações de nanotecnologia e as que estarão atingindo os mercados nos próximos anos são evolucionárias, mais do que revolucionárias, estando concentradas nas áreas de determinação de propriedades de materiais, produção química, manufatura de precisão e computação e isso vai impactar diretamente no comportamento das relações de trabalho e nas relações sociais, existirá mais tempo para alguns e menos trabalho para outros milhões.

Não existe, no momento, nenhuma possibilidade razoavelmente definida para o uso de nanomáquinas capazes de fabricar materiais montando-os átomo por átomo. Apesar delas ocuparem espaço na imaginação de escritores, elas não estão nas cogitações de estrategistas das empresas inovadoras a não ser nas formas de síntese química/bioquímica e auto-organização. No entanto, é muito provável o aparecimento, inevitável, de aplicações revolucionárias da nanotecnologia, a médio e longo prazo. Para que não fiquemos atrás nesse processo que, insisto, é irreversível, é necessário que nossa sociedade passe por um urgente processo de transformação cultural e de relações de trabalho. Enquanto o mundo já está em um outro patamar de relações, o Brasil ainda discute "perda de direitos".

Frase do Dia

"Notre bonheur sera naturellement proportionnée par rapport au bonheur que nous faisons pour les autres" (A nossa felicidade será naturalmente proporcional em relação à felicidade que fizermos para os outros)

Allan Kardec

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Sócrates, um craque!

Vou aproveitar esse espaço para falar um pouco (peço humildemente desculpas aos estudiosos pela ousadia, principalmente ao meu irmão, que conhece muito mais sobre a personagem retratada  do que este ambicioso blogueiro), mas acredito na importância de Sócrates para a sociedade ocidental e como eu sei que por muito tempo nos foi privada a oportunidade de estudarmos os clássicos na academia, resolvi abordar o tema.

Elevado pelo seu discípulo Platão como o responsável por colocar filosofia em uma direção mais ética e politica, Sócrates foi um filósofo de tamanha relevância que a história pensamento humano ocidental, dividindo a filosofia clássica em "pré-socráticos" e "pós-socráticos", pois até mesmo o que sabemos sobre Sócrates, devemos aos escritos de Platão.

A dificuldade em se estudar Sócrates, além da falta de outras referências bibliográficas, reside naquilo que se convencionou chamar de: "Problema Socrático". Como nós sabemos, Sócrates foi o principal personagem nos diálogos de Platão, sendo referido também nos trabalhos de Aristófanes, Xenofonte e Aristóteles. 

Mesmo sem registros históricos que comprovem sua existência física, Sócrates é considerado um personagem histórico genuíno, tendo vivido na Grécia do século IV a.C., porém todas as fontes que citam o nome de Sócrates são textos dramáticos ou filosóficos, não havendo qualquer texto diretamente histórico referindo-se a época em que Sócrates viveu e a sua pessoa, seus hábitos e até mesmo a sua existência.

Ainda, os textos filosóficos possuem contradições entre si, tornando difícil distinguir a posição e pessoa de Sócrates, daquilo que o autor gostaria de representar com seu próprio trabalho, desde questões mais densamente filosóficas até questões mais cotidianas, por exemplo, Platão afirma categoricamente que Sócrates jamais aceitaria dinheiro para ensinar, enquanto Xenofonte, outro discípulo de Sócrates, afirma que o filósofo era pago por este trabalho. 

Mesmo dentro do contexto dos diálogos de Platão, considerados a mais completa fonte de informação sobre Sócrates, existem contradições nas posições atribuídas a Sócrates, geralmente associadas com o desenvolvimento filosófico do próprio Platão. Desta forma, a tradição filosófica atual considera que compreender e clarificar a real posição de Sócrates como filósofo, nas principais questões da disciplina, é aparentemente impossível, sendo o Problema de Sócrates classificado como insolúvel. 

Não obstante, ao compararmos as fontes, algumas conclusões acerca da posição de Sócrates podem ser extraídas e mesmo que não sejam historicamente precisas, ao menos oferecem uma posição consistente para que se possa estudar a importância deste pensador para o desenvolvimento da filosofia ocidental.

É atribuído à Sócrates a criação do chamado "Método Socrático" ma técnica de ensino e investigação, que utiliza uma forma de inquisição dialética. Diferente de debates direcionados a persuadir o opositor, o "Método Socrático" manifesta a oposição de Sócrates a retórica como uma forma de arte que visa agradar os ouvintes e também a oratória, que convence por vias emocionais, não requerendo lógica ou prova. (espero ter descrito de forma simples e correta, o método utilizado pelo grande mestre)

Seu método era o de dividir o problema em questão, a matéria do debate, em questões menores, que em tese poderiam ser respondidas com maior facilidade ou ao menos levariam o interlocutor a olhar o problema por todos os ângulos, entendendo as possibilidades lógicas da questão, eliminando as contradições e, em ultima análise, gradualmente levando ambos a solução do problema em questão. 

Esse é um método negativo de eliminação de hipótese, no qual uma hipótese é levantada, questionada e busca-se demonstrar que ela leva a contradições, caso em que seria inaceitável. Caso não seja possível demonstrar que tal hipótese leva a contradições, a mesma deverá ser considerada um candidato aceitável à posição de verdade. Meio complicado para que alguns leigos possam compreender, mas extremamente eficaz no que diz respeito a sua utilização na prática (sugiro a leitura do julgamento de Sócrates).

Aristóteles disse que Sócrates foi primeiro filósofo a buscar definições universais para as virtudes morais, tendo contribuído para as área da epistemologia, procurando entender a extensão do conhecimento humano; política, em que defendia o filósofo como governante ideal, sendo interpretado por alguns estudiosos como um crítico da democracia; ética, em que defendia que a melhor forma de viver é focar na virtude; entre outros temas.

A complexidade dos temas abordados por Sócrates vai além do senso comum, ele buscou abordar temas que eram apenas superficialmente tratados e nem sempre com a devida importância e dedicação como ele fez. Mesmo tendo que levar suas convicções e pensamentos até as últimas consequências. Alguns consideram que o real motivo que levou Sócrates à julgamento e posterior execução, não estaria relacionado com a sua "corrupção da mente" de jovens e a não crença nos Deuses do Estado e sim, na sua crítica mordaz à democracia de Atenas, em um período de extrema turbulência na cidade-estado.

Eu apenas fiz uma resumida explanação sobre a figura de Sócrates, em função de uma conversa que tive recentemente sobre ética e moral e também para despertar a curiosidade dos amigos em buscar conhecer mais do pensamento socrático e por conseguinte, do pensamento filosófico clássico. Chega de "estudar" filosofia, sem buscar estudar os clássicos e buscar assimilar seu pensamento e compreender a atualidade dessas ideias, mesmo tendo passado milênios de quando foram produzidos.

Estudando com prazer e seriedade, podemos perceber, sem muito esforço, o quanto Sócrates foi, de fato, um craque!

Frase do Dia

"Garaipen ederrena lortu daiteke da zeure burua gainditzeko." (A vitória mais bela que se pode alcançar é vencer a si mesmo)

Santo Inácio de Loyola

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Barack, o Lula dos EUA

Quando se fala em Democracia existe uma premissa básica de que todo governo é medido e avaliado por seu povo através do voto, se foi bem, tem voto, senão, não consegue retorno nas urnas. 

Por esse critério somente, Barack Hussein Obama já pode ser considerado um dos piores presidentes da história norte americana. Quando ele assumiu a presidência, em 2009, os democratas tinham uma maioria consistente no Senado (58 das 100 cadeiras), uma maioria acachapante no Congresso (256 das 441 cadeiras) e 28 governos estaduais. 

Quase oito anos depois, o estrago é considerável: o partido do presidente perdeu 63 cadeiras no Congresso e dez no Senado – agora é minoria nas duas casas –, além de 12 governos estaduais. Sem contar a fenomenal derrota sofrida pela sua candidata à presidente Hilary Clinton nas últimas eleições presidenciais.

Ao amigo do blog que tem o hábito de se informar pelos grandes portais de notícias do eixo Rio-São Paulo ou se deixa pautar pelas noticias do New York Times, essa situação é completamente incompreensível, afinal, Obama é sempre mostrado e descrito como o melhor presidente que a América já teve, um exemplo a ser seguido, um líder moderno para o mundo sombrio em que vivemos. 

Já os norte americanos, que viveram oito anos sob o governo de um homem que não passa de uma versão intelectualmente melhorada e substancialmente mais perversa de Lula, não esconderam sua insatisfação e escorraçaram os democratas em todas as instâncias do poder político (quer fazer uma analise de cenário? Use como referência, quem vive a realidade que você busca compreender. Quando perguntado sobre a situação no Iraque, Olavo de Carvalho respondeu: "Pergunte ao Iraquianos"). 

Sabendo que o povo americano não aguenta mais suas falácias e seu jogo de cena, Barack Hussein Obama resolveu marcar seus últimos dias na Casa Branca com uma série de medidas perniciosas e cruéis. 

A grande mídia, sempre favorável ao seu governo, tem descrito essa atitude como “o esforço de Obama para marcar seu legado”. Mas que raios de legado é esse? A verdade, amigos, está bem longe disso. Obama está usando a tática do inquilino raivoso, sabe o sujeito que pretende deixar a casa no pior estado possível para o próximo ocupante?. É por isso, e somente por isso, que ele e os democratas estão enfiando barbaridades goela abaixo do povo americano. Falaremos de algumas delas a seguir:

1- A expulsão de oficiais diplomáticos russos dos Estados Unidos e outras medidas impostas em resposta à possível ação de hackers russos durante a eleição presidencial deixou muita gente de cabelo em pé no m undo inteiro. O clima de Guerra Fria requentada só não ficou pior, porque Putin e o restante da liderança russa sabem muito bem que Obama agiu como um fanfarrão, apenas para desestabilizar o novo governo (lembra um certo ex-presidente brasileiro, réu em 5 processos, nos seus tempos de oposição. Tanto que a embaixada russa no Reino Unido publicou a seguinte mensagem em sua conta oficial do Twitter: “O presidente Obama expulsa 35 diplomatas russos, num "deja vu" da Guerra Fria. Assim como todo mundo, incluindo o povo americano, ficaremos felizes em ver o fim dessa administração infeliz”. Amém, eu digo!

Já no Oriente Médio, além de nunca ter conseguido avançar um centímetro sequer em direção à paz entre Israel e Palestina, muito pelo contrário, Barack Hussein Obama apoiou uma resolução absurda da ONU que condena novos assentamentos judeus na região. A posição de Obama é completamente contrária ao histórico de apoio que os EUA sempre tiveram para com Israel. A resposta de Trump não poderia ter sido melhor: “Vamos ver o que acontece depois de 20 de janeiro, certo? Acho que vocês vão ficar bem impressionados”. (como já escrevi aqui: Esse Donald não é pato).

Se valendo de uma obscura lei da década de 1950, Barack Hussein Obama proibiu a exploração de petróleo em diversas partes do Ártico e do Oceano Atlântico. A coisa foi feita de modo a dificultar ao máximo uma reversão da medida pelo governo Trump. Dá até para imaginar o presidente raivoso falando com sua equipe: “Não me importa quantos anos tenha a lei, nem que ela nunca tenha sido usada. Façam o que for preciso para ferrar aquele cara”. Ah se as paredes do Salão Oval falassem!

Não satisfeito, Barack Hussein Obama ainda se deu ao trabalho de acabar com  um programa de rastreamento de imigrantes muçulmanos que havia sido estabelecido no governo Bush, o "National Registry". O programa estava parado desde 2011, mas sua estrutura permanecia intacta, e Trump planejava usá-la para algumas de suas políticas antiterrorismo ligadas ao islamismo radical. Agora, caso queira montar algo parecido, o presidente eleito precisará criar tudo do zero novamente. As vítimas do 11 de Setembro devem estar se debatendo em seus túmulos, sem contar suas famílias, que se sentem ultrajadas com essa atitude.

Fazia muito tempo que o mundo não via uma transição presidencial tão suja como a de Barack Hussein Obama. Até aqui no Brasil, onde Dilma saiu escorraçada por impeachment, uma situação bem pior que uma derrota eleitoral, as picuinhas e sujeiras se resumiram a roubar objetos de decoração e fazer papel de bobo nas redes sociais. 

Tenho certeza de que a História se encarregará de colocar Barack Hussein Obama no seu lugar de destaque, ou seja, ao lado de outros infames que já ocuparam a presidência americana. Ao agir de forma oposta ao que a população de seu país espera, ele pavimenta cada vez mais seu caminho para o almejado título de pior presidente da História dos Estados Unidos. Franklin Pierce, James Buchanan (o do Whisky), Richard Nixon e Jimmy Carter que se cuidem, o páreo é duro!


quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

Devaneios sobre a Verdade


Rezam as antigas lendas que a "verdade" foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho. E quando o espelho estava chegando sobre a Terra quebrou-se, partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados. 

E qual foi o resultado disso? As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele havia se partido. E por essa razão, as que encontravam um dos pedaços acreditavam que tinham nas mãos a verdade absoluta, quando, na realidade, possuíam apenas uma pequena parcela desta dádiva divina.

E quem será o conhecedor da verdade absoluta? 

A verdade absoluta só Deus a possui e aos poucos vai revelando ao homem na medida em que este esteja apto para conhecê-la. 

É através destes pequenos fragmentos que são revelados por Deus, que os inventores, os cientistas, os pesquisadores, vão descobrindo a cada século novas verdades que se acumulam e fomentam o progresso da Humanidade. É como se fossem juntando os pedaços do grande espelho e conseguissem abranger uma parte maior. 

Assim, a verdade é conquistada graças aos esforços dos homens e não numa revelação bombástica sem proveito para quem a recebe. Não é de uma hora para a outra que você passa a conhecer a verdade, muito menos, que passa a pratica-la. Isso é uma conquista diária, um aprimoramento humano constante, com direito à alguns percalços no caminho.

Ademais, depois que a verdade é descoberta, ninguém pode encarcerá-la, nem guardá-la só para si. A verdade é uma "parceira" da generosidade e da honestidade e está longe de ser algo "fora de moda", ultrapassado. Pelo contrário, cada vez mais a sociedade humana busca juntar os cacos do espelho. Quem experimenta o sabor da verdade não mais permanece o mesmo. Toda uma evolução nele se opera e uma transformação radical e libertadora. Se torna um processo inevitável.

Por vezes, a nossa cegueira não nos deixa vê-la, mas ela está em toda parte, latente, dentro e fora do mundo e é, muitas vezes, confundida com a ilusão. Em seus diálogos sobre "A Verdade", Santo Anselmo nos relata que a "Verdade" é a retidão do objeto percebida pela mente, mas o que vem a ser essa "Retidão"? É algo ser o que é, Deus é a máxima expressão da retidão, a verdade suprema e eterna, é o que é infinitamente e que determina o que tudo deve ser. 

Para Anselmo, a "Verdade" não está somente na conformação dos nossos juízos à realidade (uma verdade de conhecimento), mas em todo o nosso ser, como disse Santo Agostinho, tendo sua expressão na vontade, nas ações, nos sentidos, na essência de todas as coisas. Um sujeito justo deseja o que é certo, sabendo que é certo, porque é certo!

Desde os tempos de Maquiavel, vem se buscando "praticar" a verdade. Marx buscou fazer isso, ditar uma "regra"! de prática de verdade. Não gostaria de ser tentando a cair neste erro. Prefiro entender que é possível praticar alguns "exercícios" espirituais (orar, jejuar, dar esmolas, coisas assim), lembrando que não devemos entender isso como prática da verdade, e sim como inspirações, pois, repito, por melhor que sejam essas ações, elas não são a prática da verdade e corrermos um sério risco de isso se transformar em convenções sociais e perderem o seu real sentindo. 

Um exemplo disso: Muita gente tem preconceito (de raça, credo, sexo, etc), mas não se expressa pelo fato de temer a pressão da sociedade, do que os outros vão falar sobre isso. Não que ter preconceito seja algo saudável, longe disso, não se deve ter preconceito sobre assunto nenhum. É o que a bíblia chama de "o mundo".

Quero citar um pensador contemporâneo muito importante chamado Marco Campos (que muito honra o fato de ser meu irmão), que foi fundamental para a existência deste texto, segundo ele, "Praticar a verdade é algo que se faz individualmente". É algo que deve ser internalizado pelo individuo e norteie suas ações, buscando cada vez mais contemplar a beleza, a verdade e a vida.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Fascismo

Escrevi este texto no ano passado, falando sobre o conceito de "Fascismo", como continuo percebendo que a "confusão" continua, estão vou reproduzir o texto novamente:

"Surgido principalmente nos países que chegaram tardiamente no processo industrial e na corrida colonialista durante o século XIX, como Itália e Alemanha e como uma forma de trazer "esperança" para uma enorme camada de campesinos que migraram para os centros urbanos e que acabaram perdendo seus empregos com o final da Primeira Guerra Mundial,

O Fascismo surge como uma força progressista, que buscava promover uma industrialização, através de um resgate de uma imagem nacional...

Afinal de contas, o que vem a ser o Fascismo? Bom, para os esquerdistas atuais, Fascismo está relacionado diretamente aos que são identificados como sendo de direita e ai é que esse "chavão" perde o sentido, pois o Fascismo é a união do poder econômico com o poder estatal, por exemplo, quando te sentes prejudicado por uma empresa privada, podes recorrer ao estado ou a outra empresa privada. Já no Fascismo isso não acontece, pois não existe distinção entre sociedade e estado, uma espécie de "Estado Total”.

Mas espere "Estado Total" não nos remete ao Socialismo? Claro que sim, pois o socialista não concebe uma sociedade dissociada do estado. E de onde podemos resgatar essa história?

Que tal falarmos de dois pensadores, Hegel e Descartes? O primeiro falava sobre a genialidade humana expressada no estado, já Descartes acreditava que se você é capaz de entender duas ou três leis gerais do Universo, você é capaz de entender o próprio Universo. Hegel fala do estado e Descartes do Individuo. O Fascismo identifica as duas coisas, o homem fascista seria o homem total, a integração entre as duas coisas (Dai a origem de "Integralismo"), uma comunhão entre a totalidade humana e o totalitarismo de estado.

Seria a personificação do "Homme Totale" de Descartes, de onde, ao interpretar as idéias Cartesianas, Heidegger criará o termo "Totalitarismo".

Agora falemos de outro filosofo, Karl Marx. em sua obra "A ideologia Alemã", Marx diz que o homem do futuro, trabalharia de manhã na fábrica, planejaria a empresa na parte da tarde e a noite estudaria filosofia e tocaria violino, a imagem do homem total, integral. Podemos notar ai certa similaridade, correto? Pois é, só que no Totalitarismo do tipo Fascista, se reconhecia ao menos a Igreja como um poder autônomo e independente.

No Totalitarismo socialista isso não existe, pois o estado regula tudo!

E vem dai os elementos totalitários de alguns dos atuais movimentos sociais, ou seja, a idéia de que a política deve permear todas as esferas da vida em sociedade, retirar a tradição do debate público, a cultura da sociedade. Por exemplo, a religião deve se ater ao foro privado e intimo. E ai se deixa de lado o "Consuetudinário", o direito tribal, aquele direito que vem das tradições e vivencias de uma sociedade. Tudo isso é deixado à margem, dai o fato da sexualidade, por exemplo, ter que vir em primeiro lugar que a religião, tirar o crucifixo de órgãos públicos e por ai vai...

Essas premissas só vingam na sociedade moderna ocidental, tenta colocar essas discussões e práticas em uma Arábia Saudita ou em um Irã da vida!!!

Então, queridos leitores, quando você ouvir a alcunha de "Fascista", saiba que estamos falando daquele homem perfeito, integral, completo, o homem que faz parte do ideário socialista, do totalitário e não aquele que quer o estado mínimo, um estado sem cabides de emprego, sem classes privilegiadas que se escoram na eternidade de seus cargos públicos, para reivindicarem reajustes de si próprios. Ser Liberal Conservador, por exemplo, está diretamente oposto ao ser Fascista, isso é coisa de quem somente consegue enxergar a "perfeição", no totalitarismo estatal deixa de lado a cultura e as tradições de uma sociedade."