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Conservadorismo


Conversando com alguns amigos, fui surpreendido com uma indagação interessante, ao citar um determinado autor. O mesmo recebeu a alcunha de “desprezível” e o motivo dele receber esse “elogio” se deu, dentre outras coisas, pelo fato do referido autor ser considerado um “Conservador”. Pois bem, isso me motivou a tecer algumas ideias sobre o termo conservador e expor aqui, para os amigos que me acompanham nesse blog tirarem suas conclusões sobre o tema ou, em muitos casos, até tomar conhecimento do tema.

Obviamente, essas ideias não são regras fechadas ou que devam ser seguidas na prática política de quem quer que seja apenas são pensamentos desse humilde blogueiro. Na verdade, são apenas alguns critérios de reconhecimento para você, leitor amigo, distinguir, quando ouvir um político, se está diante de um conservador, de um revolucionário ou de um “liberal”, no sentido “brasileiro” do termo hoje em dia (que é uma indecisa mistura dos dois anteriores), como costuma dizer Olavo de Carvalho.

Então vamos lá, direto de uma letra extraída dos versos do hino da “Juventude Hitlerista” que diz assim: "Niemand besitzt die Zukunft" (Ninguém é dono do futuro”). "Die Zukunft gehört uns" (“O futuro pertence a nós”), pois bem, isso reflete a essência de um pensamento revolucionário, que consiste em vislumbrar um futuro hipotético, idealizado e que, em ultima instância ele (revolucionário) acredita ser a autoridade de julgamento no presente, mesmo que ele nada saiba sobre esse futuro, não consegue descreve-lo, apenas por meios de louvores genéricos a algo que ele não faz a mínima ideia do que se trata. Pois bem, um conservador fala das experiências passadas, acumuladas no presente (tudo aquilo que já foi devidamente experimentado e trabalhado ao longo da história humana).

Falemos de nossos políticos: Quando Lula dizia: “Não sabemos qual tipo de socialismo queremos”, ele partia de uma premissa equivocada de que o futuro da humanidade estava no socialismo, quando a mesma história humana mostra que na verdade, o socialismo tem um passado cheio de sangue e com milhões de mortos. Lula nos atribuía a possibilidade de que ele e os seus, podem nos levar de volta para esse cenário de terror (com a ilusão de ser o paraíso terrestre), garantindo que essa experiência será melhor sucedida sem nenhuma garantia, a não ser a palavra de alguém que, confessa nem saber de qual futuro está falando.
Em uma real democracia, cada geração tem o direito de escolher o que lhe convém. E isto implica que nenhuma geração tem o direito de comprometer as seguintes, com escolhas drásticas cujos efeitos não poderão ser revertidos jamais ou só poderão sê-lo mediante o sacrifício de muitas gerações. O povo tem, por definição, o direito de experimentar e de aprender com a experiência, e é ai onde reside o pensamento conservador, que nos mostra que ninguém tem o direito de usar seus filhos e netos como cobaias de experiências sociais temerárias.

Nenhum governo tem o direito de fazer algo que o próximo governo não possa reverter, as eleições periódicas (característica de um regime democrático) não faria sentido, se o governo posterior não pudesse alterar aquilo que foi implementado em governos anteriores. A democracia é, em sua essência, incompatível com qualquer projeto de mudança profunda e irreversível da ordem social, por pior que posa ser essa ordem social em determinado momento da história. Um conservador não consegue aceitar que nenhuma ordem social que já tenha demonstrado ser um conjunto de mortes, fome e miséria humanas. Nos últimos 300 anos não houve nenhum experimento revolucionário que não trouxesse essas consequências, portanto, para um conservador, não é possível enxergar que experimentos futuros possam ser diferentes do que a história já mostrou.

Em virtude disso, a democracia é o oposto da teoria revolucionária, a experiência democrática consiste em um governo que tenham experiências sociais revogáveis e de curto prazo, que possam ser substituídas, caso demonstrem ser ineficazes para a sociedade. A proposta revolucionária é de cunho eminentemente irreversível e de longo prazo e não permite que se questione essa transformação. Se levarmos ao seu conteúdo original, a proposta revolucionária visa não somente a transformação de uma sociedade e sim a transformação de mundo e também da natureza do individuo. Fica impossível discutir de forma democrática com alguém que não respeita nem sequer a natureza do interlocutor, vendo nela apenas a matéria provisória da humanidade futura. Amigos, é burrice acreditar que comunistas, socialistas, fascistas, nazistas e coisas afins, possam coabitar pacificamente no seio da esfera democrática com facções políticas muito menos ambiciosas, como diz, novamente, Olavo de Carvalho, “Será sempre a convivência do lobo com o cordeiro”.


Portanto, não podemos deixar de identificar aqueles que verdadeiramente buscam a democracia. Durante quase 50 anos, os brasileiros foram impregnados silenciosamente por uma crescente hegemonia do pensamento de esquerda, até para combater esse pensamento, se utiliza da linguagem desse pensamento. É necessário que as novas gerações voltem a estudar, comece a pesquisar as experiências históricas humanas e aprender com elas, esse procedimento está longe de ser “desprezível”, isso é ser democrático, buscar evoluir com experiências reais, devidamente testadas e analisadas pela história e não se deixar levar por aventuras utópicas e sem nenhuma garantia a não ser a fé cega no paraíso na terra, paraíso esse que mata, que não aceita ser questionado, que limita o pensar e principalmente o agir. 

Ser conservador, amigos, é querer uma sociedade mais democrática onde o pensar pode ser praticado por qualquer um, onde nenhuma entidade ou governo, diga o que você deve fazer e sentir. Se ser conservador é ser “desprezível”, bem, prefiro ser esse tipo de ser desprezível a ser um potencial “assassino social” ou de um populista sem escrúpulos, como muitos de nossos políticos com mandatos públicos, sejam eles de que partido forem.

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