Pular para o conteúdo principal

A arte de escrever

Trabalhando na madrugada, digitando a revisão de um trabalho, conectado nas redes sociais, ouvindo música e vendo tv, como é habito que tenho ao trabalhar em casa, sou surpreendido com uma entrevista do antropólogo Roberto Da Mata, uma conversa leve, bem humorada, sem nenhuma das chamadas "discussões acadêmicas" tão maçantes que são para mim hoje (isso será tema de um próximo texto que escreverei), mesmo que eu tivesse sentindo um pouco a falta de ouvir um pouco mais do conhecimento do professor Roberto.
 
Mas houve uma questão que me chamou muito a atenção e foi o motivo de escrever este texto, a essa hora da madrugada e deixando um pouco de lado o trabalho que estou fazendo, foi quando Roberto Da Mata comentou sobre a dificuldade de se escrever uma crônica/coluna/artigo para jornais e revistas, sejam estas, diárias ou semanais, esse assunto me chamou bastante a atenção e lembrei do tempo em que exerci essa função, semanalmente, para um jornal e um site, quando morava no Paraná.
 
Era sempre algo que consumia bastante a minha semana, ficava completamente atento à tudo que acontecia ao meu redor (minhas colunas eram sobre política, bah, que baita pauta eu teria agora, não é?) e acabava consumindo muito do meu tempo semanalmente, e o mais interessante é que, seu texto acaba sendo consumido em menos de um minuto pelos leitores que não fazem ideia do tempo e das horas de preparação que um texto como esse requer (bom, isso para mim acaba sendo irrelevante, importa é o que um texto meu pode impactar em um leitor e não o fato dele saber ou não, o tempo que levo para conceber o referido texto), sou um ardoroso fã daqueles que conseguem a proeza de escrever colunas diárias em jornais, é uma das atividades que ainda gostarei de ter, antes de morrer (mesmo que o conceito do jornal impresso tende a acabar, a mídia digital, pode me permitir alcançar esse objetivo).
 
Escrever é uma arte, escrever bem, chega a ser algo "divino" e isso é uma atividade que estou vendo diminuir de qualidade neste País, hoje, os "escribas" se ressumem muito à blogs (é verdade, este espaço aqui é um Blog) e sites pessoais, isso faz com que o autor acabe não se esmerando tanto em seus textos, pois, como é uma atividade pessoal e até diletante em alguns casos (como o meu!) e acabam não caprichando um pouco amis, no conteúdo de seus textos.
 
Me causa temor saber que uma das etapas mais difíceis de um vestibular, concurso ou ENEM, é a prova de redação! Nossos jovens cada vez mais estão perdendo o hábito de escrever, principalmente à mão (quase uma heresia nos dias de hoje), muito em função de não lerem mais noticias do cotidiano, das atualidades do mundo, e não somente aquelas referentes aos seus ídolos e gostos, fui educado por meus pais a ser um voraz leitor de tudo, não importando gênero, autoria ou temática, o importante em minha formação foi o hábito da leitura e esse "vicio" acabou resultando em minha paixão por escrever (deixo aos leitores do Blog a opinião sobre a qualidade dos escritos) e essa paixão é tão grande, que mesmo quando não tem necessidade de escrever sobre nenhum tema relevante sobre algum assunto em destaque no momento, eu recorro à temas que me causam inquietação e que, não que sejam menos importantes, acabam não tendo um grande destaque em escritos diários.
 
Escrever é uma arte, eu já disse, saber escrever é divino, repito, e acrescento: saber o que escrever, pode se tornar uma 'arma", capaz de influenciar pessoas e sociedades, servir para construir grandes projetos, bem como, para destruir com mentes brilhantes, por isso que devemos sempre nos atentar para o que está escrito, nenhuma prática advém do nada, sempre existe uma motivação teórica, por mais desorganizada que seja, por trás e geralmente essa movimentação teórica se dá por escritos, basta olharmos ao redor, para perceber essas ações presentes em nosso dia a dia.
 
Bem, são essas as pequenas indagações que me vieram à mente quando da entrevista que já acabou há horas e ainda estou eu aqui, a falar sobre ela, bendita tv ligada enquanto trabalho até altas horas da madrugada, e falando nele, deixe-me voltar ao meu trabalho, ainda terei muito o que escrever.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Mises: A ação como ato de liberdade!

Caro amigo, para que você se sinta mais confortável com escreverei a seguir, vou pedir que você se acomode bem antes de dar prosseguimento à leitura desta postagem, caso esteja em um ônibus sentado, coloque seu fone de ouvido para abafar o som externo do ambiente; estando de repouso em casa, sugiro uma xícara saborosa de café ou chá para que se atente ainda mais ao texto; na hipótese de estar no trabalho, sugiro que você faça a leitura somente durante o seu horário de almoço, assim poderá ler com calma e certificará um entendimento claro do que foi lido, pois o que pretendo abordar, requer uma concentração grande no momento da leitura.
Após indicações de amigos e de minha enorme curiosidade em pesquisar e aprender, fui "seduzido" com a ideia de conhecer mais a fundo o trabalho do economista austríaco Ludwig von Mises, para poder entender e analisar com vocês aqui no blog, um pouco do pensamento deste autor que vem sendo "descoberto" mais recentemente no Brasil.
Ludwi…

Mobilidade Urbana, um desafio para os novos gestores!

A mobilidade urbana, isto é, as condições oferecidas pelas cidades para garantir a livre circulação de pessoas entre as suas diferentes áreas, é um dos maiores desafios que os próximos gestores municipais enfrentarão em seus próximos mandatos, não somente em Porto Alegre, mas como na grande parte das cidades brasileiras. O crescente número de veículos individuais promove o inchaço do trânsito, dificultando a locomoção ao longo das áreas das grandes cidades, principalmente nas regiões que concentram a maior parte dos serviços e empregos. Além da qualidade dos serviços de transporte público e concessões públicas, onde discussões inócuas acabam por desviar o foco do real problema que atinge o setor, quase que impossibilitando a movimentação nas grandes cidades.

O Brasil, atualmente, vive um drama a respeito dessa questão. A melhoria da renda da população de classe média e baixa, os incentivos promovidos pelo Governo Federal no meio da década passada para o mercado automobilístico (como a …

Quanto mais governo, menos cidadão!

Eu realmente não gosto de reclamar de governo. Acredito que é uma enorme perda de tempo e desgaste fazer isso.  E também acredito que não se trata de uma atitude inteligente. Estou convencido de que é muito mais proveitoso ignorar toda a bagunça e imoralidade e se concentrar em coisas melhores e mais produtivas. Mas não tenho como ficar quieto quando observo alguns disparates que são cometidos por grupos que foram, durante anos, tutelados pelo Estado e que começam a perceber que o pensamento da maioria da população já não aceita mais isso.  Falo de uma parcela de organizações de sociedade ainda se encontra emocionalmente acorrentada ao Estado, e (a menos que você trabalhe para o governo e tenha um alto salário, ou seja um grande empresário que obtenha subsídios e privilégios protecionistas do governo (em ambos os casos, você se deu bem), creio que é válido demonstrar o quanto é danoso esse relacionamento "promiscuo" com o Estado. Dessa forma, vou escrever sobre algo que não re…