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O estudante? Ah sim, o estudante...

No final de semana passado, cerca de 3,3 milhões de estudantes fizeram as provas do Enem. O que, obviamente elevou o número de participantes, foi que: Mais de 80 instituições federais utilizarão seus resultados como parâmetro para o ingresso em seus cursos...

O que quero ressaltar é que, existe uma disputa política acerca do ENEM e existem também problemas operacionais. Talvez muitas pessoas não compreendam claramente o que está acontecendo, e lendo apenas as manchetes dos jornais escritos ou via internet não é possível entender o que está em jogo....

O ENEM foi criado no governo Fernando Henrique (PSDB). A pretensão era que ele se tornasse uma prova de certificação profissional e, ao mesmo tempo, parâmetro de avaliação do ensino médio. Na verdade os criadores do ENEM queriam renovar o currículo do ensino médio de cima para baixo, estabelecendo uma matriz de competências que induziria e pressionaria a mudanças curriculares nas redes estaduais...

Porém, mesmo neste período nenhum destes objetivos se concretizou. Apenas um terceiro, que era lateral, se consolidou: a utilização das notas do exame por instituições particulares. E esse processo, que foi bastante incentivado pelo ministro Paulo Renato, foi mais motivado pelo barateamento dos custos de vestibulares sem concorrência do que pelos méritos do exame., mas acabou servindo como mérito para o ingresso nas Instituições privadas...

Com a criação do PROUNI e por sua vez com a vinculação do beneficio com as notas obtidas no ENEM, o exame começou a sofrer uma consolidação da vocação de "Vestibular Nacional", mesmo que ainda restrito a ingresso via política afirmativa vinculada a isenções fiscais. Assim, todos os anos o número de inscritos veio crescendo ecrescendo...

O atual governo completou esta conversão ao recriar o ENEM. De forma atabalhoada realizou a primeira edição, com fragilidades na sua segurança, pois o formato de execução continuava o mesmo, mas a importância comercial das provas já havia mudado e muito!!!

Os problemas ocorridos na prova atual são muito sérios e precisam ser corrigidos, sem utilizar-se de chavões eleitorais e sim com competência técnica e não para se colocar por baixo dos panos e empurrar com a barriga, como sempre foi a prática deste governo nesses últimos 08 anos!!!!

Se nada for feito a respeito, se o presidente continuar em sua linha de discurso de que o "ENEM desse ano foi um grande sucesso" e não enfrentar de frente o problema, isso irá  provocar insegurança nos estudantes, diminuindo a credibilidade da prova aplicada. Ou seja, desgastam os alunos, só isso, quer dizer, para o governo não é nada mas para o povo brasileiro que quer entrar numa universidade é muita coisa. Os estudantes percebem que não se está buscando melhorar a situação e acabam, com razão, se sentindo lesados, pois não têm confiança na lisura e na correta aplicação do exame!!!

Cabe ao MEC consertar os erros e manter a isonomia de condições do ENEM. Mas ao entrar neste debate fica claro que não existe mais ENEM para fazer avaliação do ensino médio, da mesma forma que vestibular de universidade não avalia o ensino médio dos seus participantes nem os próprios participantes. Vestibular apenas classifica os concorrentes a partir de dada linha de corte necessária para preenchimento das vagas disponíveis e o objeto inicial da constituição do ENEM (De avaliar o ensino médio), já não mais existe!!!

Só um pequeno, mas importante lembrete, estamos falando de 83 mil vagas federais, um pouco mais de cem mil bolsas via PROUNI. Isso ainda é um universo bem restrito dentro do já restrito universo de acesso ao ensino superior e se continuar sendo tratado dessa forma, o ENEM só servirá para a proliferação de "Cursinhos" de preparação e de uma maneira de exercer o direito da "Seleção Não-Natural" do sistema de ensino brasileiro!!!

Já a preocupação quanto ao estudante, bem, esse ai que vá estudar....

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