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Votar ou não votar, eis a questão...

Acabei de assistir a entrevista do deputado estadual Aldo Demarchi (DEM/SP) para um jornal da região de Rio Claro, em São Paulo (cidade onde o deputado já foi prefeito) e me chamou a atenção a declaração do parlamentar dizendo que a constituição federal precisa ser alterada para que cidadãos que recebam algum tipo de beneficio do Estado, sejam impedidos de votar. O argumento do deputado se baseia no fato de que, se o cidadão depende do governo para sobreviver, ele não produz, e somente poderia passar a votar, se passasse a condição de cidadão produtivo.

É óbvio que o argumento do deputado causa controvérsias e até arrepios em alguns (incluindo este blogueiro), mas nos remete para algumas reflexões que este blogueiro vem manifestando ha tempos neste espaço. Em primeiro lugar, não enxergo o voto no Brasil como um "direito", por uma razão muito simples, ele é obrigatório e não me vejo como "obrigado" a exercer um direito.(não entro em méritos legais, amigos advogados, falo na questão senso comum).

Outra reflexão que sempre que posso faço por aqui, é a de que falta no Brasil gestores que tenha visão de estadista e que criem propostas e programas de Estado e não o que é comum, a criação de políticas de governo(s). Tanto bolsa família, pronatec quanto plano Real, Lei de responsabilidade fiscal ou qualquer outra medida de impacto relevante e positivo para a sociedade, deveriam se transformar em políticas de Estado e nenhum governante poderia mexer com elas. Isso acabaria com qualquer utilização eleitoral dessas conquistas (não sou ingenuo, sei que isso soa como "palavrão" no ouvido de governistas de plantão).

Esse tipo de atitude do deputado Aldo Demarchi apenas o quanto estamos ainda sob os efeitos do duro "GreNal" eleitoral vivido até o último dia 26/10, mas ao invés de somente repudiar as palavras do deputado, procuro enxergar outros aspectos referentes ao mesmo tema, por isso resolvi escrever sobre isso. Tenho lido e ouvido tanta bobagem desde o último domingo que cheguei a cogitar a possibilidade de deixar as redes sociais (meu vício não permitiu), pois até separar o Brasil já foi cogitado.

Está na hora de descermos das "arquibancadas" eleitorais e seguir em frente, eu digo isso para vencedores e perdedores, sem nenhuma restrição, pois parece que membros dos dois lados ainda estão vivendo o clima da eleição. Acabou, Dilma foi reeleita e precisa governar e a oposição, precisa fazer o seu papel de fiscalizar as ações do executivo. É assim que a coia deve acontecer. Já em relação a ideia do ilustre parlamentar, que ele procure produzir algo de mais significância para a sociedade, não em função de perder o "direito" ao voto, mas sim de perder o direito de ser votado.

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