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A Quarta Revolução Industrial II

No texto anterior, comecei a abordar o tema da "Quarta Revolução Industrial", buscando esclarecer um pouco de onde vem o conceito, como e porque ele se apresenta e dei uma pincelada sobre as futuras alterações no modo de vida de nossa sociedade. Nesta segunda postagem, quero falar sobre à quem interessa esse processo todo de transformação e qual e alguns de seus riscos para as relações humanas.
Não preciso dizer que os países mais desenvolvidos adotarão as mudanças com mais rapidez, inclusive já detêm uma boa parte dessas novas ferramentas utilizadas na quarta revolução industrial, mas alguns especialistas dizem abertamente que as economias emergentes são as que mais podem se beneficiar com esse processo, o Brasil, por exemplo, possui uma excelente viabilidade para a implementação destas tecnologias, mesmo com suas contradições, o País tem possibilidade de se tornar nos próximos anos, uma potência em alguns setores que hoje ainda estão em processo de construção.
A quarta revolução tem o potencial de elevar os níveis globais de rendimento e melhorar a qualidade de vida de populações inteiras, diz Klaus Schwab, diretor do Fórum Econômico Mundial. São as mesmas populações que se beneficiaram com a chegada do mundo digital, e a possibilidade de fazer pagamentos, escutar e pedir um táxi a partir de um celular antigo e barato. por isso a importância de se atentar para questões que começam a impactar na economia e nos cotidiano de cada brasileiro, como a utilização dos aplicativos para sistema de transportes, hospedagem, alimentação, descontos, etc. Claro o processo de transformação só beneficiará quem for capaz de inovar e se adaptar.
David Ritter, CEO do Greenpeace Austrália/Pacífico, disse em uma coluna para o jornal inglês "The Guardian": "O futuro do emprego será feito por vagas que não existem, em indústrias que usam tecnologias novas, em condições planetárias que nenhum ser humano já experimentou". 
Por isso é importante que tenhamos clareza dessas transformações, a "Geração Z" está criando seus próprios trabalhos e ocupações. Até o "emprego" como conhecemos hoje, está com seus dias contados. É importante que o Brasil se dê conta disso com urgência, nossas relações de trabalho são por deveras paternalistas e ultrapassadas, o brasileiro não possui a cultura do empreendedorismo, fundamental para poder se adaptar aos tempos de quarta revolução.
No mundo, os empresários parecem entusiasmados pela magnitude do desafio, uma pesquisa aponta que 70% desses empresários têm expectativas positivas sobre a quarta revolução industrial. Ao menos foi esse o resultado do último Barômetro Global de Inovação, uma pesquisa que compila opiniões de mais de 4.000 líderes e pessoas interessadas nas transformações em 23 países.(incluindo o Brasil).
Ainda assim, a distribuição regional é desigual e os mercados emergentes da Ásia são os que estão adotando as transformações de uma forma mais intensa que os de economias mais desenvolvidas. Precisamos ficar atento quanto a isso, não podemos deixar de aproveitar essa oportunidade. Nossos líderes, falando especificamente do Brasil, precisam compreender a dimensão dessas transformações e buscar se adequar urgentemente à elas. "Tabus" precisam ser quebrados, não podemos ser reféns de legislações ultrapassadas e políticos comprometidos com causas do século passado.
Mas é certo que nem todos enxergam o futuro com otimismo: as pesquisas refletem as preocupações de empresários com o "darwinismo tecnológico", onde aqueles que não se adaptam não conseguirão sobreviver. Impressionante como ainda é forte a resistência ao novo, às transformações e a própria evolução. Essa resistência não vai "atrasar" o processo, somente vai criar uma camada grande empresários e trabalhadores que ficarão á margem dos benefícios que a quarta revolução pode trazer. E se essas transformações da quarta revolução  acontecem a toda essa velocidade, como consigo enxergar, o efeito pode ser mais devastador que aquele gerado pela terceira revolução. (ainda somos atrelados à ideologias e culturas que remontam à primeira revolução industrial).
Eu particularmente concordo com a Dra Elizabeth Garbee, pesquisadora da Escola para o Futuro da Inovação na Sociedade da Universidade Estatal do Arizona (ASU), quando ela alega que sempre existirão perdedores no jogo do desenvolvimento tecnológico, principalmente quando se trata de trabalhar os valores destas transformações (falo de valores culturais e não financeiros). A Dra. Elizabeth vai além, ela diz: "Esse tipo de ideologia limita muito as perspectivas que são trazidas à mesa na hora de tomar decisões (políticas), o que por sua vez aumenta a desigualdade que vemos no mundo hoje".
Sei que manter o Status quo não é uma tarefa fácil, é necessários que haja uma compreensão maior do que é a quarta revolução e como ela está se processando no interior da sociedade contemporânea, entendo que é importante e crucial que aconteça um amplo e democrático debate sobre esse tema, sem preconceitos e sem dogmatismo. Apenas com a intenção de encontrar alternativas que diminuam os impactos negativos que a quarta revolução possa proporcionar.
Os críticos da quarta revolução alegam que ela só aumentará a desigualdade na distribuição de renda e trará consigo todo tipo de dilemas de segurança geopolítica. Nunca podemos esquecer que para cada processo de evolução, existem aqueles opositores que apenas ficam interessados em se manter em suas zonas de conforto. Se apegam em suas "verdades" e se recusam olhar para frente. Cedo ou tarde, esses "líderes de retrovisor" serão engolidos pelo processo natural de evolução, espero que não sejamos um deles.
É verdade que o Fórum Econômico Mundial reconhece que "os benefícios da abertura estão em risco" por causa de medidas protecionistas, especialmente barreiras não tarifárias do comércio mundial que foram exacerbadas desde a crise financeira de 2007: um desafio que a quarta revolução deverá enfrentar se quiser nos entregar aquilo que ela nos promete.
Bem, espero ter abordado um pouco o tema, o suficiente para despertar em cada um de nós, a mesma provocação que tive e que me fez mergulhar nesse assunto. Vou procurar ficar atento ao tema, acompanhar as transformações e observar os movimentos que nossos líderes darão no caminho da adaptação às novas realidades. Tenho a esperança que nossa sociedade tenha começado a entender que não pode mais ficar presa em dogmas ultrapassados. Espero que o "Novo Tempo" que pairou sobre Porto Alegre, estimule cada vez mais a nossa sociedade a amadurecer e buscar seu caminho.
Vale sempre lembrar: Santos Dumont foi chamado de louco, mas ele voou!

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