terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

A paralisia tucana

Que o PSDB sempre foi um partido lento para agir ou reagir a determinadas situações que o cenário político lhe apresentava, isso já conhecido por todos que acompanham política nesse país. Agora, a "sonolência" com a qual o partido está tratando a sucessão presidencial chega a ser irresponsável para com seus eleitores e para com a democracia, pois não consigo conceber um estado democrático sem o contraditório. Coisa que não consigo ver no Brasil, muito em função da inércia tucana em exercer o seu papel de oposição.

Se Aécio Neves ou quem quer que seja, não apresentar seu nome como candidato para enfrentar a presidente Dilma nas eleições de 2014 até o meio do ano, o PSDB corre o risco de ser esvaziado enquanto legenda, perdendo espaço para o novo partido de Marina Silva e para o PSB de Eduardo Campos, que ameaça romper a comoda relação de parceria com o PT que já remonta de anos.

É verdade que o PSDB governa estados importantes da federação, mas o partido não consegue defender um projeto de estado capaz de enfrentar o projeto hegemônico do atual governo. Não quero aqui ser porta voz de uma possível necessidade tucana de candidatura, somente analiso o que me apresenta o atual estágio do partido. E um país sem oposição consolidada, é um país que corre o risco de cair em um processo hegemônico de "ditadura governista", onde o projeto político de quem governa é tão amplamente exercido, que ofusca qualquer pensamento em contrário. Claro que reconheço o desejo da maioria da população brasileira em abraçar o projeto político do PT, é justo e democrático. Mas não defendo, em hipótese alguma, a tese do "partido único" ou da "ideia única".

Por outro lado, não vejo o PSDB assumindo esse papel de contraponto. O partido se perde em suas lutas internas e autofágicas. Esqueceu de suas bandeiras e suas ideias. Ficou preso em uma disputa de de poder interno que já o levou a perder três eleições seguidas para a presidência e que, se continuar desse jeito, vai encarar sua quarta derrota nacional (isso se conseguir lançar candidatura própria em 2014). O PSDB se corrói por dentro, não permite a formação de novas lideranças e perde o seu capital político como um investidor da bolsa perde o seu dinheiro por aplicações erradas. Não vejo no atual quadro tucano, força suficiente para sustentar uma candidatura competitiva ano que vem. Se continuar se engalfinhando internamente, a tucanada corre o risco de perder o seu papel de protagonista e não ter direito nem ao papel de coadjuvante, fazendo apenas figuração nas próximas eleições presidenciais.

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