sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A Quarta Revolução Industrial

Eu recebi um texto hoje que me provocou a tratar sobre o tema aqui neste blog. O texto falava sobre as inovações tecnológicas, as mudanças que algumas tecnologias causaram na sociedade e nos meios de produção. Não retratarei exatamente o texto aqui, provavelmente usarei algumas passagens, mas tentarei tecer um comentário um pouco mais pessoal sobre a provocação recebida. O texto abordava uma palavra que me chamou muito à atenção: "A Quarta Revolução Industrial". E é a partir deste conceito que irei discorrer aqui.

Mas falemos um pouco de história, no final do século XVII a maquina à vapor causou uma profunda mudança no comportamento, na produção, no trabalho e na vida das pessoas de então, esse fenômeno é conhecido historicamente como: "Revolução Industrial",e as transformações que essa revolução trouxe foram tão profundas que até hoje, mesmo com a maquina à vapor sendo peça de museu, ainda somos impactados pelo que ela causou nas relações sociais.

Mas agora estamos lidando com uma nova forma de relacionamento humano, não estamos mais com as obsoletas máquinas do século XX, não, desta vez, serão os robôs integrados em sistemas ciberfísicos os responsáveis por uma transformação radical. E os economistas têm um nome para isso: a tal "Quarta Revolução Industrial", marcada pela convergência de tecnologias digitais, físicas e biológicas. Além de uma enorme ressonância nas relações sociais, pessoais e de trabalho.

Os cientistas antecipam que essa revolução mudará o mundo como o conhecemos. Soa muito radical? É que, se cumpridas as previsões, assim será. E já está acontecendo, dizem, em larga escala e a toda velocidade. Na nossa frente e nem nos damos conta de sua violenta transformação.
O autor do livro "A Quarta Revolução Industrial"Klaus Schwab, nos diz que: "Estamos a bordo de uma revolução tecnológica que transformará fundamentalmente a forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Em sua escala, alcance e complexidade, a transformação será diferente de qualquer coisa que o ser humano tenha experimentado antes", (a ferocidade dessa mudança será "anos luz" mais forte do que a Revolução do vapor).
Os "novos poderes" da transformação virão da engenharia genética e das neurotecnologias, duas áreas que parecem misteriosas e distantes para o cidadão comum de hoje, mas que já estão em pleno desenvolvimento não somente em laboratórios, mas em alguns países isso já está sendo posto em prática.
No entanto, as repercussões impactarão em como somos e como nos relacionamos até nos lugares mais distantes do planeta: a revolução afetará o mercado de trabalho, o futuro do trabalho e a desigualdade de renda. Suas consequências impactarão a segurança geopolítica e o que é considerado ético. Os relacionamentos se darão através de contatos virtuais, as atuais redes de relacionamentos serão muito mais aperfeiçoadas e terão uma importância maior do que essa que já temos hoje. Nossas crianças serão educadas com ferramentas que nem nós, nem nossos pais conhecemos (e no caso de alguns, como eu, nem meu filho conhece). os "Humanos do Amanhã" já estão entre nós.
Mas afinal, de que se trata essa mudança e por que há quem acredite que se trata de uma revolução?
O importante, alertam os teóricos da ideia, é que não se trata de um desdobramento, mas do encontro desses desdobramentos. Nesse sentido, representa uma mudança de paradigma e não mais uma etapa do desenvolvimento tecnológico. (como foi o rádio, a TV e próprio computador)
"A Quarta revolução Industrial não é definida por um conjunto de tecnologias emergentes em si mesmas, mas a transição em direção a novos sistemas que foram construídos sobre a infraestrutura da revolução digital (anterior)", diz novamente Schwab, que além de ser autor do livro citado anteriormente sobre o tema, é também, diretor executivo do Fórum Econômico Mundial e um dos principais entusiastas da "Revolução".
De acordo com o Fórum. existem três razões pelas quais as transformações atuais não representam uma extensão da terceira revolução industrial, mas a chegada de uma diferente: a velocidade, o alcance e o impacto nos sistemas. A velocidade dos avanços atuais não tem precedentes na história e está interferindo quase todas as indústrias de todos os países e afetando diretamente o modo de vida da sociedade humana. Já estamos na chamada "Geração Z", humanos que não toleram a "lentidão", a zona de conforto e são, por excelência, experimentadores natos.

Também chamada de 4.0, essa revolução acontece após três processos históricos transformadores que tentarei exemplificar a seguir:
1) A primeira marcou o ritmo da produção manual à mecanizada, entre 1760 e 1830. 
2) A segunda, por volta de 1850, trouxe a eletricidade e permitiu a manufatura em massa. 
3) E a terceira aconteceu em meados do século 20, com a chegada da eletrônica, da tecnologia da informação e das telecomunicações.
A característica contida nesta quarta mudança é uma tendência à automatização total das fábricas (seu nome vem, na verdade, de um projeto de estratégia de alta tecnologia do governo da Alemanha, trabalhado desde 2013 para levar sua produção a uma total independência da obra humana). A automatização acontece através de sistemas ciberfísicos, que foram possíveis graças à internet das coisas e à computação na nuvem.

Os sistemas ciberfísicos, que combinam máquinas com processos digitais, são capazes de tomar decisões descentralizadas e de cooperar, entre eles e com humanos, mediante a capacidade de comunicação hiperacelerada que a internet nos proporciona hoje (não estou falando da nossa internet caseira, falo de algumas tecnologias 6G a 7G que já são utilizadas em alguns países do mundo). Conversando com um adolescente (membro dessa "Geração Z" sobre qual a carreira que ele pretendia seguir, me dei conta de que, talvez a futura profissão do garoto ainda nem exista).
Mas o que vem por ai, segundo alguns teóricos, é uma "fábrica inteligente". Verdadeiramente inteligente. O princípio básico é que as empresas poderão criar redes inteligentes que poderão controlar a si mesmas. Os números econômicos são impactantes: segundo calculou a consultora Accenture no ano passado, uma versão em escala industrial dessa revolução poderia agregar 14,2 bilhões de dólares à economia mundial nos próximos 15 anos! Isso é, em padrões econômicos, um verdadeiro "Boom" na economia e também, causar um verdadeiro "estrago" nas relações sociais.
No Fórum Mundial de Davos, em janeiro deste ano, houve uma antecipação do que os acadêmicos mais eufóricos têm na cabeça quando falam de Revolução 4.0: nanotecnologias, neurotecnologias, robôs, inteligência artificial, biotecnologia, sistemas de armazenamento de energia, drones e impressoras 3D. (veja ai, amigo leitor, várias dessas tecnologias você já começa a ter uma certa familiaridade, mesmo que a maioria delas ainda soem como ficção cientifica). Mas esses também serão os causadores da parte mais controversa da quarta revolução: ela pode acabar com cinco milhões de vagas de trabalho nos 15 países mais industrializados do mundo (incluindo o Brasil).
O assunto é extremamente complexo e vejo que não será possível aborda-lo completamente apenas com um texto. Escreverei mais sobre o tema nas próximas postagens, mas fica aqui a inquietação causada pela provocação que recebi hoje pela manhã. Espero que os amigos compreendam uma coisa importante: A "Quarta Revolução Industrial" é um processo irreversível e já se encontra a todo o vapor (desculpem, mas não resisti à piada), cabe à nós, começarmos a nos adaptar com a sua chegada.
Não terminaria esse texto sem agradecer a Mauren Pessôa de Mello, que foi fundamental, com suas provocações, para que eu viesse a pesquisar sobre o tema e começasse a escrever a sequência de textos que estão por vir. 
Grato, Mauren.

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