domingo, 14 de setembro de 2014

O Dilema de Aécio

Nessa reta final de campanha eleitoral, m deparo com série de dilemas de alguns candidatos e de seus desafios finais. Entre esses dilemas eu quero comentar alguma coisa sobre o que Aécio Neves/PSDB poderia ter feito nessa campanha eleitoral e que pode ter determinado a sua campanha tão abaixo das expectativas de seu partido e da própria sociedade. Aécio foi o candidato que mais saiu perdendo com a inusitada e trágica morte de Eduardo Campos, pois com Eduardo na disputa e não conseguindo sair do patamar de 10%, Aécio parecia conseguir uma possibilidade de garantir uma possível ida ao segundo turno contra a presidente Dilma/PT (Mesmo muito atrás, Aécio apostava que, em um segundo turno, teria condições de se igualar à presidente em tempo de mídia e isso o colocaria na disputa e também articulava um possível apoio de Eduardo).

Com a morte de Eduardo e a escolha de Marina Silva como candidata do PSB, Aécio se viu ultrapassado por Marina de uma forma que não esperava e que o coloca virtualmente fora da disputa presidencial e mais, correndo riscos de perder até em seu estado natal, Minas Gerais, e ver o seu partido se apequenar mais ainda em relação ao PT (seu principal antagonista). Mas Aécio também cometeu seus erros e foram erros fundamentais para também explicar seu desempenho na campanha, um dees foi o de não se assumir como uma candidatura ligada aos setores mais conservadores da sociedade brasileira. Esse dilema que é uma crônica do PSDB, o de querer ser uma esquerda democrática, e não se assumir como uma alternativa de centro direita, deixando que o discurso de esquerda do PT acabe sendo hegemônico na disputa eleitoral.

Marina Silva consegue trazer para o debate, questões que deveriam ser levantadas por Aécio, como a discussão sobre o papel do estado na condução da economia. Como não faço campanha e sim, analises dos processo eleitoral, não quero dizer que concordo ou não com essa proposta, o que quero mostrar aqui nesse espaço é que caberia ao PSDB de Aécio levantar esse debate na sociedade, debate sério, sem mentiras e medos e sim com argumentos para poder se contrapor ao que pensa o atual governo. Isso faz parte de ser oposição, apresentar alternativas que sejam diferentes da do seu adversário e não ficar dizendo que: "Vamos manter isso, vamos melhorar aquilo..." Ora, se é para manter o que se tem, não se precisa de um projeto de oposição. Aécio devia falar sim, sobre o que entende ser errado no atual governo e dizer o que fará diferente, sem medo de ser chamado de "Direita" (Medo clássico que consome o PSDB desde a sua fundação). Existe uma enorme parcela do eleitorado que é sim, de direita e que gostaria de ter reverberado o seu discurso por uma candidatura competitiva no processo eleitoral e não por candidaturas nanicas, como a do Pastor Everaldo/PSC.

Essa parcela do eleitorado não se importa com os discursos e com as conquistas sociais da esquerda brasileira, é um eleitorado conservador, que preza pela livre iniciativa e que, por incrível que pareça, começa a se simpatizar pelo discurso de "Nova Política" de Marina Silva/PSB, preferência essa, que deveria recair sobre Aécio e seu partido que afinal, são os principais opositores da atual gestão petista. Insisto em dizer, não estou dizendo que concordo ou não com as alterativas conservadoras ou progressistas, apenas faço analises sobre o que enxergo no cenário político brasileiro. Mas creio que seria muito salutar para a democracia brasileira que grandes partidos pudessem assumir projetos e ideologias mais consistentes, sejam elas de direita ou de esquerda e não ficarmos assistindo à espetáculos deprimentes de fisiologismos e de falta de segurança e convicção política.

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