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Mentalidade Esquerdista II

Conforme eu escrevi ontem, darei continuidade aos textos falando sobre a tal "mentalidade Esquerdista", nesta postagem de hoje, vou abordar um tema que é recorrente nas discussões envolvendo esquerdistas em suas diversas áreas de atuação, estou me referindo a questão dos "pobres".
A esquerda sempre se arrogou a função de protetora dos "pobres". Esta é uma de suas principais reivindicações morais para adquirir poder político, em toda a participação política da esquerda seja em eleição ou em propaganda cultural, a questão de "defensora dos pobres" está sempre presente. Porém, qual a real veracidade desta alegação?
É verdade que líderes de esquerda em vários países adotaram políticas assistencialistas que permitem aos pobres viverem mais confortavelmente em sua pobreza, fazendo até alguns inocentes ou mal intencionados a acreditar que esse tipo de política "resolve" todas as mazelas da pobreza.  Mas isso nos leva a uma questão fundamental: quem realmente são "os pobres"?
Se nos limitarmos a acreditar na definição de pobreza inventada por burocratas, como aquela que inclui um número de indivíduos ou de famílias abaixo de algum nível de renda arbitrariamente estipulado pelo governo, então realmente é fácil conseguir estatísticas sobre "os pobres", ao estabelecer as metas (mesmo quando não tem ideia de quais sejam, vide Dilma Vana Rousseff), fica fácil para qualquer governo apregoar a diminuição deste ou daquele problema social, baseado em pura estatística manipulada  Elas são rotineiramente divulgadas pela mídia e gostosamente adotadas por políticos (quem não gosta de "surfar" na popularidade assistencialista?).  
Mas será que tais estatísticas têm alguma relação com a realidade?
Houve um tempo em que "pobreza" tinha um significado concreto (uma quantidade insuficiente de comida para se manter vivo, ou roupas e abrigos incapazes de proteger um indivíduo dos elementos da natureza), ficava visível, portanto, identificar se determinadas medidas eram eficazes ou não.
Hoje, "pobreza" significa qualquer coisa que os burocratas do governo, que inventam os critérios estatísticos, queiram que signifique, atente para o detalhe: Quanto maior o índice de "pobreza" identificado/estipulado, maior será o investimento a ser utilizado para combater a situação. Criando um sistema de colocação de recursos altos nessas ações, trazendo um enorme "poder" de resolução do tal problema e, consequentemente, mais votos e mais poder político (existe um vídeo do ex-presidente Lula falando que: "A gente falava sobre o número que quisesse para os europeus e eles acreditavam...)
Em vários países do mundo, não são poucas as pessoas que são consideradas pobres, mas que, além de terem acesso a vários bens de consumo que outrora seriam considerados luxuosos (como televisão, computador e carro), são também muito bem alimentadas (em alguns casos, até mesmo apresentam sobrepeso).  
No entanto, uma definição arbitrária de palavras e números concede a essas pessoas livre acesso ao dinheiro dos pagadores de impostos e acabam diminuindo os valores de investimentos necessários para atender outras necessidades da sociedade.
Esse tipo de "pobreza" pode facilmente vir a se tornar um modo de vida, não apenas para os "pobres" de hoje, mas também para seus filhos e netos. Após mais de 10 anos do programa "Bolsa Família" já é possível mensurar qual o real impacto desse programa, mas a cada dia que passa, apenas são aclamados números que passam de 30 milhões de "pobres" que saíram da condição de miséria e ascenderam socialmente (ora, se isso é verdade, então por que continuar com o programa, visto que não deveriam existir mais "pobres" que precisem de auxílio do governo)
Mesmo quando esses indivíduos classificados como "pobres" têm o potencial de se tornar membros produtivos da sociedade, a simples ameaça de perder os benefícios assistencialistas caso consigam um emprego funciona como uma espécie de "imposto implícito" sobre sua renda futura, imposto este que, em termos relativos, seria maior do que o imposto explícito que incide sobre o aumento da renda de um milionário. Parece um exagero mas não é, basta analisar as bravatas e ameaças que são feitas pelos movimentos de esquerda quando se fala em "cortes nos programas sociais", falam isso como uma "conquista" ou seja, usurpam da sociedade produtiva, aquilo que ela gera de riqueza, apenas para manter seus domínios e interesses políticos.
Resumindo, as políticas assistencialistas defendidas pela esquerda tornam a pobreza mais confortável ao mesmo tempo em que penalizam tentativas de se sair da pobreza.  Exceto para aqueles que acreditam que algumas pessoas nascem predestinadas a serem pobres para sempre, o fato é que a agenda da esquerda é um desserviço para os mais pobres, bem como para toda a sociedade.  
Ao contrário do que outros dizem, a enorme quantia de dinheiro desperdiçada no aparato burocrático necessário para gerenciar todas as políticas sociais não é nem de longe o pior problema dessa questão. Se o objetivo é retirar pessoas da pobreza, há vários exemplos encorajadores de indivíduos e de grupos que lograram este feito, e nos mais diferentes países do mundo. Posso citar alguns desses exemplos a seguir:
Milhões de "chineses expatriados" migraram da China completamente destituídos e quase sempre iletrados.  E isso ocorreu ao longo dos séculos.  Independentemente de para onde tenham ido, se para outros países do Sudeste Asiático ou para os Estados Unidos, eles sempre começaram lá de baixo, aceitando trabalhos duros, sujos e frequentemente perigosos, sem nenhum tipo de "segurança" dado aos trabalhadores daquele País onde estavam.
Mesmo sendo frequentemente mal pagos, estes chineses expatriados sempre trabalhavam duro e poupavam o pouco que recebiam.  Isso era uma questão cultural.  Vários deles conseguiram, com sua poupança, sua economia, abrir pequenos empreendimentos comerciais.  Por trabalharem longas horas e viverem de forma austera e determinada, eles foram capazes de transformar pequenos negócios em empreendimentos maiores e mais prósperos.  Eles se esforçaram para dar a seus filhos a educação que eles próprios não conseguiram obter. O resultado deste esforço e desta determinação "cultural" dos expatriados chineses foi que, já em 1994, os 57 milhões de chineses expatriados haviam criado praticamente a mesma riqueza que o bilhão de pessoas que viviam na China. (vide relatórios econômicos do Banco Mundial)
Variações deste comportamento sócio/cultural podem ser encontradas nas histórias de judeus, armênios, libaneses e outros emigrantes que se estabeleceram em vários países ao redor do mundo , como aqui no Brasil. Inicialmente pobres, foram crescendo ao longo de gerações até atingirem a prosperidade.  Raramente recorreram ao governo, e quase sempre evitaram a política ao longo de sua ascensão social. Aliás, para estes povos, o governo mais atrapalha do que auxilia. 
Tais grupos se concentraram em desenvolver aquilo que economistas adoram chamar de "capital humano" (seus talentos, habilidades, aptidões e disciplina). Seus êxitos frequentemente ocorreram em decorrência daquela palavra que a esquerda raramente utiliza em seus círculos refinados: "trabalho" (para alguns esquerdistas soa como uma "blasfêmia"). A "Mentalidade da Esquerda" (promover a inveja e o ressentimento ao mesmo tempo em que vocifera exigindo ter "direitos" sobre o que outras pessoas produziram), é um padrão que tem se difundido em vários países ao redor do mundo.
Esta agenda raramente teve êxito em retirar os pobres da pobreza.  O que ela de fato logrou foi elevar a esquerda a cargos de poder e a posições de auto exaltação, ao mesmo tempo em que promovem políticas com resultados socialmente contraproducentes. Não conseguindo resolver em nada a questão da pobreza, pelo contrário, apenas aumentando essa pobreza e incentivando a criação de uma "pobreza cultural" bem maior até, que aquela pobreza econômica que doravante essas pessoas se encontravam.
Caro leitor, preste bastante atenção em políticos que exaltam a pobreza, que alardeiam que "vieram de baixo" (ai pontuo outro aspecto incoerente, pois se esse tal político dependesse dos tais "programas sociais", jamais teria ascendido à posição de uma liderança política que ambicionasse um mandato eletivo), pois esse tipo de político, além de populista, ele apenas deseja ludibriar a sua boa fé, apelando para um preceito cristão que é a caridade e luta pelos desvalidos. Não se engane, trata-se do famoso "Lobo em pele de Cordeiro"

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